Como Ler uma Carta de Aproximação (IAC): Guia Visual
Aprenda a ler cartas de aproximação IAC passo a passo. Plant view, profile view, mínimos, arremetida e exemplos reais de SBGR e SBRJ.
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Perguntas Frequentes
Qual a diferença entre DA e MDA?
A DA (Decision Altitude) é utilizada em procedimentos de precisão (ILS, LPV) e marca o ponto de decisão instantâneo: o piloto continua para pouso ou arremete. A MDA (Minimum Descent Altitude) é utilizada em procedimentos de não precisão (VOR, NDB, RNAV LNAV) e representa a altitude mínima de descida, onde o piloto nivela e busca referência visual até o MAPt.
O que significa OCH na carta IAC?
OCH (Obstacle Clearance Height) é a altura mínima acima da cabeceira da pista (ou elevação do aeródromo para circling) que garante separação vertical sobre obstáculos. A OCH é usada para calcular a DA ou MDA, mas é apresentada como referência complementar na tabela de mínimos.
Posso usar uma carta IAC vencida?
Não. Cartas IAC devem corresponder ao ciclo AIRAC vigente. Cartas vencidas podem conter informações incorretas sobre frequências, mínimos, obstáculos ou cursos. O uso de carta vencida é considerado uma não conformidade operacional.
O que é o FAF e o FAP?
O FAF (Final Approach Fix) é o fixo que marca o início do segmento de aproximação final em procedimentos de não precisão. O FAP (Final Approach Point) é o ponto equivalente em procedimentos de precisão, definido pela interseção da altitude de interceptação do glide slope com o curso localizer.
Como sei em qual categoria minha aeronave se enquadra?
A categoria é determinada pela Vat (velocidade de aproximação na configuração de pouso no peso máximo de pouso certificado), que equivale a 1,3 x Vso. Exemplo: se a Vso é 55 kt, Vat = 71,5 kt, correspondendo à Categoria A (menos de 91 kt).
O que fazer se não adquirir referência visual na DA/MDA?
Executar imediatamente o procedimento de arremetida publicado na carta. Descer abaixo da DA ou MDA sem referência visual é proibido e extremamente perigoso. O procedimento de arremetida garante separação de obstáculos durante a subida.
O que é circling e quando posso executá-lo?
Circling é uma manobra visual de circuito para pousar em uma pista diferente daquela utilizada na aproximação por instrumentos. Só pode ser executado se: os mínimos de circling estiverem publicados, as condições meteorológicas permitirem manter referência visual, e a aeronave permanecer dentro do raio protegido da sua categoria.
As cartas IAC são iguais em todo o mundo?
As cartas IAC seguem o padrão ICAO (Anexo 4), mas cada Estado pode ter adaptações. As cartas brasileiras do DECEA possuem layout próprio, embora respeitem a estrutura fundamental ICAO. Pilotos que operam internacionalmente devem familiarizar-se com as diferenças de apresentação de cada Estado.
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A carta de aproximação por instrumentos (IAC — Instrument Approach Chart) é o documento que guia o piloto desde a fase de chegada até a pista ou o ponto de arremetida. Saber interpretar cada seção dessa carta é fundamental para qualquer piloto IFR. Este guia detalha todas as áreas de uma IAC, desde a planta (plan view) até o perfil (profile view), passando pela tabela de mínimos, procedimento de arremetida e exemplos reais de aeródromos brasileiros como SBGR e SBRJ.
A carta de aproximação por instrumentos (IAC) é publicada pelo DECEA como parte da documentação AIP Brasil e define o procedimento que uma aeronave deve seguir para realizar uma aproximação por instrumentos a um aeródromo específico. Cada pista com procedimento IFR publicado possui pelo menos uma carta IAC correspondente.
