PVZ, AFIL E RPL: Planos De Voo Especiais No AeroCopilot
Guia sobre planos de voo especiais: Plano de Voo de Zona (PVZ), filing em rota (AFIL) e Plano Repetitivo (RPL). Entenda quando e como utilizar cada modalidade.
Visão geral dos planos especiais
Além do PVC (Plano de Voo Completo) e do PVS (Plano de Voo Simplificado), a regulamentação aeronáutica brasileira e as normas ICAO preveem modalidades especiais de plano de voo para situações que não se encaixam no fluxo convencional de apresentação. Essas modalidades atendem cenários operacionais específicos onde o plano padrão é insuficiente ou impraticável.
O AeroCopilot oferece suporte para as três principais modalidades de planos especiais utilizadas na aviação brasileira:
- PVZ (Plano de Voo de Zona): Plano para operações de trabalho aéreo dentro de uma área geográfica definida (círculo, polígono ou faixa), em vez de uma rota ponto a ponto.
- AFIL (Airborne Filing): Apresentação de plano de voo quando a aeronave já está em voo, por comunicação rádio com o órgão ATC.
- RPL (Repetitive Flight Plan): Plano de voo repetitivo para operações regulares em rotas e horários fixos, registrado uma única vez e ativado automaticamente.
Cada modalidade possui regras específicas de apresentação, ativação e cancelamento. O conhecimento dessas opções permite ao piloto e ao operador escolher a ferramenta mais adequada para cada tipo de operação, otimizando o planejamento e garantindo conformidade regulamentar.
Base regulamentar

PVZ -- Plano de Voo de Zona
O Plano de Voo de Zona (PVZ) é a modalidade apresentada para operações de trabalho aéreo realizadas dentro de uma área geográfica definida -- um círculo, polígono ou faixa descritos por coordenadas -- em vez de uma rota convencional entre dois aeródromos. A aeronave opera dentro dessa zona pelo período planejado, executando a atividade específica da missão.
Quando utilizar o PVZ
O PVZ é a escolha quando o voo cobre uma área de trabalho delimitada, e não uma rota ponto a ponto:
- Aerolevantamento e cartografia: mapeamento aéreo, LiDAR e fotogrametria sobre uma área definida.
- Fotografia e filmagem aéreas: cobertura de eventos, obras ou regiões específicas.
- Operações agrícolas: pulverização e demais atividades sobre talhões e áreas rurais.
- Inspeção de linhas e dutos: patrulhamento de linhas de transmissão, oleodutos e infraestrutura.
- Publicidade aérea: operação sobre uma região determinada.
O contexto do trabalho aéreo é descrito no campo RMK/ do Item 18 -- o indicador STS/ é uma lista fechada da OACI e não inclui trabalho aéreo, agricultura ou fotografia (preencher STS/AGRI, STS/PHOTO ou similar arrisca a rejeição do plano pelo ATS).
Contexto do trabalho aéreo vai no RMK/
Guia em expansão
AFIL -- Filing em rota (Airborne Filing)
O AFIL (Airborne Filing, ou apresentação de plano de voo em rota) é o mecanismo que permite a um piloto apresentar um plano de voo enquanto a aeronave já está em voo. Diferente do PVZ e do PVC, que são apresentados antes da decolagem, o AFIL é um recurso de contingência para situações em que um plano precisa ser criado ou modificado substancialmente com a aeronave no ar.
É fundamental entender que o AFIL não é uma alternativa ao planejamento pré-voo. Ele existe para cobrir situações imprevistas que surgem durante o voo e que exigem a apresentação formal de um plano ao órgão ATC.
Situações que justificam o AFIL
- Desvio meteorológico: Condições adversas imprevistas exigem mudança de destino que não estava prevista no plano original. O piloto precisa de um novo plano para o destino alternativo.
- Ingresso em espaço controlado: Aeronave VFR sem plano de voo que necessita cruzar espaço aéreo controlado não previsto na rota original.
- Mudança de regra de voo: Deterioração meteorológica exige transição de VFR para IFR em rota, o que requer plano IFR formalmente apresentado.
- Extensão de voo: Piloto que decolou para voo local (sem plano) e decide prosseguir para outro aeródromo, necessitando cobertura SAR.
