SIGMET e AIRMET: Avisos de Tempo Significativo na Aviação
Guia completo sobre SIGMET e AIRMET: como decodificar avisos de tempo significativo, tipos, validade, FIRs brasileiras e impacto no planejamento de voo.
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Perguntas Frequentes
O que acontece se eu voar dentro de uma área com SIGMET ativo?
Voar dentro de uma área com SIGMET ativo não é proibido por si só, mas o piloto assume total responsabilidade pela segurança da operação. O SIGMET é um aviso informativo, não uma restrição de espaço aéreo. No entanto, se ocorrer um incidente ou acidente, o fato de haver SIGMET vigente será considerado na investigação. Para aeronaves leves sem equipamento anti-gelo e sem radar meteorológico, entrar em área com SIGMET WS de SEV ICE ou EMBD TS é altamente desaconselhável e pode configurar imperícia.
Qual a diferença entre SIGMET e aviso de aerodromo (aerodrome warning)?
O SIGMET cobre fenômenos em área dentro de uma FIR e é destinado a aeronaves em rota. O aviso de aeródromo (aerodrome warning) cobre condições perigosas específicas de um aeródromo e seus arredores, como ventos fortes, trovoadas locais, neve ou gelo na pista. São produtos complementares com escopos diferentes.
O SIGMET substitui o radar meteorológico de bordo?
Não. O SIGMET fornece uma visão macro da situação meteorológica com resolução temporal de horas. O radar meteorológico de bordo fornece informação em tempo real com resolução de milhas náuticas. Pilotos que operam em áreas com SIGMET de CB devem usar o radar de bordo (quando disponível) para desviar das células individuais. O SIGMET indica a área geral de perigo; o radar mostra a posição exata das células.
Com que antecedência posso consultar SIGMET previstos?
SIGMET pode ser emitido com até 4 horas de antecedência do início previsto do fenômeno. Para planejamento com maior antecedência, o piloto deve consultar as cartas SIGWX (Significant Weather Charts) que são emitidas com 12 a 36 horas de antecedência, embora com menor precisão geográfica.
O AIRMET é obrigatório no briefing de voo IFR?
Sim. O RBAC 91.103 exige que o piloto se familiarize com todas as informações meteorológicas disponíveis pertinentes ao voo. Isso inclui SIGMET e AIRMET. Embora o AIRMET seja mais relevante para operações VFR e aeronaves leves, pilotos IFR também devem consultá-lo, especialmente se operarem aeronaves de menor porte em níveis mais baixos.
Existe SIGMET para trovoada isolada?
Não normalmente. Trovoadas isoladas (ISOL TS) geralmente não atingem o critério de emissão de SIGMET, que exige impacto significativo na segurança das operações em uma área extensa. Trovoadas isoladas podem aparecer em TAF como TEMPO TS ou em METAR como TS no campo de fenômenos de tempo presente. O SIGMET é emitido quando as trovoadas são obscurecidas, embarcadas, frequentes ou em linha de instabilidade.
Como diferenciar turbulência leve, moderada e severa?
A classificação de turbulência segue escala padronizada: leve causa variação de velocidade de 5-15 kt e leve desconforto; moderada causa variação de 15-25 kt e dificuldade de manter altitude e velocidade; severa causa variação acima de 25 kt, perda temporária de controle e possibilidade de danos estruturais. O SIGMET cobre turbulência severa; o AIRMET cobre moderada. Turbulência leve não gera aviso.
O piloto pode pedir cancelamento de um SIGMET ao ATC?
Não. O ATC não tem autoridade para cancelar SIGMET, que é emitido pelo MWO. O que o piloto pode fazer é reportar condições diferentes das descritas no SIGMET (PIREP), o que contribui para que o MWO reavalie e eventualmente cancele o aviso. Reportar via PIREP que a área está livre do fenômeno reportado é uma contribuição valiosa para a segurança de outros voos.
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SIGMET e AIRMET são avisos meteorológicos emitidos para alertar pilotos e despachantes sobre condições de tempo significativo que afetam a segurança do voo. Enquanto o METAR descreve as condições atuais em um aeródromo e o TAF faz a previsão localizada, o SIGMET e o AIRMET cobrem áreas extensas dentro de uma FIR (Região de Informação de Voo) e representam fenômenos que podem impactar qualquer aeronave em rota. Saber interpretar esses avisos é fundamental para um planejamento de voo seguro e para a tomada de decisão em tempo real durante o voo.