O acrônimo IAC vem do inglês Instrument Approach Chart. No Brasil, essas cartas são produzidas pela Subdivisão de Cartografia Aeronáutica do DECEA, seguindo padrões ICAO definidos no Anexo 4 (Cartas Aeronáuticas) e no Doc 8168 (PANS-OPS — Procedimentos para Serviços de Navegação Aérea — Operações de Aeronaves).
Definição: A carta IAC (Instrument Approach Chart) é a representação gráfica e tabular de um procedimento de aproximação por instrumentos, contendo a trajetória horizontal (planta), a trajetória vertical (perfil), os mínimos operacionais e o procedimento de arremetida para uma pista ou aeródromo específico.
As cartas IAC são fundamentais em qualquer operação IFR. Sem a leitura correta dessas cartas, o piloto não consegue determinar as altitudes de segurança, os mínimos de pouso ou a trajetória de arremetida. Mesmo pilotos que operam predominantemente VFR devem compreender as cartas IAC, pois elas contêm informações sobre espaços aéreos controlados, obstáculos e frequências que afetam todos os tipos de voo. O entendimento correto das cartas IAC complementa o conhecimento sobre os , uma vez que a transição entre setores de controle é representada diretamente nesses documentos.
As cartas IAC oficiais brasileiras estão disponíveis no portal AIS Brasil (AISWEB) do DECEA. Elas também são distribuídas via AIP Brasil e podem ser acessadas em formato digital por meio de aplicativos de navegação como o AeroCopilot. As cartas são atualizadas a cada ciclo AIRAC (28 dias), e o piloto deve sempre verificar se está utilizando a versão vigente.
Quando utilizar uma carta IAC
A carta IAC é utilizada sempre que a aeronave realiza uma aproximação por instrumentos, seja em condições meteorológicas de instrumento (IMC) ou mesmo em condições VMC quando a aproximação IFR está sendo executada. O piloto deve briefar a carta antes do início da descida, revisando mínimos, altitudes de segurança e procedimento de arremetida.
Estrutura geral de uma carta IAC
Toda carta IAC brasileira segue um layout padronizado com áreas bem definidas. Compreender essa estrutura é o primeiro passo para uma leitura eficiente. As cartas IAC do DECEA possuem as seguintes seções principais:
Cabeçalho da carta
O cabeçalho contém o nome do aeródromo, o indicativo ICAO (por exemplo, SBGR), o tipo de procedimento (ILS, VOR, NDB, RNAV), a pista associada (por exemplo, RWY 09R) e a data de vigência. No canto superior direito, geralmente aparece o número de identificação da carta e a indicação de emenda (AMDT).
As cartas IAC utilizam simbologia definida pelo ICAO e adaptada pelo DECEA. Os principais símbolos incluem triângulos para fixos de posição, estrelas de vários vértices para auxílios de navegação (VOR, NDB), setas de curso para a trajetória de aproximação final, e padrões de hachura para áreas de terreno elevado. O piloto deve familiarizar-se com a legenda DECEA (ICA 100-3) para interpretar corretamente todos os elementos gráficos.
Como ler a planta (plan view)
A planta (plan view) é a representação horizontal do procedimento de aproximação, vista de cima. Ela mostra a trajetória que a aeronave deve seguir desde o setor de chegada até a aproximação final, incluindo fixos, auxílios à navegação, cursos, distâncias e áreas de proteção.
