PVZ, AFIL e RPL: planos de voo especiais no AeroCopilot
Guia sobre planos de voo especiais: Plano de Voo de Zona (PVZ), filing em rota (AFIL) e Plano Repetitivo (RPL). Entenda quando e como utilizar cada modalidade.
Visão geral dos planos especiais
Além do PVC (Plano de Voo Completo) e do PVS (Plano de Voo Simplificado), a regulamentação aeronáutica brasileira e as normas ICAO preveem modalidades especiais de plano de voo para situações que não se encaixam no fluxo convencional de apresentação. Essas modalidades atendem cenários operacionais específicos onde o plano padrão é insuficiente ou impraticável.
O AeroCopilot oferece suporte para as três principais modalidades de planos especiais utilizadas na aviação brasileira:
- PVZ (Plano de Voo de Zona): Plano para operações de trabalho aéreo dentro de uma área geográfica definida (círculo, polígono ou faixa), em vez de uma rota ponto a ponto.
- AFIL (Airborne Filing): Apresentação de plano de voo quando a aeronave já está em voo, por comunicação rádio com o órgão ATC.
- RPL (Repetitive Flight Plan): Plano de voo repetitivo para operações regulares em rotas e horários fixos, apresentado uma única vez ao CGNA e vigente entre as datas declaradas no formulário (ICA 100-11 §4.2.1 e §4.2.2).
Cada modalidade possui regras específicas de apresentação, ativação e cancelamento. O conhecimento dessas opções permite ao piloto e ao operador escolher a ferramenta mais adequada para cada tipo de operação, otimizando o planejamento e garantindo conformidade regulamentar.
Base regulamentar

PVZ -- Plano de Voo de Zona
O Plano de Voo de Zona (PVZ) é a modalidade apresentada para operações de trabalho aéreo realizadas dentro de uma área geográfica definida -- um círculo, polígono ou faixa descritos por coordenadas -- em vez de uma rota convencional entre dois aeródromos. A aeronave opera dentro dessa zona pelo período planejado, executando a atividade específica da missão.
Quando utilizar o PVZ
O PVZ é a escolha quando o voo cobre uma área de trabalho delimitada, e não uma rota ponto a ponto:
- Aerolevantamento e cartografia: mapeamento aéreo, LiDAR e fotogrametria sobre uma área definida.
- Fotografia e filmagem aéreas: cobertura de eventos, obras ou regiões específicas.
- Operações agrícolas: pulverização e demais atividades sobre talhões e áreas rurais.
- Inspeção de linhas e dutos: patrulhamento de linhas de transmissão, oleodutos e infraestrutura.
- Publicidade aérea: operação sobre uma região determinada.
O contexto do trabalho aéreo é descrito no campo RMK/ do Item 18 -- o indicador STS/ é uma lista fechada da OACI e não inclui trabalho aéreo, agricultura ou fotografia (preencher STS/AGRI, STS/PHOTO ou similar arrisca a rejeição do plano pelo ATS).
Contexto do trabalho aéreo vai no RMK/
Guia em expansão
AFIL -- Filing em rota (Airborne Filing)
O AFIL (Airborne Filing, ou apresentação de plano de voo em rota) é o mecanismo que permite a um piloto apresentar um plano de voo enquanto a aeronave já está em voo. Diferente do PVZ e do PVC, que são apresentados antes da decolagem, o AFIL é um recurso de contingência para situações em que um plano precisa ser criado ou modificado substancialmente com a aeronave no ar.
É fundamental entender que o AFIL não é uma alternativa ao planejamento pré-voo. Ele existe para cobrir situações imprevistas que surgem durante o voo e que exigem a apresentação formal de um plano ao órgão ATC.
Situações que justificam o AFIL
- Desvio meteorológico: Condições adversas imprevistas exigem mudança de destino que não estava prevista no plano original. O piloto precisa de um novo plano para o destino alternativo.
- Ingresso em espaço controlado: Aeronave VFR sem plano de voo que necessita cruzar espaço aéreo controlado não previsto na rota original.
- Mudança de regra de voo: Deterioração meteorológica exige transição de VFR para IFR em rota, o que requer plano IFR formalmente apresentado.
- Extensão de voo: Piloto que decolou para voo local (sem plano) e decide prosseguir para outro aeródromo, necessitando cobertura SAR.
- Emergência operacional: Situações que exigem redirecionamento para aeródromo não previsto, como passageiro com mal-estar ou falha de sistema.
Procedimento de AFIL
O procedimento de filing em rota segue um protocolo estruturado de comunicação rádio:
- Contato inicial: O piloto contata o órgão ATC responsável pelo espaço aéreo em que se encontra (APP, ACC ou TWR) e solicita a apresentação de um plano de voo em rota (AFIL).
