A Petrobras comunicou em 1.º de abril de 2026 um reajuste de 53% a 56,26% no preço do querosene de aviação (QAV-1) para distribuidoras, variando conforme a base e a modalidade de venda. Para mitigar o impacto imediato, a estatal oferece um mecanismo de parcelamento: distribuidoras que aderirem até 6 de abril pagam 18% de aumento em abril, com o restante diluído em seis parcelas a partir de julho. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) alerta para consequências severas no setor, e analistas projetam alta de até 20% nas passagens aéreas no segundo semestre.
Neste artigo
- Detalhes do reajuste e parcelamento
- Por que o QAV subiu mais de 50%
- Impacto nas companhias aéreas brasileiras
- Efeito esperado nas passagens aéreas
- Medidas do governo e da Abear
- Contexto para aviação geral: AVGAS e custo por hora
- Perguntas frequentes
- Fontes e referências
Detalhes do reajuste e parcelamento
O aumento anunciado pela Petrobras segue a política de paridade de importação (PPI) ajustada e reflete a acumulação de defasagem nos meses anteriores. A estrutura do reajuste:
| Item | Valor |
|---|---|
| Faixa de reajuste | 53% a 56,26%, conforme base e modalidade |
| Aumento imediato (abril) | 18% para distribuidoras que aderirem ao parcelamento |
| Parcelamento | 6 parcelas mensais a partir de julho de 2026 |
| Prazo de adesão | Até 6 de abril de 2026 |
| Preço médio anterior (março) | R$ 5,89/litro |
| Preço médio novo (abril) | Estimado em R$ 6,08/litro (parcial); integral acima de R$ 9/litro |
Distribuidoras que não aderirem ao parcelamento terão o reajuste integral aplicado imediatamente. A Vibra Energia já confirmou repasse de 54,63%.
Por que o QAV subiu mais de 50%
O reajuste resulta da convergência de três fatores:
Cotação internacional do petróleo. O barril de Brent subiu de US$ 78,50 para US$ 80,45 em março de 2026, e já havia acumulado alta em meses anteriores. O QAV é derivado médio do petróleo e seu preço internacional acompanha o crack spread do querosene.
Câmbio real/dólar. A desvalorização do real frente ao dólar ao longo do primeiro trimestre amplia o custo em reais de derivados precificados em moeda americana.
Defasagem acumulada. A Petrobras manteve o preço do QAV relativamente estável nos meses anteriores — o reajuste de março foi de apenas 9,4%. A alta de abril corrige uma defasagem que se acumulou ao longo de vários ciclos.
Em 2026, o QAV já acumula cinco reajustes e alta total de aproximadamente 12,4% até março, antes deste aumento.
Impacto nas companhias aéreas brasileiras
O querosene de aviação representa historicamente entre 30% e 45% dos custos operacionais das companhias aéreas nacionais. Com o novo patamar de preços, essa participação pode ultrapassar 45%, segundo a Abear.
O momento é particularmente desafiador para o setor:
- Gol conclui reestruturação judicial e recém incorporou sua holding, com saída da listagem na B3
- Azul realizou grupamento de ações na proporção de 150.000 para 1, sinalizando estabilização financeira ainda em curso
- LATAM Brasil opera com margens estreitas após sua própria reestruturação via Chapter 11
Um aumento de 53% a 56% no principal insumo pode comprometer a recuperação financeira dessas companhias e pressionar margens que já operam em patamar reduzido.
Efeito esperado nas passagens aéreas
A G1 reportou em 2 de abril de 2026 que analistas do setor projetam aumento de até 20% no preço das passagens domésticas ao longo do segundo semestre, caso o reajuste seja integralmente repassado.
O repasse não é automático e depende de três fatores:
- Concorrência entre rotas. Em trechos com múltiplas operadoras, o repasse integral é dificultado pela pressão competitiva
- Elasticidade de demanda. O mercado doméstico movimentou mais de 100 milhões de passageiros em 2025, mas é sensível a variações de preço
- Contratos de hedge. Companhias com proteção cambial e de combustível contratada sentem o impacto com atraso
Rotas regionais operadas com aeronaves menores e menos eficientes tendem a sofrer repasses proporcionalmente maiores.
Medidas do governo e da Abear
A Abear classificou o reajuste como incompatível com a sustentabilidade do setor e solicitou medidas emergenciais. O governo federal, por meio do Ministério de Portos e Aeroportos, discute a possibilidade de redução temporária de PIS/Cofins sobre o QAV para conter o repasse aos consumidores.
Até o fechamento desta matéria, nenhuma medida fiscal havia sido oficialmente anunciada.
Nota editorial: O AeroCopilot apresenta as posições de todas as partes envolvidas — Petrobras, Abear, governo e analistas — sem emitir juízo de valor. Cabe ao leitor avaliar os argumentos e a razoabilidade das posições de cada agente.
Contexto para aviação geral
O reajuste anunciado refere-se ao QAV-1 (Jet A-1), utilizado por aeronaves a turbina. Pilotos de aviação geral que operam com AVGAS 100LL enfrentam dinâmica de preços diferente — o AVGAS é majoritariamente importado, e seu custo depende de câmbio, frete internacional e margens de distribuidores locais.
Ainda assim, reajustes expressivos no QAV costumam gerar efeito de arraste sobre a cadeia logística compartilhada, pressionando marginalmente o preço do AVGAS. O acompanhamento de preços nos postos de combustível aeronáutico do aeródromo de operação segue sendo a referência mais confiável para proprietários de aeronaves a pistão.
Perguntas frequentes
O reajuste de até 56% no QAV é imediato?
Não na íntegra. A Petrobras oferece parcelamento: distribuidoras que aderirem até 6 de abril de 2026 pagam 18% de aumento em abril, com o restante diluído em seis parcelas mensais a partir de julho. Distribuidoras que não aderirem recebem o reajuste integral imediatamente.
Quanto do custo de uma passagem aérea é combustível?
O QAV representa entre 30% e 45% dos custos operacionais das companhias aéreas brasileiras, dependendo da eficiência da frota e do perfil de rotas. Com o novo patamar de preços, essa participação tende a aumentar.
As passagens vão subir quanto?
Analistas projetam alta de até 20% nas passagens domésticas no segundo semestre de 2026, caso o reajuste seja integralmente repassado. O percentual real dependerá da concorrência entre rotas, elasticidade de demanda e contratos de hedge de cada companhia.
Fontes e referências
- Poder360 — Petrobras anuncia reajuste de até 56% no querosene de aviação, 01 abr. 2026
- G1 — Petrobras reajusta querosene de aviação, 01 abr. 2026
- Jornal do Comércio — Petrobras aumenta preço do querosene de aviação em 55%, 01 abr. 2026
- G1 — Preço das passagens aéreas pode subir até 20%, 02 abr. 2026
- ClimáInfo — Petrobras aumenta querosene e governo tenta impedir alta, 01 abr. 2026
