No Brasil, três códigos de transponder têm significado reservado: 7500 indica interferência ilícita (o apoderamento da aeronave, por exemplo), 7600 indica falha de comunicações e 7700 indica emergência. O piloto os seleciona no Modo A quando está nessa situação, conforme o Art. 877 da ICA 100-37. Antes de receber código do órgão ATC, o transponder fica em 2000.
Neste artigo
- O que é um código de transponder?
- O que diz a norma brasileira sobre 7500, 7600 e 7700?
- Quando o piloto seleciona 7700?
- Quando o piloto seleciona 7600?
- Quando o piloto seleciona 7500?
- Que código usar antes de falar com o controle?
- Quais cuidados evitam um código errado?
- Perguntas frequentes
- Fontes e referências
O que é um código de transponder?
O transponder é o equipamento de bordo que responde às interrogações do radar secundário de vigilância (SSR, na sigla usada pela ICA 100-12). Cada resposta leva um código de quatro dígitos que aparece na tela do controlador ao lado do alvo da aeronave.
Definição: código de transponder é o número de quatro dígitos, cada um de 0 a 7, que o piloto seleciona no equipamento para identificar a aeronave ao controle. Os códigos 7500, 7600 e 7700 não identificam uma aeronave: eles comunicam uma situação.
Na rotina, o órgão ATC atribui um código individual ao voo ("PT APG, acione 4455") e o piloto o coteja. Os três códigos especiais funcionam ao contrário: é o piloto quem os seleciona, sem esperar instrução, porque a situação que eles descrevem pode impedir justamente a conversa pelo rádio.
O assunto conversa com o uso das frequências. Se você quer revisar em que canal chamar cada órgão, o nosso guia de frequências aeronáuticas no Brasil reúne as frequências de emergência e de coordenação.
O que diz a norma brasileira sobre 7500, 7600 e 7700?
A regra geral está na ICA 100-37 (Serviços de Tráfego Aéreo), em vigor desde 27/11/2025. O texto do Art. 877:
"As aeronaves que dispuserem de equipamento transponder em funcionamento, quando em voo, deverão mantê-lo acionado durante todo o tempo, independentemente de se encontrarem em espaço aéreo com cobertura de radar secundário, e deverão selecionar seus equipamentos no Modo A da seguinte forma: I - código 2000: antes de receber instruções do órgão ATC; II - código 7500: sob interferência ilícita; III - código 7600: com falhas de comunicações; e IV - código 7700: em emergência."
Duas coisas saem desse artigo e costumam passar despercebidas:
- O transponder fica ligado o voo inteiro, mesmo fora da cobertura do radar secundário. Não existe "desligar porque ninguém está vendo".
- Os códigos especiais se selecionam no Modo A. É nele que o artigo manda o piloto registrar cada situação.
| Código | Situação (ICA 100-37, Art. 877) | Quem decide selecionar |
|---|---|---|
| 2000 | antes de receber instruções do órgão ATC | o piloto |
| 7500 | sob interferência ilícita | o piloto |
| 7600 | com falhas de comunicações | o piloto |
| 7700 | em emergência | o piloto, ou o controle pode instruir |
Quando o piloto seleciona 7700?
O 7700 é o código de emergência (Art. 877, IV, da ICA 100-37). Ele serve para qualquer situação em que a segurança da aeronave ou de quem está a bordo esteja comprometida: pane de motor, fogo, pane elétrica séria, incapacitação, entre outras. Ele não substitui a chamada de socorro no rádio; os dois se somam.
Entre os casos em que a norma cita o código explicitamente, estão estes:
- Por instrução do controle. O MCA 100-16 (fraseologia), no Art. 161, traz a frase "PT SLB, acione emergência (ou 7700)", em inglês "squawk mayday". Se o controlador pedir, selecione e colacione.
- Na interceptação. O Anexo III da ICA 100-12 manda a aeronave interceptada, "se equipada com transponder, selecionar o código 7700, no modo 3/A, salvo instruções em contrário do órgão ATS apropriado", e, se tiver ADS-B ou ADS-C, selecionar a função de emergência.
- Na descida de emergência. A ICA 100-37, no Art. 122, III, manda o piloto "inserir o código 7700 no transponder".
Para o procedimento completo de cada pane, o post emergências em voo no monomotor detalha as listas de verificação.