- Transmissão dos dados: O controlador solicita as informações do plano em formato estruturado: identificação, tipo de aeronave, posição atual, nível, destino, rota pretendida, autonomia e pessoas a bordo.
- Processamento: O órgão ATC processa o AFIL e verifica a compatibilidade com o tráfego na região. O plano pode ser aceito imediata ou condicionalmente.
- Autorização: Se aceito, o controlador emite autorização condicional e o plano é registrado no sistema AIS com a hora atual como EOBT e a posição como ponto de partida.
AFIL não é rotina
Limitações do AFIL
- O órgão ATC pode recusar o AFIL por saturação de tráfego ou impossibilidade operacional.
- A transmissão por rádio é demorada e sujeita a erros de comunicação, especialmente em situações de alto workload.
- Até que o AFIL seja processado e aceito, a aeronave não possui cobertura formal de serviços de tráfego aéreo para o novo destino.
- Em espaço aéreo com alta densidade de tráfego, o processamento do AFIL pode levar vários minutos.
AFIL no AeroCopilot
RPL -- Plano de Voo Repetitivo
O RPL (Repetitive Flight Plan) é um plano de voo registrado uma única vez para voos que operam regularmente na mesma rota, horário e dias da semana. Em vez de apresentar um novo plano para cada voo, o operador apresenta o RPL ao CGNA (ICA 100-11 §4.2.1), que o processa e distribui as listagens correspondentes aos ACC envolvidos (§4.3.1).
O RPL é amplamente utilizado por companhias aéreas, operadores de táxi aéreo regular e empresas de carga que operam rotas fixas com frequência previsível. Para o operador, o RPL representa uma redução significativa na carga administrativa de apresentação de planos de voo.
Características do RPL
- Registro único: O plano é apresentado uma vez ao CGNA (ICA 100-11 §4.2.1) com os dados da rota, horários e dias de operação. Não é necessário reapresentar para cada voo.
- Vigora sem nova apresentação: O RPL entra em vigor, nos ACC envolvidos, a partir da data do campo I do formulário e assim permanece até a data do campo J (ICA 100-11 §4.2.2). Quem processa as propostas e distribui as listagens correspondentes aos ACC é o CGNA; os ACC confirmam o recebimento e apontam incorreções que comprometam a autorização de qualquer RPL (§4.3.1 e §4.3.2).
- Cancelamento individual: Voos específicos de uma série podem ser cancelados, modificados ou atrasados por mensagem CNL, CHG ou DLA, apresentada até 35 minutos além da EOBT (ICA 100-11 §4.6.1). Depois da autorização ATC, a alteração vai por radiotelefonia ao órgão ATC responsável (§4.6.2).
- Alterações pontuais: Modificações em um voo específico (ex.: mudança de horário ou aeronave) são comunicadas via mensagem CHG sem alterar o RPL base.
- Validade definida: O RPL vigora, nos ACC envolvidos, a partir da data declarada no campo I ("VÁLIDO DE") e permanece em vigor até a data do campo J ("VÁLIDO ATÉ") do formulário, a menos que seja cancelado a pedido do explorador (ICA 100-11 §4.2.2, Anexo D).
Dados do RPL
O formulário de RPL inclui todos os campos do PVC padrão, acrescido de informações de recorrência:
| Campo adicional | Descrição | Exemplo |
|---|---|---|
| Dias de operação | Dias da semana em que o voo opera | 1234567 (todos) ou 135 (seg/qua/sex) |
| Período de validade | Data de início e fim do RPL | 01MAR26-30OCT26 |
| Número do voo | Indicativo de chamada do voo regular | GLO1234 |
| Operador | Nome ou código ICAO do operador | GLO (GOL Linhas Aéreas) |
Quem pode utilizar o RPL
O RPL é destinado a operadores que realizam voos regulares ou de frequência previsível. No contexto brasileiro, os principais usuários são:
- Companhias aéreas com malha regular (LATAM, GOL, Azul, VOEPASS).
- Operadores de táxi aéreo com rotas fixas entre bases.
- Empresas de carga aérea com operações programadas.
- Operadores offshore com deslocamentos regulares para plataformas.
Pilotos de aviação geral (GA) raramente utilizam RPL, pois seus voos tendem a ser esporádicos e com destinos variáveis. Porém, um piloto que opera regularmente entre dois aeródromos em dias fixos poderia se beneficiar do RPL.