Elementos da planta
Na planta de uma carta IAC típica, o piloto encontrará os seguintes elementos:
Elemento
Representação
Significado
Curso de aproximação final
Seta com valor em graus
Rumo magnético do segmento final
Fixo de aproximação final (FAF)
Cruz de Malta
Ponto de início do segmento final (não precisão)
Fixo de aproximação intermediária (IF)
Triângulo
Início do segmento intermediário
Ponto de verificação (stepdown fix)
Triângulo com altitude
Ponto de descida autorizada
Radioauxílio (VOR, NDB)
Símbolo específico
Fonte de orientação do procedimento
Circuito de espera
Oval com fixo
Padrão de espera publicado
Obstáculo mais elevado
Ponto com altitude MSL
Elevação do obstáculo em pés
Área de terreno (MSA)
Setores com altitude mínima
Altitude mínima de segurança do setor
MSA — Minimum Sector Altitude
O MSA (Minimum Sector Altitude) aparece frequentemente em um diagrama circular segmentado na planta. Cada setor indica a altitude mínima que garante separação vertical de 1.000 pés sobre obstáculos dentro de um raio de 25 NM ao redor do auxílio de referência do procedimento. O MSA é utilizado apenas para navegação de emergência e não deve ser confundido com as altitudes do procedimento publicado.
Cursos e distâncias
As distâncias na planta são indicadas em milhas náuticas (NM) e os cursos em graus magnéticos. A trajetória de aproximação final é representada por uma seta espessa indicando o curso final. Segmentos de reversão (procedure turn) ou arcos DME são representados conforme a simbologia padrão. O piloto deve prestar atenção especial à distância entre o FAF e a cabeceira da pista, pois essa distância define o tempo de aproximação para categorias que utilizam cronômetro.
Setores de entrada
Em procedimentos que incluem um circuito de espera ou uma reversão, a planta pode indicar os setores de entrada recomendados. Os três setores clássicos (direto, paralelo e defasado) são definidos pela direção de chegada ao fixo em relação ao curso de entrada no circuito.
Como ler o perfil (profile view)
O perfil (profile view) é a representação vertical do procedimento, mostrando a trajetória de descida da aeronave desde o segmento de aproximação inicial até a pista. Ele complementa a planta, fornecendo as altitudes e gradientes de descida.
Segmentos do perfil
O procedimento de aproximação por instrumentos é dividido em segmentos padrão:
Segmento
Inglês
Início
Fim
Aproximação inicial
Initial approach
IAF
IF
Aproximação intermediária
Intermediate approach
IF
FAF/FAP
Aproximação final
Final approach
FAF/FAP
MAPt
Arremetida
Missed approach
MAPt
Fixo de espera
Definição: O FAF (Final Approach Fix) é o fixo que marca o início do segmento de aproximação final em procedimentos de não precisão. Em procedimentos de precisão (ILS), utiliza-se o FAP (Final Approach Point), que é a interseção da altitude de interceptação do glide slope com o curso de aproximação final.
Altitudes no perfil
No perfil, as altitudes aparecem de diversas formas:
Altitude mínima (com linha abaixo): altitude mínima permitida no segmento, indicada com a palavra "MIN" ou uma linha abaixo do valor.
Altitude obrigatória (com linha acima e abaixo): a aeronave deve cruzar o fixo exatamente nessa altitude.
Altitude máxima (com linha acima): altitude máxima permitida, geralmente para separação com outros procedimentos.
Glide slope e VGSI
Em procedimentos ILS, o perfil mostra o ângulo do glide slope (normalmente 3,0°) e a altitude de interceptação. Procedimentos RNAV com LPV também indicam o ângulo de descida vertical. Para aproximações visuais ou circling, pode haver indicação de VGSI (Visual Glide Slope Indicator), como o PAPI ou VASIS, na lateral da pista.
Gradiente de descida
O perfil pode indicar o gradiente de descida em pés por milha náutica. O gradiente padrão de 3° equivale a aproximadamente 318 pés por NM. Gradientes superiores a 3,5° são considerados não padronizados e devem ser objeto de atenção especial. A tabela abaixo mostra a relação entre ângulo de descida e razão de descida para diferentes velocidades de aproximação:
Ângulo de descida
Gradiente (ft/NM)
Razão de descida a 90 kt
Razão de descida a 120 kt
Razão de descida a 140 kt
2,5°
265
398 fpm
530 fpm
618 fpm
3,0°
318
477 fpm
636 fpm
742 fpm
3,5°
371
557 fpm
742 fpm
866 fpm
4,0°
424
636 fpm
848 fpm
989 fpm
Tabela de mínimos: DA, MDA, OCH e RVR
A tabela de mínimos é a seção mais crítica da carta IAC, pois define as condições mínimas em que o piloto pode continuar a aproximação e pousar. Compreender cada valor desta tabela é essencial para a segurança do voo.