Quando o piloto seleciona 7600?
O 7600 é o código de falha de comunicações (Art. 877, III, da ICA 100-37). A ICA 100-12 repete a obrigação no Art. 93: quando a aeronave não puder estabelecer comunicação por falha no equipamento de bordo, "selecionará, se estiver equipada para tal, o apropriado código transponder para indicar falha de comunicação".
O código não resolve o voo; ele avisa o controle de que você está sem rádio e vai seguir o procedimento previsto. O procedimento depende das condições:
- Em condições visuais (VMC): o Art. 95, I, da ICA 100-12 manda prosseguir em VMC, pousar no aeródromo adequado mais próximo e informar o pouso ao órgão ATS pelo meio mais rápido.
- Em condições por instrumentos (IMC), até 31 de dezembro de 2026, exceto na FIR Atlântico: vale o Art. 96 da ICA 100-12, que manda manter nível, velocidade e rota conforme o Plano de Voo em Vigor e seguir as etapas de descida e aproximação ali descritas.
- A partir de 1º de janeiro de 2027 (Portaria DECEA/DNOR1 nº 1.536, Art. 3º, I): vale o Art. 97. Em espaço aéreo com radar, a aeronave mantém a última velocidade e nível atribuídos, ou a altitude mínima de voo se for mais alta, por um período de 7 minutos contados do mais tardio entre três eventos, e um deles é "o momento em que o código transponder 7600 for acionado".
Repare no detalhe do Art. 97: quando ele entrar em vigor, o instante em que você seleciona 7600 passa a contar como marco do procedimento. A partir de 2027, selecionar cedo, assim que a falha se confirma, é parte da regra. Até lá, selecionar cedo continua sendo a boa prática, porque avisa o controle da falha.
Se o rádio voltar, o controle pode reatribuir um código comum. A fraseologia do MCA 100-16 (Art. 177) traz o exemplo "PT ADS, recebido código 7600, acione 4210".
A falha de rádio também tem fraseologia própria: a ICA 100-12 (Arts. 90 e 91) descreve a transmissão às cegas, repetida duas vezes, para o caso de o transmissor ainda funcionar. Para treinar as chamadas de rádio de rotina e de emergência, use a nossa página de estudos de fraseologia aeronáutica.
Quando o piloto seleciona 7500?
O 7500 indica que a aeronave está sob interferência ilícita (Art. 877, II, da ICA 100-37). O glossário do DECEA (MCA 100-27, Anexo III, no verbete que ele grafa ATO DE INTERFERÊNCIA LÍCITA CONTRA A AVIAÇÃO CIVIL) define ato de interferência ilícita como "ato ou atentado que compromete a segurança da aviação civil e o transporte aéreo" e lista, entre outros, o apoderamento de aeronave, a manutenção de refém a bordo e, no último item, o próprio "acionamento do código transponder 7500".
Esse último item muda a forma de enxergar o código: selecionar 7500 já é, pela definição, um ato de interferência ilícita. Por isso ele nunca se seleciona por teste ou por engano.
O que a ICA 100-12 pede da tripulação nessa situação:
- Art. 99: fazer o possível para notificar o fato ao órgão ATS apropriado, com as circunstâncias significativas e qualquer desvio do Plano de Voo em vigor.
- Art. 100: pousar o mais rápido possível no aeródromo apropriado mais próximo ou no designado pela autoridade competente, a menos que a situação a bordo determine outra forma de proceder.
- Anexo VI: se não houver como notificar o órgão ATS, tentar manter a trajetória e o nível de cruzeiro designados e usar o transponder e os enlaces de dados "quando for vantajoso e as circunstâncias permitirem".
Do lado do controle, a ICA 100-37 (Art. 807, IV) inicia a Fase de Alerta quando se souber ou se suspeitar que uma aeronave esteja sendo objeto de interferência ilícita.
Que código usar antes de falar com o controle?
Antes de receber instruções do órgão ATC, o código é 2000 (Art. 877, I, da ICA 100-37). Depois, vale o código que o controle atribuir.