- Emergência operacional: Situações que exigem redirecionamento para aeródromo não previsto, como passageiro com mal-estar ou falha de sistema.
Procedimento de AFIL
O procedimento de filing em rota segue um protocolo estruturado de comunicação rádio:
- Contato inicial: O piloto contata o órgão ATC responsável pelo espaço aéreo em que se encontra (APP, ACC ou TWR) e solicita a apresentação de um plano de voo em rota (AFIL).
- Transmissão dos dados: O controlador solicita as informações do plano em formato estruturado: identificação, tipo de aeronave, posição atual, nível, destino, rota pretendida, autonomia e pessoas a bordo.
- Processamento: O órgão ATC processa o AFIL e verifica a compatibilidade com o tráfego na região. O plano pode ser aceito imediata ou condicionalmente.
- Autorização: Se aceito, o controlador emite autorização condicional e o plano é registrado no sistema AIS com a hora atual como EOBT e a posição como ponto de partida.
AFIL não é rotina
Limitações do AFIL
- O órgão ATC pode recusar o AFIL por saturação de tráfego ou impossibilidade operacional.
- A transmissão por rádio é demorada e sujeita a erros de comunicação, especialmente em situações de alto workload.
- Até que o AFIL seja processado e aceito, a aeronave não possui cobertura formal de serviços de tráfego aéreo para o novo destino.
- Em espaço aéreo com alta densidade de tráfego, o processamento do AFIL pode levar vários minutos.
AFIL no AeroCopilot
RPL -- Plano de Voo Repetitivo
O RPL (Repetitive Flight Plan) é um plano de voo registrado uma única vez para voos que operam regularmente na mesma rota, horário e dias da semana. Em vez de apresentar um novo plano para cada voo, o operador registra o RPL junto ao órgão AIS é o sistema ativa automaticamente o plano nos dias programados.
O RPL é amplamente utilizado por companhias aéreas, operadores de táxi aéreo regular e empresas de carga que operam rotas fixas com frequência previsível. Para o operador, o RPL representa uma redução significativa na carga administrativa de apresentação de planos de voo.
Características do RPL
- Registro único: O plano é apresentado uma vez ao órgão AIS com os dados da rota, horários e dias de operação. Não é necessário reapresentar para cada voo.
- Ativação automática: Nos dias programados, o sistema AIS ativa automaticamente o RPL no horário definido, sem intervenção do operador.
- Cancelamento individual: Voos específicos podem ser cancelados enviando uma mensagem CHG ou CNL ao órgão AIS com antecedência mínima de 2 horas.
- Alterações pontuais: Modificações em um voo específico (ex.: mudança de horário ou aeronave) são comunicadas via mensagem CHG sem alterar o RPL base.
- Validade definida: O RPL possui período de validade (tipicamente sazonal: verão IATA, inverno IATA) e deve ser renovado ou atualizado a cada troca de temporada.
Dados do RPL
O formulário de RPL inclui todos os campos do PVC padrão, acrescido de informações de recorrência:
| Campo adicional | Descrição | Exemplo |
|---|---|---|
| Dias de operação | Dias da semana em que o voo opera | 1234567 (todos) ou 135 (seg/qua/sex) |
| Período de validade | Data de início e fim do RPL | 01MAR26-30OCT26 |
| Número do voo | Indicativo de chamada do voo regular | GLO1234 |
| Operador | Nome ou código ICAO do operador | GLO (GOL Linhas Aéreas) |
Quem pode utilizar o RPL
O RPL é destinado a operadores que realizam voos regulares ou de frequência previsível. No contexto brasileiro, os principais usuários são:
- Companhias aéreas com malha regular (LATAM, GOL, Azul, VOEPASS).
- Operadores de táxi aéreo com rotas fixas entre bases.
- Empresas de carga aérea com operações programadas.
- Operadores offshore com deslocamentos regulares para plataformas.
Pilotos de aviação geral (GA) raramente utilizam RPL, pois seus voos tendem a ser esporádicos e com destinos variáveis. Porém, um piloto que opera regularmente entre dois aeródromos em dias fixos poderia se beneficiar do RPL.