Vigência das listagens de RPL
Quando usar cada tipo de plano especial
A escolha do tipo de plano depende da situação operacional. O quadro abaixo compara as três modalidades para facilitar a decisão:
| Critério | PVZ | AFIL | RPL |
|---|---|---|---|
| Momento da apresentação | Antes do voo | Durante o voo | Uma vez (pré-registro) |
| Natureza da operação | Trabalho aéreo em área definida | Rota (contingência) | Rota regular recorrente |
| Frequência de uso | Eventual | Contingência | Recorrente |
| Perfil do usuário | Trabalho aéreo, agrícola, aerolevantamento | Qualquer piloto (emergencial) | Companhias, táxi aéreo |
| Campos do plano | Plano + área de trabalho (RMK/) | Essenciais (via rádio) | PVC completo + recorrência |
| Entrada em vigor | Apresentação ao órgão AIS | Autorização ATC em voo | Entre as datas dos campos I e J (ICA 100-11 §4.2.2) |
| Cancelamento | Mensagem CHG/CNL ao AIS | N/A | Mensagem CHG/CNL individual |
Na prática, a maioria dos pilotos de aviação geral utilizará o PVC ou PVS como plano padrão, recorrendo ao PVZ nas operações de trabalho aéreo sobre uma área definida e ao AFIL apenas em contingências genuínas. O RPL é relevante principalmente para operadores comerciais com malha regular.
Recomendação
Como acessar no AeroCopilot
O AeroCopilot integra os planos especiais na mesma interface de criação de planos de voo, organizando as opções de forma intuitiva para que o piloto encontre rapidamente o tipo adequado à sua necessidade.
Acesse a área de planos especiais
No menu lateral, navegue até Planos de Voo e clique em Novo Plano. Na tela de seleção de tipo, além das opções PVC e PVS, você encontra a seção Planos Especiais com as opções PVZ, AFIL e RPL.
Cada opção inclui uma breve descrição do cenário de uso, facilitando a escolha para pilotos que não estão familiarizados com as modalidades especiais.
Selecione o tipo desejado
Ao selecionar o tipo, o wizard se adapta automaticamente:
- PVZ: Abre o wizard com os campos do plano e a delimitação da área de trabalho (círculo, polígono ou faixa). O contexto da operação é registrado no campo RMK/ do Item 18.
- AFIL: Apresenta um formulário compacto com os dados essenciais para transmissão por rádio: posição atual, nível, destino, rota resumida, autonomia e pessoas a bordo. Ao final, gera a mensagem formatada para comunicação.
- RPL: Abre o wizard do PVC completo com campos adicionais para configuração de recorrência: dias da semana, período de validade, número do voo e operador.
Preencha os campos específicos
Cada tipo possui campos ou comportamentos adicionais:
- PVZ: Preencha os campos do plano e delimite a área de operação. Descreva a natureza do trabalho aéreo (aerolevantamento, agrícola, fotografia, inspeção) no campo RMK/ do Item 18.
- AFIL: Informe sua posição atual (coordenadas ou referência a waypoint próximo), nível de voo, novo destino e rota pretendida. O AeroCopilot calcula automaticamente a distância restante e o tempo estimado.
- RPL: Além dos dados do PVC, configure os dias de operação (1=segunda a 7=domingo), as datas de início e fim de validade e os dados do operador. O sistema confere que início, fim e dias de operação estão preenchidos e avisa quando a data de início não respeita a antecedência mínima de 10 dias do §4.4.
Valide e submeta
O AeroCopilot aplica validações específicas conforme o tipo:
- PVZ: O sistema valida a delimitação da área de trabalho e confirma que todos os campos obrigatórios estão completos.
- AFIL: Gera a mensagem formatada no protocolo padrão de comunicação rádio. O piloto pode copiar a mensagem e utilizá-la como referência durante a transmissão ao ATC.
- RPL: Valida recorrência, período e gera o formulário de registro no formato exigido pelo DECEA. O RPL é apresentado ao CGNA (ICA 100-11 §4.2.1) para processamento e distribuição das listagens aos ACC envolvidos (§4.3.1).
Gerenciamento de planos ativos
Regulamentação aplicável
Os planos de voo especiais são regidos por um conjunto de normas nacionais e internacionais. O piloto e o operador devem estar familiarizados com as seguintes publicações:
Normas DECEA
- ICA 100-12 (Regras do Ar): Capítulo 3 trata das condições de apresentação de planos de voo, incluindo PVZ, AFIL e RPL. Define quando cada tipo é obrigatório ou facultativo.
- ICA 100-11 e MCA 100-11 (Formato e Preenchimento): Detalham o formato das mensagens, os campos por Item ICAO e os procedimentos de apresentação de cada modalidade.
- AIP Brasil ENR 1.10: Seção sobre planos de voo que detalha os procedimentos brasileiros específicos, incluindo prazos e restrições locais.
Normas ICAO
- Doc 4444 (PANS-ATM): Capítulo 4 define o formato padrão do plano de voo ICAO e as condições para apresentação de planos em rota (AFIL) e planos repetitivos (RPL).
- Anexo 2 (Rules of the Air): Estabelece as regras gerais de apresentação de planos de voo aplicáveis a todos os estados membros da ICAO.