SIGMET (Significant Meteorological Information) e AIRMET (Airmen's Meteorological Information) são mensagens meteorológicas de aviso emitidas por um MWO (Meteorological Watch Office) para informar sobre condições atmosféricas perigosas que afetam a segurança das operações aéreas dentro de uma FIR.
Definição: SIGMET é um aviso de tempo significativo que alerta sobre fenômenos meteorológicos severos capazes de afetar a segurança de todas as aeronaves em voo, incluindo turbulência severa, formação de gelo severo, tempestades de granizo, áreas de cumulonimbus (CB), cinzas vulcânicas e ciclones tropicais.
A diferença fundamental entre SIGMET e AIRMET está na severidade dos fenômenos reportados. O SIGMET cobre condições perigosas para todos os tipos de aeronave, inclusive jatos comerciais de grande porte. O AIRMET, por outro lado, trata de condições que são perigosas principalmente para aeronaves leves e operações VFR, como turbulência moderada, formação de gelo moderado e visibilidade reduzida em áreas extensas.
A base regulatória para esses avisos vem do ICAO Annex 3 (Meteorological Service for International Air Navigation) e, no Brasil, é implementada pelo DECEA através das ICA 105-17 e MCA 105-11.
Quem emite SIGMET e AIRMET no Brasil?
No Brasil, a responsabilidade pela emissão de SIGMET e AIRMET é do CGNA (Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea) em conjunto com os CMV (Centros Meteorológicos de Vigilância), que funcionam como MWOs dentro de cada FIR. O sistema REDEMET (Rede de Meteorologia do Comando da Aeronáutica) é o canal primário de distribuição dessas informações para pilotos e operadores.
Por que SIGMET e AIRMET são importantes?
Esses avisos complementam o METAR e o TAF ao fornecer informação sobre fenômenos em altitude e em áreas extensas que podem não estar refletidos nas observações de superfície. Um METAR pode indicar condições VMC no aeródromo de destino, mas um SIGMET vigente na rota pode indicar áreas de CB embarcado que representam perigo real para a navegação.
Quais os tipos de SIGMET?
O ICAO define três tipos distintos de SIGMET, cada um com um designador específico que indica o tipo de fenômeno reportado. Essa classificação é essencial para entender a natureza do perigo e tomar as ações corretas.
SIGMET WS — Fenômenos meteorológicos
O SIGMET do tipo WS é o mais comum e cobre fenômenos meteorológicos severos que não envolvem ciclones tropicais nem cinzas vulcânicas. Os fenômenos reportados incluem:
Fenômeno
Código
Descrição
Turbulência severa
SEV TURB
Turbulência que causa variações bruscas de atitude e altitude
Formação de gelo severo
SEV ICE
Acúmulo rápido de gelo nas superfícies da aeronave
Formação de gelo severo com chuva congelante
SEV ICE (FZRA)
Gelo severo causado por chuva que congela ao contato
Tempestade de granizo
GR
Granizo que pode causar dano estrutural
Tempestade de areia/poeira
SS/DS
Redução severa de visibilidade por areia ou poeira
Cumulonimbus
OBSC TS, EMBD TS, FRQ TS, SQL TS
Áreas de trovoada com diferentes distribuições
Linha de instabilidade
SQL TS
Linha de cumulonimbus organizada
O SIGMET WS tem validade máxima de 4 horas e pode ser emitido até 4 horas antes do início previsto do fenômeno.
SIGMET WC — Ciclones tropicais
O SIGMET WC é emitido quando um ciclone tropical com ventos sustentados de superfície acima de 34 nós (63 km/h) afeta ou vai afetar a FIR. Embora ciclones tropicais sejam raros no Brasil, o Atlântico Sul já registrou eventos como o furacão Catarina em 2004, que atingiu Santa Catarina.
O SIGMET WC inclui informações adicionais como a posição do centro do ciclone, velocidade e direção de deslocamento, e pressão central estimada. Sua validade máxima é de 6 horas.
