A ANAC passou a ter uma superintendência dedicada exclusivamente à aviação geral. A Superintendência de Operações da Aviação Geral — SAG na sigla interna — consta da estrutura organizacional aprovada pela Resolução Interna nº 10, de 27 de julho de 2026, publicada no Diário Oficial da União em 29 de julho e em vigor desde 3 de agosto. Um dia depois, abriu a LABACE no Campo de Marte.
A coincidência de calendário não é pequena. O ato que reorganiza a Agência começou a valer na véspera do maior encontro de aviação executiva da América Latina, e a própria ANAC informa em sua página de aviação geral que "a nova superintendência inicia seu funcionamento em agosto de 2026".
Neste artigo
- O que a Resolução Interna nº 10 fez
- Quais segmentos a SAG cobre
- O organograma da nova superintendência
- O que ainda não está público
- Por que isso importa para quem voa
- Perguntas frequentes
- Fontes e referências
O que a Resolução Interna nº 10 fez
A RI nº 10 aprova o novo Regimento Interno da ANAC. Não é uma emenda pontual: o ato consolida e revoga vinte e duas resoluções anteriores, incluindo a Resolução Interna nº 6, de 16 de março de 2026, que havia alterado dispositivos do regimento antigo quatro meses antes.
| Item | Dado |
|---|---|
| Ato | Resolução Interna nº 10 |
| Data de assinatura | 27 de julho de 2026 |
| Publicação no DOU | 29 de julho de 2026 |
| Entrada em vigor | 3 de agosto de 2026 |
| Resoluções revogadas | 22 |
| Onde a SAG aparece | Art. 2º, inciso III, alínea "f" |
No mesmo 3 de agosto em que o novo regimento passou a valer, a Agência publicou a Resolução Interna nº 11, que estabelece o modelo de regionalização e de organização administrativa da ANAC. As duas normas andam juntas: uma redesenha a estrutura, a outra distribui essa estrutura pelo território.
Uma ressalva de método. A RI nº 10 é o ato que traz a SAG na estrutura aprovada — não é, necessariamente, o ato que a criou. A ANAC descreve a superintendência como resultado de "um movimento de modernização regulatória", sem apontar em sua página de aviação geral qual norma isolada a instituiu. Preferimos registrar o que o texto normativo comprova a especular sobre a origem.
Quais segmentos a SAG cobre
Aqui vale a leitura literal, porque a imprensa setorial vem repetindo uma lista que não é a da ANAC. Na descrição oficial da Agência, o alcance da nova superintendência é este:
- Aerodesporto
- Aviação agrícola (privada e pública)
- Balonismo
- Drones
- Carga externa
- Compartilhamento de aeronaves
- Paraquedismo
- Serviços aéreos especializados
- Voos panorâmicos
Nove segmentos. Repare no que a lista tem e no que ela não tem. Tem drones — o que confirma que a fiscalização de aeronaves não tripuladas passa a conviver com balonismo e paraquedismo dentro da mesma casa. Tem compartilhamento de aeronaves, tema que cresceu junto com as sociedades de proprietários e com os modelos de gestão de frota. E tem aviação agrícola nas duas modalidades, privada e pública.
A lista da ANAC descreve segmentos de operação, não regulamentos. Boa parte do que está ali é operada sob o RBAC 91 — a regra geral que rege o voo privado —, mas o recorte publicado pela Agência é por atividade, e é assim que ele deve ser lido e citado.
O organograma da nova superintendência
O anexo de estrutura da RI nº 10 detalha a SAG em dois níveis. É o retrato mais concreto do que a superintendência vai fazer no dia a dia:
1. Gerência de Operações — GEOP
- 1.1. Gerência Técnica de Fiscalização da Aviação Geral — GTFA
- 1.2. Gerência Técnica de Certificação da Aviação Geral — GTCG
- 1.3. Gerência Técnica de Execução de Demandas Descentralizadas — GTED
2. Gerência de Normas e Apoio da Aviação Geral — GNAG
- 2.1. Gerência Técnica de Normas da Aviação Geral — GTNO
A divisão diz muito. De um lado, a operação: fiscalizar, certificar e atender demandas descentralizadas — essa última unidade é a que conversa diretamente com o modelo de regionalização da RI nº 11. Do outro, a norma: uma gerência técnica dedicada a escrever e revisar regra de aviação geral.