DA — Decision Altitude
A DA (Decision Altitude) é utilizada em procedimentos de precisão (ILS, GLS) e procedimentos APV (RNAV com LPV). Na DA, o piloto deve decidir se continua o pouso (tendo adquirido as referências visuais requeridas) ou se executa a arremetida. A DA é expressa em pés acima do nível médio do mar (MSL).
MDA — Minimum Descent Altitude
A MDA (Minimum Descent Altitude) é utilizada em procedimentos de não precisão (VOR, NDB, RNAV LNAV, LOC). Diferentemente da DA, na MDA o piloto nivela a aeronave e mantém a altitude até adquirir as referências visuais ou até o MAPt (Missed Approach Point), onde deve arremeter. A MDA também é expressa em MSL.
OCH — Obstacle Clearance Height
A OCH (Obstacle Clearance Height) é a altura acima da elevação da cabeceira da pista (ou do aeródromo para procedimentos circling) que garante separação vertical sobre obstáculos no segmento de aproximação final e na área de arremetida. A OCH é a base para o cálculo da DA ou MDA.
RVR e VIS
A RVR (Runway Visual Range) é a distância horizontal em que o piloto pode ver as luzes ou marcações da pista. É medida por transmissômetros instalados na pista. A VIS (Visibility) é a visibilidade meteorológica geral, usada quando a RVR não está disponível. A tabela de mínimos indica o valor requerido de RVR ou VIS para cada categoria de aeronave.
Exemplo de tabela de mínimos
Categoria
DA (ft MSL)
OCH (ft)
RVR (m)
VIS (m)
A
680
200
550
800
B
680
200
550
800
C
680
200
600
1200
D
680
200
750
1600
E
730
250
900
2400
Mínimos para circling
Quando o procedimento permite circling (manobra visual para pousar em uma pista diferente daquela utilizada na aproximação), a tabela apresenta mínimos específicos mais elevados. Os mínimos de circling levam em conta a necessidade de manter referência visual durante toda a manobra.
Categoria
MDA circling (ft MSL)
VIS circling (m)
Raio da manobra (NM)
A
780
1600
1,68
B
780
1600
2,66
C
880
2400
4,20
D
980
3600
5,28
E
1080
4900
6,94
Procedimento de arremetida (missed approach)
O procedimento de arremetida (missed approach) define a trajetória que a aeronave deve seguir quando o piloto decide não completar o pouso. A arremetida pode ser iniciada na DA (precisão) ou no MAPt (não precisão) e consiste em uma sequência de instruções de proa, altitude e fixo de espera.
Elementos do procedimento de arremetida
A arremetida é descrita tanto de forma textual quanto gráfica na carta IAC. O texto aparece geralmente na área inferior da carta e inclui instruções como: "Suba em curso 093° até 3.000 ft, curve à direita para 270° e proceda até o VOR CGN, mantenha 4.000 ft em espera."
Trajetória de arremetida
A trajetória de arremetida pode ser:
Reta: manter o curso de aproximação final subindo até uma altitude especificada.
Com curva: após atingir uma altitude mínima de curva, virar para um curso diferente.
Para um fixo de espera: a arremetida termina em um circuito de espera sobre um fixo designado.
Gradiente de subida na arremetida
O procedimento de arremetida padrão assume um gradiente de subida de 2,5% (152 ft/NM). Se o procedimento requer um gradiente superior ao padrão, isso é indicado nas notas da carta. Aeronaves que não conseguem atender ao gradiente publicado não podem utilizar o procedimento.