SIGMET WV — Cinzas vulcânicas
O SIGMET WV é emitido quando cinzas vulcânicas são detectadas na atmosfera dentro de uma FIR. Cinzas vulcânicas são extremamente perigosas para aeronaves porque os fragmentos de rocha derretidos podem danificar turbinas, abrasionar para-brisas e contaminar sistemas pitot-estáticos.
No contexto brasileiro, embora não existam vulcões ativos no território nacional, cinzas vulcânicas de erupções na Cordilheira dos Andes (Chile, Argentina) podem ser transportadas pelos ventos até o espaço aéreo brasileiro, especialmente nas FIRs de Curitiba e Atlântico. O SIGMET WV também tem validade máxima de 6 horas.
Tipo de SIGMET
Designador
Validade máxima
Fenômeno principal
Meteorológico
WS
4 horas
Turbulência, gelo, CB, granizo
Ciclone tropical
WC
6 horas
Ciclone com ventos > 34 kt
Cinzas vulcânicas
WV
6 horas
Nuvem de cinzas na atmosfera
Como decodificar um SIGMET?
A decodificação de um SIGMET segue uma estrutura padronizada pelo ICAO. Cada campo tem uma posição e formato definidos, o que permite a interpretação sistemática da mensagem.
Estrutura básica de um SIGMET
A estrutura geral de um SIGMET segue a sequência abaixo:
Identificação da FIR — Nome da FIR e identificador ICAO
Tipo e número sequencial — WS, WC ou WV seguido de número (ex: SIGMET 3)
Período de validade — Data/hora de início e fim em UTC
MWO emissor — Identificação do centro meteorológico
Fenômeno — Descrição codificada do evento
Localização — Coordenadas ou referência geográfica da área afetada
Nível de voo — Altitude ou faixa de altitude afetada
Movimento/Tendência — Direção e velocidade de deslocamento, ou STNR (estacionário)
Intensidade — INTSF (intensificando), WKN (enfraquecendo) ou NC (sem mudança)
Exemplo de decodificação passo a passo
Considere o seguinte SIGMET real simplificado:
SBBS SIGMET 2 VALID 011200/011600 SBBS-
BRASILIA FIR EMBD TS OBS AT 1150Z WI S1200 W04730 - S1430 W04800 -
S1500 W04500 - S1200 W04500 - S1200 W04730 TOP FL400 MOV NE 15KT
INTSF
Decodificação campo a campo:
Campo
Valor
Significado
FIR
SBBS
FIR Brasília
Tipo
SIGMET 2
Segundo SIGMET emitido nesta série
Validade
011200/011600
Dia 01, das 12:00Z às 16:00Z
MWO
SBBS
Emitido pelo MWO de Brasília
Fenômeno
EMBD TS
Trovoadas embarcadas (escondidas dentro de camadas de nuvens)
Status
OBS AT 1150Z
Observado às 11:50Z
Área
WI S12 W047.5...
Dentro do polígono definido pelas coordenadas
Topo
TOP FL400
Topos das células até FL400 (40.000 ft)
Movimento
MOV NE 15KT
Movendo para nordeste a 15 nós
Intensidade
INTSF
Intensificando
Códigos de distribuição de CB/TS
A forma como cumulonimbus e trovoadas estão distribuídas na área afetada é indicada por prefixos específicos que alteram significativamente o nível de risco:
Código
Significado
Implicação operacional
OBSC TS
Trovoadas obscurecidas
Escondidas por nebulosidade, difícil desvio visual
EMBD TS
Trovoadas embarcadas
Dentro de camadas de nuvens, invisíveis ao olho nu
FRQ TS
Trovoadas frequentes
Pouca separação entre células, difícil desviar
SQL TS
Trovoadas em linha de instabilidade
Linha contínua, impossível atravessar
ISOL TS
Trovoadas isoladas
Células separadas, desvio geralmente possível
Definição: Trovoadas embarcadas (EMBD TS) são aquelas contidas dentro de camadas de nuvens estratiformes, tornando-as invisíveis ao piloto visual. São particularmente perigosas para operações VFR e para aeronaves sem radar meteorológico a bordo.
O que é AIRMET e quando é emitido?