- Doc 7030 (Procedimentos Suplementares): Contém procedimentos regionais que complementam as normas ICAO, incluindo especificidades da região SAM (América do Sul).
Prazos importantes
| Tipo | Antecedência mínima | Prazo de cancelamento | Validade |
|---|---|---|---|
| PVS | 10 min antes da EOBT (ICA 100-11 §5.2.2) | Até 35 min além da EOBT | Mesma data do voo |
| PVC | 30 min antes da EOBT pela internet (ICA 100-11 §3.1.3 b) | Mensagem CNL ao órgão AIS | Conforme o plano |
| PVZ (preset de zona) | Herdada do tipo gravado — ver as duas linhas acima | Herdado do tipo gravado | Herdada do tipo gravado |
| AFIL | N/A (em rota) | N/A | Voo em curso |
| RPL | 10 dias antes do início de cada período de vigência, ao CGNA (ICA 100-11 §4.4; os períodos são os do §4.5) | Mensagem CNL, CHG ou DLA até 35 min além da EOBT (ICA 100-11 §4.6.1) | Do campo I ao campo J do formulário (ICA 100-11 §4.2.2) |
Responsabilidade do piloto
Perguntas Frequentes
- O que é o Plano de Voo de Zona (PVZ)?
- O PVZ (Plano de Voo de Zona) é o plano apresentado para operações de trabalho aéreo realizadas dentro de uma área geográfica definida -- um círculo, polígono ou faixa em coordenadas -- em vez de uma rota convencional de ponto a ponto. É a modalidade usada em aerolevantamento, fotografia e filmagem aéreas, inspeção de linhas e dutos, publicidade aérea e operações agrícolas.
- Em quais situações o PVZ é utilizado?
- O PVZ é indicado quando o voo não segue uma rota entre dois aeródromos, mas cobre uma área de trabalho delimitada: aerolevantamento e cartografia, fotografia e filmagem aéreas, pulverização e outras operações agrícolas, inspeção de linhas de transmissão e dutos, e publicidade aérea. O contexto do trabalho aéreo é descrito no campo RMK/ do Item 18 -- o STS/ é uma lista fechada da OACI e não inclui trabalho aéreo.
- Como funciona o AFIL (Airborne Filing)?
- O AFIL permite apresentar um plano de voo quando a aeronave já está em voo. O piloto contata o órgão ATC por rádio, fornece os dados do plano e recebe uma autorização condicional. O AFIL é aceito apenas em situações específicas e não substitui o planejamento pré-voo. É um recurso de contingência, não uma prática regular.
- Quando posso usar o AFIL?
- O AFIL é aceito em situações como: desvio de rota por meteorologia que exige novo destino, necessidade de cruzar espaço aéreo controlado não previsto originalmente, mudança de regra de voo (VFR para IFR) em rota, e emergências que exigem redirecionamento. O órgão ATC pode recusar o AFIL se a situação de tráfego não permitir.
- O que é o RPL (Repetitive Flight Plan)?
- O RPL é um plano de voo repetitivo para voos regulares que operam a mesma rota em dias e horários preestabelecidos. Em vez de apresentar um novo plano para cada voo, o operador apresenta o RPL uma única vez ao CGNA, e ele entra em vigor nos ACC envolvidos entre as datas declaradas nos campos I e J do formulário, nos dias de operação do campo K (ICA 100-11 §4.2.1, §4.2.2 e Anexo D). É amplamente utilizado por companhias aéreas e operadores de táxi aéreo com rotas fixas.
- Posso cancelar um voo coberto pelo RPL?
- Sim. As mensagens de modificação, atraso e cancelamento de um voo de uma série prevista em RPL devem ser apresentadas até 35 (trinta e cinco) minutos além da EOBT (ICA 100-11 §4.6.1) — o prazo corre até depois da EOBT, não antes dela. Depois de o voo receber autorização ATC, a alteração não cabe mais em mensagem CNL, CHG ou DLA: deve ser submetida por radiotelefonia diretamente ao órgão ATC responsável pelo voo (§4.6.2). Se o voo for cancelado e substituído por um Plano de Voo Completo, a mensagem CNL segue com prioridade DD ao ACC responsável pelo início do voo, seguida da mensagem FPL substituta (§4.8.2). O AeroCopilot permite cancelar voos individuais do RPL diretamente na interface.
- O AeroCopilot suporta todos os tipos de planos especiais?
- O AeroCopilot oferece suporte para consulta e referência de PVZ, AFIL e RPL. O wizard de PVZ permite preparar o plano de trabalho aéreo com a área de operação. Para AFIL, o sistema gera o formato de mensagem adequado para transmissão por rádio. Para RPL, a interface permite configurar a recorrência e gerenciar cancelamentos individuais.
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