Gradiente requerido
ft/NM
Razão de subida a 90 kt
Razão de subida a 120 kt
2,5% (padrão)
152
228 fpm
304 fpm
3,3%
200
300 fpm
400 fpm
4,0%
243
365 fpm
486 fpm
5,0%
304
456 fpm
608 fpm
Definição: O MAPt (Missed Approach Point) é o ponto no qual o piloto deve iniciar a arremetida caso não tenha adquirido as referências visuais requeridas. Em procedimentos de precisão, o MAPt coincide com a DA. Em procedimentos de não precisão, pode ser definido por um fixo, uma distância DME ou um tempo cronometrado a partir do FAF.
Categorias de aeronave e velocidades de aproximação
A tabela de mínimos da carta IAC apresenta valores diferentes para cada categoria de aeronave. As categorias (A, B, C, D e E) são definidas pela velocidade de aproximação na configuração de pouso (Vat), que corresponde a 1,3 vezes a velocidade de estol na configuração de pouso no peso máximo de pouso certificado.
Tabela de categorias de aeronave ICAO
Categoria
Velocidade Vat (kt)
Exemplos de aeronaves
A
Menos de 91 kt
Cessna 172, PA-28, Embraer Ipanema
B
91 a 120 kt
King Air, Embraer Phenom 100, Bandeirante
C
121 a 140 kt
Boeing 737, Airbus A320, Embraer E-175
D
141 a 165 kt
Boeing 777, Airbus A340, Boeing 767
E
166 a 210 kt
Aeronaves militares de alta performance
Impacto da categoria nos mínimos
Categorias superiores requerem mínimos mais elevados (maior RVR, maior DA/MDA) porque aeronaves mais rápidas cobrem mais distância durante a transição entre referência instrumental e referência visual. Isso significa que um piloto de Cessna 172 (Categoria A) pode executar a aproximação com condições meteorológicas piores do que um piloto de Boeing 737 (Categoria C).
Velocidades de referência durante a aproximação
Cada segmento da aproximação possui velocidades máximas recomendadas por categoria:
Segmento
Cat A
Cat B
Cat C
Cat D
Cat E
Aproximação inicial
110 kt
140 kt
185 kt
210 kt
240 kt
Aproximação intermediária
90 kt
120 kt
160 kt
185 kt
230 kt
Aproximação final
70-90 kt
85-130 kt
115-160 kt
130-185 kt
155-230 kt
Circling
100 kt
135 kt
180 kt
205 kt
240 kt
Arremetida inicial
110 kt
150 kt
200 kt
230 kt
275 kt
Exemplos reais: SBGR ILS 09R e SBRJ VOR 02
Para consolidar o conhecimento teórico, vamos analisar dois procedimentos de aproximação reais de aeródromos brasileiros. Esses exemplos ilustram as diferenças entre um procedimento de precisão (ILS) e um de não precisão (VOR) em ambientes operacionais distintos.
SBGR — ILS RWY 09R (Guarulhos)
O Aeroporto Internacional de Guarulhos (SBGR) é o maior aeroporto do Brasil e possui múltiplos procedimentos de aproximação. O ILS RWY 09R é um dos procedimentos de precisão mais utilizados. Suas características principais:
Tipo: ILS (Instrument Landing System) com glide slope
Curso final: 093° magnético
Frequência ILS: consultar carta vigente
Glide slope: 3,0°
DA Cat I: publicada na tabela de mínimos (tipicamente ao redor de 680 ft MSL para as categorias principais)
FAP: interseção do glide slope com a altitude de interceptação
Arremetida: subida em curso de pista, curva conforme publicado
A planta desse procedimento mostra os fixos de transição, o curso de aproximação final alinhado com a pista 09R, os obstáculos relevantes na área de aproximação e o MSA por setor. O perfil ilustra a interceptação do glide slope, o ponto de descida final e a altitude no MAPt. A compreensão das SIDs e STARs é essencial para quem opera nesse aeródromo, pois a transição entre a chegada (STAR) e o início do procedimento IAC é o ponto de conexão entre os dois documentos.