O AIRMET é um aviso meteorológico de nível inferior ao SIGMET, destinado principalmente a alertar operações de aeronaves leves, helicópteros e voos VFR sobre condições que, embora não sejam severas para aviação de linha aérea, representam perigo real para essas categorias de operação.
Fenômenos cobertos pelo AIRMET
Fenômeno
Código
Critério de emissão
Turbulência moderada
MOD TURB
Turbulência que causa desconforto e dificuldade de controle em aeronaves leves
Formação de gelo moderado
MOD ICE
Acúmulo de gelo que requer ação corretiva
Ondas de montanha
MTW
Turbulência associada a relevo, com ou sem nuvens lenticulares
Visibilidade reduzida
SFC VIS
Visibilidade de superfície abaixo de 5.000 metros em área extensa
Teto baixo
SFC OBSC/OVC
Nuvens BKN ou OVC abaixo de 1.000 ft AGL em área extensa
Vento de superfície forte
SFC WIND
Vento sustentado acima de 30 nós em área extensa
Validade e formato do AIRMET
O AIRMET tem validade máxima de 4 horas, semelhante ao SIGMET WS. Seu formato segue estrutura análoga ao SIGMET, incluindo FIR, período de validade, fenômeno, localização e movimento. A principal diferença está na severidade dos fenômenos reportados: o AIRMET trata de condições moderadas, enquanto o SIGMET trata de condições severas.
No Brasil, a emissão de AIRMET vem ganhando importância à medida que a aviação geral e a operação de drones crescem. Muitos pilotos de aeronaves leves como Cessna 152, Cessna 172 ou aeronaves experimentais não possuem equipamento anti-gelo nem radar meteorológico, tornando o AIRMET uma ferramenta de segurança essencial.
Diferença prática entre SIGMET e AIRMET
A distinção entre SIGMET e AIRMET pode ser resumida assim: se você voa um Boeing 737 ou um Airbus A320, o SIGMET é sua prioridade absoluta, mas o AIRMET provavelmente não vai alterar sua operação. Se você voa um Cessna 172, um Piper Cherokee ou um helicóptero Robinson R44, tanto SIGMET quanto AIRMET merecem atenção igual no seu briefing pré-voo.
Quais são as FIRs brasileiras e seus MWOs?
O espaço aéreo brasileiro está dividido em cinco FIRs (Regiões de Informação de Voo), cada uma com seu próprio MWO responsável pela emissão de SIGMET e AIRMET. Conhecer essa divisão é fundamental para saber quais avisos consultar conforme a rota planejada.
Mapa das FIRs brasileiras
FIR
Identificador ICAO
MWO responsável
Área de cobertura principal
Amazônica
SBAZ
Manaus
Norte do Brasil (AM, PA, RR, AP)
Recife
SBRE
Recife
Nordeste (PE, BA, CE, MA, PI) e oceano Atlântico
Brasília
SBBS
Brasília
Centro-Oeste e Sudeste (DF, GO, MG, MS, MT, SP parcial)
Curitiba
SBCW
Curitiba
Sul do Brasil (PR, SC, RS) e parte do Sudeste
Atlântico
SBAO
Rio de Janeiro
Oceano Atlântico Sul (área oceânica)
Cada FIR opera 24 horas por dia, 365 dias por ano. Os MWOs monitoram continuamente dados de satélite, radar meteorológico, relatórios de pilotos (PIREP) e modelos numéricos para decidir quando emitir, atualizar ou cancelar um SIGMET ou AIRMET.
Como funciona a emissão nas FIRs
Quando um fenômeno significativo é detectado ou previsto, o meteorologista do MWO prepara o SIGMET ou AIRMET e o dissemina através do sistema de telecomunicações aeronáuticas (AFTN). A mensagem é então disponibilizada no REDEMET, nos sistemas de briefing dos operadores e transmitida via VOLMET e ATIS quando aplicável.
Um voo de SBGR (Guarulhos) para SBRF (Recife) cruza duas FIRs: Brasília (SBBS) e Recife (SBRE). O piloto ou despachante deve consultar os SIGMET e AIRMET vigentes em ambas as FIRs durante o planejamento.
Como SIGMET e AIRMET impactam o planejamento de voo?
A presença de SIGMET ou AIRMET vigente na rota planejada não significa automaticamente que o voo deve ser cancelado. Mas exige análise cuidadosa e, em muitos casos, alterações no planejamento original para garantir a segurança.