Temporadas IATA
Quando usar cada tipo de plano especial
A escolha do tipo de plano depende da situação operacional. O quadro abaixo compara as três modalidades para facilitar a decisão:
| Critério | PVZ | AFIL | RPL |
|---|---|---|---|
| Momento da apresentação | Antes do voo | Durante o voo | Uma vez (pré-registro) |
| Natureza da operação | Trabalho aéreo em área definida | Rota (contingência) | Rota regular recorrente |
| Frequência de uso | Eventual | Contingência | Recorrente |
| Perfil do usuário | Trabalho aéreo, agrícola, aerolevantamento | Qualquer piloto (emergencial) | Companhias, táxi aéreo |
| Campos do plano | Plano + área de trabalho (RMK/) | Essenciais (via rádio) | PVC completo + recorrência |
| Ativação | Apresentação ao órgão AIS | Autorização ATC em voo | Automática pelo sistema |
| Cancelamento | Mensagem CHG/CNL ao AIS | N/A | Mensagem CHG/CNL individual |
Na prática, a maioria dos pilotos de aviação geral utilizará o PVC ou PVS como plano padrão, recorrendo ao PVZ nas operações de trabalho aéreo sobre uma área definida e ao AFIL apenas em contingências genuínas. O RPL é relevante principalmente para operadores comerciais com malha regular.
Recomendação
Como acessar no AeroCopilot
O AeroCopilot integra os planos especiais na mesma interface de criação de planos de voo, organizando as opções de forma intuitiva para que o piloto encontre rapidamente o tipo adequado à sua necessidade.
Acesse a área de planos especiais
No menu lateral, navegue até Planos de Voo e clique em Novo Plano. Na tela de seleção de tipo, além das opções PVC e PVS, você encontra a seção Planos Especiais com as opções PVZ, AFIL e RPL.
Cada opção inclui uma breve descrição do cenário de uso, facilitando a escolha para pilotos que não estão familiarizados com as modalidades especiais.
Selecione o tipo desejado
Ao selecionar o tipo, o wizard se adapta automaticamente:
- PVZ: Abre o wizard com os campos do plano e a delimitação da área de trabalho (círculo, polígono ou faixa). O contexto da operação é registrado no campo RMK/ do Item 18.
- AFIL: Apresenta um formulário compacto com os dados essenciais para transmissão por rádio: posição atual, nível, destino, rota resumida, autonomia e pessoas a bordo. Ao final, gera a mensagem formatada para comunicação.
- RPL: Abre o wizard do PVC completo com campos adicionais para configuração de recorrência: dias da semana, período de validade, número do voo e operador.
Preencha os campos específicos
Cada tipo possui campos ou comportamentos adicionais:
- PVZ: Preencha os campos do plano e delimite a área de operação. Descreva a natureza do trabalho aéreo (aerolevantamento, agrícola, fotografia, inspeção) no campo RMK/ do Item 18.
- AFIL: Informe sua posição atual (coordenadas ou referência a waypoint próximo), nível de voo, novo destino e rota pretendida. O AeroCopilot calcula automaticamente a distância restante e o tempo estimado.
- RPL: Além dos dados do PVC, configure os dias de operação (1=segunda a 7=domingo), o período de validade do RPL e os dados do operador. O sistema válida que o período esteja dentro da temporada IATA vigente.
Valide e submeta
O AeroCopilot aplica validações específicas conforme o tipo:
- PVZ: O sistema valida a delimitação da área de trabalho e confirma que todos os campos obrigatórios estão completos.
- AFIL: Gera a mensagem formatada no protocolo padrão de comunicação rádio. O piloto pode copiar a mensagem e utilizá-la como referência durante a transmissão ao ATC.
- RPL: Valida recorrência, período e gera o formulário de registro no formato exigido pelo DECEA. O RPL é enviado ao órgão AIS para processamento e ativação no calendário programado.
Gerenciamento de planos ativos
Regulamentação aplicável
Os planos de voo especiais são regidos por um conjunto de normas nacionais e internacionais. O piloto e o operador devem estar familiarizados com as seguintes publicações:
Normas DECEA
- ICA 100-12 (Regras do Ar): Capítulo 3 trata das condições de apresentação de planos de voo, incluindo PVZ, AFIL e RPL. Define quando cada tipo é obrigatório ou facultativo.
- ICA 100-11 e MCA 100-11 (Formato e Preenchimento): Detalham o formato das mensagens, os campos por Item ICAO e os procedimentos de apresentação de cada modalidade.