SBRJ — VOR RWY 02 (Santos Dumont)
O Aeroporto Santos Dumont (SBRJ) no Rio de Janeiro opera em um ambiente restrito, com terreno montanhoso ao redor e proximidade com áreas densamente urbanizadas. O procedimento VOR RWY 02 é um procedimento de não precisão com características particulares:
Tipo: VOR (sem guia vertical eletrônica)
Curso final: aproximadamente 020° magnético
Auxílio: VOR do SDU
MDA: mais elevada que a DA de um ILS, devido à ausência de glide slope
MAPt: definido por distância DME ou cronômetro
Arremetida: subida conforme publicado, com atenção ao terreno
A diferença fundamental entre SBGR ILS 09R e SBRJ VOR 02 está na guia vertical. No ILS, o piloto segue o glide slope até a DA. No VOR sem VGSI, o piloto desce até a MDA usando o cronômetro ou DME para identificar o MAPt. Essa diferença resulta em mínimos operacionais significativamente mais elevados para o procedimento VOR.
Comparação de mínimos entre ILS e VOR
Parâmetro
SBGR ILS 09R (referência)
SBRJ VOR 02 (referência)
Tipo de guia vertical
Glide slope eletrônico
Nenhuma (visual/VGSI se disponível)
Mínimo vertical
DA (mais baixa)
MDA (mais alta)
Decisão do piloto
Na DA: continuar ou arremeter
Na MDA: nivelar, buscar referência visual ou arremeter no MAPt
Precisão lateral
Localizer (alta precisão)
Radial VOR (menor precisão)
RVR/VIS típica Cat C
Menor (pista com ILS)
Maior (sem glide slope)
Tipos de aproximação disponíveis no Brasil
O espaço aéreo brasileiro conta com diversos tipos de procedimentos de aproximação por instrumentos, cada um com suas características de precisão e equipamentos requeridos.
Classificação por tipo de guia
Tipo de aproximação
Guia lateral
Guia vertical
Precisão
Equipamento requerido
ILS Cat I
Localizer
Glide slope
Precisão
Receptor ILS
ILS Cat II/III
Localizer
Glide slope
Precisão
Receptor ILS + autoland
VOR
Radial VOR
Nenhuma
Não precisão
Receptor VOR
NDB
Marcação NDB
Nenhuma
Não precisão
ADF
RNAV (GNSS) LNAV
GPS/SBAS
Nenhuma
Não precisão
GPS aprovado
RNAV (GNSS) LNAV/VNAV
GPS/SBAS
Barométrica
APV
GPS + baro-VNAV
RNAV (GNSS) LPV
SBAS (WAAS equiv.)
SBAS
APV
GPS/SBAS
LOC
Localizer
Nenhuma
Não precisão
Receptor ILS
Tendência de modernização
O Brasil vem expandindo progressivamente os procedimentos RNAV (GNSS), reduzindo a dependência de auxílios convencionais como VOR e NDB. Muitos aeródromos menores que antes só possuíam procedimentos NDB agora contam com procedimentos RNAV, ampliando o acesso IFR. A ANAC e o DECEA publicam regularmente novos procedimentos RNAV a cada ciclo AIRAC.
Erros comuns na leitura de cartas IAC
A leitura incorreta de cartas IAC é uma das principais causas de incidentes em operações IFR. Conhecer os erros mais comuns ajuda o piloto a evitá-los.
Confundir DA com MDA
A DA é um ponto de decisão instantâneo: na altitude de decisão, o piloto decide. A MDA é uma altitude de nivelamento: o piloto desce até a MDA, nivela e busca referência visual. Aplicar o conceito de DA em um procedimento de não precisão (descer abaixo da MDA sem referência visual) é uma violação grave.