Impacto no briefing pré-voo
O briefing pré-voo deve incluir obrigatoriamente a verificação de SIGMET e AIRMET em vigor nas FIRs da rota. Isso está previsto no RBAC 91.103, que exige que o piloto em comando se familiarize com todas as informações disponíveis pertinentes ao voo planejado.
Ações práticas conforme o tipo de aviso
Aviso
Fenômeno
Ação recomendada
SIGMET WS — SEV TURB
Turbulência severa
Evitar área; solicitar nível de voo alternativo ao ATC
SIGMET WS — SEV ICE
Gelo severo
Evitar; aeronaves sem anti-ice não devem entrar na área
SIGMET WS — EMBD TS
CB embarcado
Evitar; usar radar meteorológico se disponível
SIGMET WS — SQL TS
Linha de instabilidade
Aguardar passagem ou desviar lateralmente (pode exigir > 50 NM)
SIGMET WC
Ciclone tropical
Evitar completamente; margem mínima de 100 NM do centro
SIGMET WV
Cinzas vulcânicas
Evitar completamente; tolerância zero para contato com cinzas
AIRMET — MOD TURB
Turbulência moderada
Proceder com cautela; avaliar experiência e tipo de aeronave
AIRMET — MOD ICE
Gelo moderado
Aeronaves sem anti-ice devem evitar; com anti-ice, monitorar
AIRMET — SFC VIS
Visibilidade reduzida
VFR deve reavaliar GO/NO-GO; IFR verifica mínimos
Quando cancelar ou adiar o voo?
A decisão GO/NO-GO na presença de SIGMET ativo depende de diversos fatores: tipo de aeronave, equipamentos a bordo, experiência do piloto, possibilidade de desvio e alternativas disponíveis. Como regra geral, aeronaves leves sem radar meteorológico e sem equipamento anti-gelo não devem operar em áreas com SIGMET WS ativo para SEV ICE, EMBD TS ou SQL TS.
A avaliação de risco FRAT é uma ferramenta complementar que ajuda a quantificar o risco associado a condições meteorológicas adversas.
Exemplos reais de SIGMET no espaço aéreo brasileiro
O espaço aéreo brasileiro, por sua extensão continental e localização tropical, está frequentemente sujeito a emissão de SIGMET, especialmente nos meses de verão (outubro a março), quando a atividade convectiva é mais intensa.
Exemplo 1: SIGMET de CB embarcado na FIR Brasília
SBBS SIGMET 5 VALID 151800/152200 SBBS-
BRASILIA FIR EMBD TS FCST AT 1800Z WI S1500 W04700 - S1800 W04900 -
S2000 W04600 - S1700 W04400 - S1500 W04700 TOP FL420 STNR INTSF
Este SIGMET indica trovoadas embarcadas previstas na porção sul da FIR Brasília, com topos até FL420, estacionárias e se intensificando. Essa é uma situação clássica do verão brasileiro, onde células convectivas se formam no período da tarde ao longo da Serra da Mantiqueira e do interior de São Paulo e Minas Gerais.
Impacto operacional: Voos entre SBSP (Congonhas) e SBBH (Belo Horizonte/Pampulha) nesse horário seriam diretamente afetados. Pilotos VFR devem considerar seriamente adiar a partida ou buscar rota alternativa.
Exemplo 2: SIGMET de turbulência severa na FIR Curitiba
SBCW SIGMET 1 VALID 080600/081000 SBCW-
CURITIBA FIR SEV TURB OBS AT 0530Z WI S2400 W04900 - S2700 W05100 -
S2800 W04800 - S2500 W04700 - S2400 W04900 FL250/FL350 MOV E 25KT NC
Turbulência severa observada entre FL250 e FL350, movendo para leste a 25 nós, sem mudança de intensidade. Esse tipo de SIGMET é comum no inverno quando correntes de jato subtropical passam sobre o sul do Brasil.
Impacto operacional: Aeronaves operando nessa faixa de nível de voo devem solicitar nível alternativo ao ACC Curitiba. Voos entre SBCT (Curitiba) e SBFL (Florianópolis) em cruzeiro acima de FL250 seriam diretamente afetados.