- AIP Brasil ENR 1.10: Seção sobre planos de voo que detalha os procedimentos brasileiros específicos, incluindo prazos e restrições locais.
Normas ICAO
- Doc 4444 (PANS-ATM): Capítulo 4 define o formato padrão do plano de voo ICAO e as condições para apresentação de planos em rota (AFIL) e planos repetitivos (RPL).
- Anexo 2 (Rules of the Air): Estabelece as regras gerais de apresentação de planos de voo aplicáveis a todos os estados membros da ICAO.
- Doc 7030 (Procedimentos Suplementares): Contém procedimentos regionais que complementam as normas ICAO, incluindo especificidades da região SAM (América do Sul).
Prazos importantes
| Tipo | Antecedência mínima | Prazo de cancelamento | Validade |
|---|---|---|---|
| PVZ | 45 min presencial / 30 min internet (ICA 100-11 item 3.1.3) | Mensagem CNL ao órgão AIS | Conforme o plano |
| AFIL | N/A (em rota) | N/A | Voo em curso |
| RPL | 14 dias antes do início | 2 horas antes do voo específico | Temporada IATA (6 meses) |
Responsabilidade do piloto
Perguntas Frequentes
- O que é o Plano de Voo de Zona (PVZ)?
- O PVZ (Plano de Voo de Zona) é o plano apresentado para operações de trabalho aéreo realizadas dentro de uma área geográfica definida -- um círculo, polígono ou faixa em coordenadas -- em vez de uma rota convencional de ponto a ponto. É a modalidade usada em aerolevantamento, fotografia e filmagem aéreas, inspeção de linhas e dutos, publicidade aérea e operações agrícolas.
- Em quais situações o PVZ é utilizado?
- O PVZ é indicado quando o voo não segue uma rota entre dois aeródromos, mas cobre uma área de trabalho delimitada: aerolevantamento e cartografia, fotografia e filmagem aéreas, pulverização e outras operações agrícolas, inspeção de linhas de transmissão e dutos, e publicidade aérea. O contexto do trabalho aéreo é descrito no campo RMK/ do Item 18 -- o STS/ é uma lista fechada da OACI e não inclui trabalho aéreo.
- Como funciona o AFIL (Airborne Filing)?
- O AFIL permite apresentar um plano de voo quando a aeronave já está em voo. O piloto contata o órgão ATC por rádio, fornece os dados do plano e recebe uma autorização condicional. O AFIL é aceito apenas em situações específicas e não substitui o planejamento pré-voo. É um recurso de contingência, não uma prática regular.
- Quando posso usar o AFIL?
- O AFIL é aceito em situações como: desvio de rota por meteorologia que exige novo destino, necessidade de cruzar espaço aéreo controlado não previsto originalmente, mudança de regra de voo (VFR para IFR) em rota, e emergências que exigem redirecionamento. O órgão ATC pode recusar o AFIL se a situação de tráfego não permitir.
- O que é o RPL (Repetitive Flight Plan)?
- O RPL é um plano de voo repetitivo para voos regulares que operam a mesma rota em dias e horários preestabelecidos. Em vez de apresentar um novo plano para cada voo, o operador registra o RPL uma única vez e ele é ativado automaticamente nos dias programados. É amplamente utilizado por companhias aéreas e operadores de táxi aéreo com rotas fixas.
- Posso cancelar um voo coberto pelo RPL?
- Sim. Para cancelar um voo específico do RPL, envie uma mensagem CHG (Change) ou CNL (Cancel) ao órgão AIS com antecedência mínima de 2 horas. Se o voo não for cancelado e a aeronave não decolar, o sistema tratará como plano não fechado, podendo acionar procedimentos SAR. O AeroCopilot permite cancelar voos individuais do RPL diretamente na interface.
- O AeroCopilot suporta todos os tipos de planos especiais?
- O AeroCopilot oferece suporte para consulta e referência de PVZ, AFIL e RPL. O wizard de PVZ permite preparar o plano de trabalho aéreo com a área de operação. Para AFIL, o sistema gera o formato de mensagem adequado para transmissão por rádio. Para RPL, a interface permite configurar a recorrência e gerenciar cancelamentos individuais.
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