Ter uma GTNO separada da GTFA é o ponto que merece atenção de quem opera. Significa que existe, dentro da estrutura, uma unidade cuja função é produzir texto normativo para o segmento, em vez de dividir essa atribuição com áreas que hoje tratam de transporte aéreo público. Se essa separação vai se traduzir em regra mais adequada à realidade de quem voa um monomotor ou pulveriza uma lavoura, só o tempo e os próximos RBACs dirão.
O que ainda não está público
Duas lacunas, declaradas como lacunas.
O nome do superintendente. A página de aviação geral da ANAC não traz o titular da unidade nem canal de contato próprio.
A data exata de início. "Agosto de 2026" é o que a Agência publica. Não há, na fonte consultada, um dia específico em que os processos migram para a nova superintendência.
Por que isso importa para quem voa
Reestruturação administrativa costuma soar burocrática, e na maioria das vezes é. Esta tem uma consequência prática identificável: até agora, o piloto de aviação geral disputava fila com o transporte aéreo público dentro das mesmas superintendências. Certificação de táxi aéreo, fiscalização de aeroclube, autorização de operação com drone e demanda de aviação agrícola circulavam por estruturas desenhadas com outro perfil de regulado em mente.
A SAG separa essa fila. É isso que muda no organograma — e é só isso que o organograma garante. Prazo menor, exigência mais proporcional e comunicação mais direta são a promessa que a ANAC associa à modernização regulatória, não um resultado já entregue.
Vamos acompanhar. Quando a Agência publicar o titular da SAG, o canal de atendimento e o primeiro ato normativo assinado pela GTNO, atualizaremos esta reportagem.
Se o que você quer é a leitura prática — se o seu segmento entrou, o que muda no seu protocolo e o que continua igual —, escrevemos um guia separado sobre a SAG no dia a dia do piloto.
Perguntas frequentes
A SAG substitui alguma superintendência que existia? Não há, na fonte consultada, indicação de que a SAG substitua ou revogue outra superintendência. A RI nº 10 aprova um regimento inteiro, com a SAG constando da estrutura no art. 2º, III, "f".
Meu processo em andamento na ANAC muda de área? A Agência não publicou, até o fechamento desta reportagem, cronograma de migração de processos. Enquanto isso não sair, o caminho segue sendo o canal atual.
A SAG cuida de drone? Sim. Drones aparecem expressamente entre os segmentos que a ANAC lista sob a nova superintendência. Para o passo a passo do cadastro, veja o guia de regularização de piloto de drone na ANAC.
Isso tem relação com a ICA 100-40 do DECEA? Não diretamente. A competência do DECEA sobre o espaço aéreo é independente da estrutura interna da ANAC. Quem voa drone continua com dois trâmites: o cadastro e a autorização do lado da ANAC, e a liberação de espaço aéreo pelo SARPAS, do lado do DECEA — como detalhamos na reportagem sobre a nova ICA 100-40.
E o piloto privado, muda alguma coisa? A lista da ANAC é por atividade. As obrigações do voo privado seguem no RBAC 91, sem alteração decorrente da reestruturação.
Onde leio o texto do novo Regimento Interno? Na seção de Resolução Interna do portal de legislação da ANAC, exercício 2026, ato nº 10.
Fontes e referências
- ANAC — Resolução Interna nº 10, de 27 de julho de 2026
- ANAC — Resoluções Internas de 2026
- ANAC — Aviação Geral
- ABAG — LABACE 2026
Reestruturação de agência reguladora só vira notícia útil quando chega ao cockpit. No AeroCopilot, a gente acompanha o que a ANAC e o DECEA publicam e traduz para o que muda no seu planejamento — do cadastro da aeronave ao preenchimento do plano de voo.