Exemplo 3: Múltiplos SIGMET simultâneos
Em dias de atividade convectiva intensa, é comum haver múltiplos SIGMET simultâneos em uma mesma FIR. Em janeiro de 2025, a FIR Brasília chegou a ter 4 SIGMET ativos simultaneamente, cobrindo áreas distintas com EMBD TS e FRQ TS.
Nessas situações, o piloto precisa plotar todas as áreas afetadas no mapa e avaliar se existe corredor seguro para a rota planejada. Ferramentas digitais como o AeroCopilot facilitam essa visualização, sobrepondo SIGMET vigentes na carta de rota.
Onde consultar SIGMET e AIRMET?
A consulta a SIGMET e AIRMET deve ser feita como parte do briefing pré-voo obrigatório. Existem diversas fontes oficiais e complementares disponíveis para pilotos brasileiros.
Fontes oficiais
Fonte
URL/Acesso
Tipo de informação
REDEMET
redemet.decea.mil.br
SIGMET, AIRMET, METAR, TAF, cartas SIGWX
Sala AIS
Nos aeródromos
Briefing completo com meteorologista
VOLMET
Frequência VHF em rota
SIGMET vigentes por rádio
ATIS
Frequência do aeródromo
SIGMET relevantes para TMA
Fontes complementares
Além das fontes oficiais do DECEA, pilotos podem consultar cartas de tempo significativo (SIGWX Charts) que representam graficamente áreas de turbulência, gelo, CB e jatos. Essas cartas são emitidas pelo WAFC (World Area Forecast Centre) de Washington e Londres e estão disponíveis no REDEMET.
O METAR e o TAF complementam o SIGMET ao fornecer condições locais nos aeródromos de partida, destino e alternativa. Um briefing meteorológico completo sempre inclui os três tipos de informação.
Cartas SIGWX (Significant Weather Charts)
As cartas SIGWX são representações gráficas que mostram áreas de tempo significativo previstas para determinada hora. No Brasil, as cartas mais utilizadas são a carta de baixos níveis (SFC a FL100) e a carta de altos níveis (FL250 a FL630). Elas mostram graficamente o que os SIGMET descrevem em texto codificado, facilitando a visualização espacial dos fenômenos.
Diferenças entre SIGMET, AIRMET, METAR e TAF
Pilotos que estão se familiarizando com produtos meteorológicos aeronáuticos frequentemente confundem os diferentes tipos de mensagem. Cada uma tem finalidade, cobertura e público-alvo distintos.
Característica
METAR
TAF
SIGMET
AIRMET
Tipo
Observação
Previsão
Aviso
Aviso
Cobertura
Aeródromo (ponto)
Aeródromo (8 km)
FIR (área)
FIR (área)
Validade
1 hora
24-30 horas
4-6 horas
4 horas
Emissão
Horária
4x ao dia
Quando necessário
Quando necessário
Altitude
Superfície
Superfície
Qualquer nível
Principalmente baixos níveis
Público
Todos os pilotos
Todos os pilotos
Todos os pilotos
Pilotos de aeronaves leves/VFR
Fenômenos
Condições atuais
Previsão local
Severos (área)
Moderados (área)
Definição: FIR (Flight Information Region) é uma porção do espaço aéreo de dimensões definidas dentro da qual são prestados os serviços de informação de voo e de alerta. No Brasil existem cinco FIRs sob responsabilidade do DECEA.
Como integrar todas as informações no briefing
Um briefing meteorológico completo segue a lógica do funil: começa pela visão ampla (SIGMET/AIRMET para a rota e FIRs envolvidas), passa pela previsão local (TAF dos aeródromos de destino e alternativa) e termina com a condição atual (METAR no momento da decolagem). Essa abordagem garante que o piloto tenha consciência situacional desde a grande escala até a condição pontual.
O briefing pré-voo e a análise das condições VMC/IMC complementam a interpretação dos avisos de tempo significativo para uma decisão operacional fundamentada.
Perguntas frequentes
O que acontece se eu voar dentro de uma área com SIGMET ativo?