Não verificar a data de vigência
Cartas vencidas podem conter frequências, cursos ou mínimos desatualizados. O piloto deve sempre confirmar que a carta utilizada corresponde ao ciclo AIRAC vigente. Uma carta de aproximação desatualizada pode indicar obstáculos inexistentes ou omitir novos obstáculos.
Ignorar as notas da carta
As notas da carta podem conter informações críticas como: gradientes de subida não padrão na arremetida, restrições de horário, requisitos de equipamento especial, e procedimentos alternativos para falha de comunicação. Ignorar as notas pode levar a situações de insegurança.
Usar a categoria errada
O piloto deve verificar a Vat da sua aeronave na configuração de pouso no peso máximo de pouso e utilizar a categoria correspondente. Se a aeronave opera acima da velocidade normal de categoria (por exemplo, por peso acima do normal), o piloto deve usar a categoria imediatamente superior.
Não briefar a arremetida antes da aproximação
O briefing da arremetida deve ser realizado antes de iniciar a aproximação, não durante. O piloto deve conhecer a trajetória de arremetida, altitudes de segurança e o fixo de espera antes de atingir o FAF. O briefing pré-voo completo deve incluir sempre a revisão detalhada da carta IAC.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre DA e MDA?
A DA (Decision Altitude) é utilizada em procedimentos de precisão (ILS, LPV) e marca o ponto de decisão instantâneo: o piloto continua para pouso ou arremete. A MDA (Minimum Descent Altitude) é utilizada em procedimentos de não precisão (VOR, NDB, RNAV LNAV) e representa a altitude mínima de descida, onde o piloto nivela e busca referência visual até o MAPt.
O que significa OCH na carta IAC?
OCH (Obstacle Clearance Height) é a altura mínima acima da cabeceira da pista (ou elevação do aeródromo para circling) que garante separação vertical sobre obstáculos. A OCH é usada para calcular a DA ou MDA, mas é apresentada como referência complementar na tabela de mínimos.
Posso usar uma carta IAC vencida?
Não. Cartas IAC devem corresponder ao ciclo AIRAC vigente. Cartas vencidas podem conter informações incorretas sobre frequências, mínimos, obstáculos ou cursos. O uso de carta vencida é considerado uma não conformidade operacional.
O que é o FAF e o FAP?
O FAF (Final Approach Fix) é o fixo que marca o início do segmento de aproximação final em procedimentos de não precisão. O FAP (Final Approach Point) é o ponto equivalente em procedimentos de precisão, definido pela interseção da altitude de interceptação do glide slope com o curso localizer.
Como sei em qual categoria minha aeronave se enquadra?
A categoria é determinada pela Vat (velocidade de aproximação na configuração de pouso no peso máximo de pouso certificado), que equivale a 1,3 x Vso. Exemplo: se a Vso é 55 kt, Vat = 71,5 kt, correspondendo à Categoria A (menos de 91 kt).
O que fazer se não adquirir referência visual na DA/MDA?
Executar imediatamente o procedimento de arremetida publicado na carta. Descer abaixo da DA ou MDA sem referência visual é proibido e extremamente perigoso. O procedimento de arremetida garante separação de obstáculos durante a subida.
O que é circling e quando posso executá-lo?
Circling é uma manobra visual de circuito para pousar em uma pista diferente daquela utilizada na aproximação por instrumentos. Só pode ser executado se: os mínimos de circling estiverem publicados, as condições meteorológicas permitirem manter referência visual, e a aeronave permanecer dentro do raio protegido da sua categoria.
As cartas IAC são iguais em todo o mundo?
As cartas IAC seguem o padrão ICAO (Anexo 4), mas cada Estado pode ter adaptações. As cartas brasileiras do DECEA possuem layout próprio, embora respeitem a estrutura fundamental ICAO. Pilotos que operam internacionalmente devem familiarizar-se com as diferenças de apresentação de cada Estado.
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