A fraseologia do MCA 100-16 traz as instruções que você vai ouvir sobre o transponder (Art. 161):
| Instrução em português | Em inglês | O que fazer |
|---|---|---|
| "acione 4455" | "squawk 4455" | selecionar o código e colacionar |
| "acione modo Charlie" | "squawk Charlie" | ligar o envio de altitude |
| "acione emergência (ou 7700)" | "squawk mayday" | selecionar 7700 |
| "desligue transponder" | "stop squawk" | desligar |
O código SSR está entre os dados que o Art. 12 do MCA 100-16 manda cotejar. Colacionar o código é o que permite ao controle perceber um dígito trocado antes que ele vire confusão na tela.
Quais cuidados evitam um código errado?
Os erros que mais aparecem na instrução têm a mesma raiz: tratar o código especial como detalhe. Uma lista prática:
- Na troca de código, cuidado com o caminho dos seletores. Em equipamentos de botões giratórios, girar dígito por dígito pode fazer o transponder passar por 7500, 7600 ou 7700 no meio da troca. Planeje a ordem dos dígitos.
- Não "teste" 7500. Pela definição do MCA 100-27, o acionamento do código já é um ato de interferência ilícita.
- Selecione 7600 assim que confirmar a falha, sem esperar. A partir de 1º de janeiro de 2027, quando o Art. 97 da ICA 100-12 entra em vigor, o instante do acionamento conta como marco do procedimento.
- 7700 não dispensa o rádio. Se há comunicação, declare a emergência na frequência em uso; o código e a chamada se completam.
- Mantenha o transponder ligado o voo inteiro, como exige o Art. 877 da ICA 100-37, mesmo em área sem cobertura de radar.
Quais classes de espaço aéreo exigem transponder, e em que modo, é outra pergunta: ela está respondida no post sobre classes do espaço aéreo brasileiro. A fraseologia completa de emergência (MAYDAY e PAN PAN) está no guia completo de fraseologia aeronáutica.
Perguntas frequentes
O que significa o código 7700 no transponder?
Emergência. A ICA 100-37, no Art. 877, IV, manda selecionar 7700 no Modo A quando a aeronave estiver em emergência. O controle também pode instruir "acione emergência (ou 7700)".
O que significa o código 7600?
Falha de comunicações. O piloto seleciona 7600 quando não consegue se comunicar por pane no equipamento de bordo (ICA 100-37, Art. 877, III, e ICA 100-12, Art. 93) e segue o procedimento de falha de comunicação da ICA 100-12.
O que significa o código 7500?
Interferência ilícita, como o apoderamento da aeronave (ICA 100-37, Art. 877, II). O glossário do DECEA inclui o próprio acionamento do código 7500 na lista de atos de interferência ilícita.
Qual código usar antes de contatar o controle?
O código 2000, que a ICA 100-37 (Art. 877, I) manda usar antes de receber instruções do órgão ATC. Depois, vale o código atribuído pelo controle.
Posso desligar o transponder quando estou fora da cobertura de radar?
Não. O Art. 877 da ICA 100-37 manda manter o transponder em funcionamento acionado durante todo o voo, independentemente de haver cobertura de radar secundário.
Na interceptação, qual código devo selecionar?
O 7700, no modo 3/A, salvo instruções em contrário do órgão ATS, conforme o Anexo III da ICA 100-12. Com ADS-B ou ADS-C, selecione também a função de emergência, se disponível.
Se o rádio voltar depois de eu selecionar 7600, o que acontece?
O controle retoma as instruções e pode atribuir um novo código. A fraseologia do MCA 100-16 (Art. 177) traz o exemplo "recebido código 7600, acione 4210".
Fontes e referências
- ICA 100-37, Serviços de Tráfego Aéreo (DECEA), vigência 27/11/2025: Arts. 122, 807 e 877. Portal de publicações do DECEA: https://publicacoes.decea.mil.br
- ICA 100-12, Regras do Ar (DECEA), edição 2024: Arts. 93, 95, 96, 97, 99 e 100, Anexo III (Interceptação) e Anexo VI (Interferência ilícita).
- MCA 100-16, Fraseologia de Tráfego Aéreo (DECEA), edição 2025: Arts. 12, 161 e 177.
- MCA 100-27, Glossário ATM (DECEA), edição 2025: Anexo III, verbete ATO DE INTERFERÊNCIA LÍCITA CONTRA A AVIAÇÃO CIVIL (assim grafado no glossário).
Treinar a reação a esses três códigos é parte da preparação de todo voo. Na Central de Estudos do AeroCopilot você revisa a fraseologia e as regras de tráfego aéreo antes da próxima decolagem.