Voar dentro de uma área com SIGMET ativo não é proibido por si só, mas o piloto assume total responsabilidade pela segurança da operação. O SIGMET é um aviso informativo, não uma restrição de espaço aéreo. No entanto, se ocorrer um incidente ou acidente, o fato de haver SIGMET vigente será considerado na investigação. Para aeronaves leves sem equipamento anti-gelo e sem radar meteorológico, entrar em área com SIGMET WS de SEV ICE ou EMBD TS é altamente desaconselhável e pode configurar imperícia.
Qual a diferença entre SIGMET e aviso de aerodromo (aerodrome warning)?
O SIGMET cobre fenômenos em área dentro de uma FIR e é destinado a aeronaves em rota. O aviso de aeródromo (aerodrome warning) cobre condições perigosas específicas de um aeródromo e seus arredores, como ventos fortes, trovoadas locais, neve ou gelo na pista. São produtos complementares com escopos diferentes.
O SIGMET substitui o radar meteorológico de bordo?
Não. O SIGMET fornece uma visão macro da situação meteorológica com resolução temporal de horas. O radar meteorológico de bordo fornece informação em tempo real com resolução de milhas náuticas. Pilotos que operam em áreas com SIGMET de CB devem usar o radar de bordo (quando disponível) para desviar das células individuais. O SIGMET indica a área geral de perigo; o radar mostra a posição exata das células.
Com que antecedência posso consultar SIGMET previstos?
SIGMET pode ser emitido com até 4 horas de antecedência do início previsto do fenômeno. Para planejamento com maior antecedência, o piloto deve consultar as cartas SIGWX (Significant Weather Charts) que são emitidas com 12 a 36 horas de antecedência, embora com menor precisão geográfica.
O AIRMET é obrigatório no briefing de voo IFR?
Sim. O RBAC 91.103 exige que o piloto se familiarize com todas as informações meteorológicas disponíveis pertinentes ao voo. Isso inclui SIGMET e AIRMET. Embora o AIRMET seja mais relevante para operações VFR e aeronaves leves, pilotos IFR também devem consultá-lo, especialmente se operarem aeronaves de menor porte em níveis mais baixos.
Existe SIGMET para trovoada isolada?
Não normalmente. Trovoadas isoladas (ISOL TS) geralmente não atingem o critério de emissão de SIGMET, que exige impacto significativo na segurança das operações em uma área extensa. Trovoadas isoladas podem aparecer em TAF como TEMPO TS ou em METAR como TS no campo de fenômenos de tempo presente. O SIGMET é emitido quando as trovoadas são obscurecidas, embarcadas, frequentes ou em linha de instabilidade.
Como diferenciar turbulência leve, moderada e severa?
A classificação de turbulência segue escala padronizada: leve causa variação de velocidade de 5-15 kt e leve desconforto; moderada causa variação de 15-25 kt e dificuldade de manter altitude e velocidade; severa causa variação acima de 25 kt, perda temporária de controle e possibilidade de danos estruturais. O SIGMET cobre turbulência severa; o AIRMET cobre moderada. Turbulência leve não gera aviso.
O piloto pode pedir cancelamento de um SIGMET ao ATC?
Não. O ATC não tem autoridade para cancelar SIGMET, que é emitido pelo MWO. O que o piloto pode fazer é reportar condições diferentes das descritas no SIGMET (PIREP), o que contribui para que o MWO reavalie e eventualmente cancele o aviso. Reportar via PIREP que a área está livre do fenômeno reportado é uma contribuição valiosa para a segurança de outros voos.
Simplifique seu planejamento com o AeroCopilot
O AeroCopilot integra SIGMET e AIRMET vigentes diretamente no seu briefing pré-voo, sobrepondo as áreas afetadas na carta de rota para visualização imediata. A plataforma monitora automaticamente as FIRs da sua rota e destaca avisos relevantes, eliminando a necessidade de consultar múltiplas fontes manualmente. Com decodificação automática e alertas em tempo real, você nunca decola sem saber as condições em rota.
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Fontes: ICAO Annex 3 — Meteorological Service for International Air Navigation; ICA 105-17 — Serviço de Meteorologia Aeronáutica; MCA 105-11 — Manual de Meteorologia Aeronáutica; DECEA/REDEMET; RBAC 91.103.
Última atualização: Fevereiro 2026. Conteúdo revisado por piloto comercial ANAC com habilitação IFR.