Como Decodificar METAR: Guia Completo para Pilotos Brasileiros
Aprenda a decodificar METAR passo a passo com exemplos reais de aeródromos brasileiros. Guia prático com tabelas de referência, campos explicados e dicas para interpretar condições meteorológicas antes do voo.
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METAR é o relatório meteorológico padronizado pela ICAO que descreve as condições atuais de um aeródromo. Todo piloto brasileiro precisa saber decodificar um METAR antes de cada voo. Este guia ensina a interpretar cada campo com exemplos reais de aeródromos como Guarulhos, Santos Dumont e Congonhas.
METAR (Meteorological Aerodrome Report) é o relatório de observação meteorológica de rotina emitido por aeródromos. Ele descreve as condições atuais de tempo no momento da observação, incluindo vento, visibilidade, nuvens, temperatura e pressão atmosférica.
No Brasil, os METARs são emitidos pelo DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo) e distribuídos através do sistema REDEMET. Cada METAR tem validade de 1 hora e é atualizado a cada 60 minutos nas horas cheias (UTC).
Os pilotos utilizam o METAR durante o briefing pré-voo para avaliar se as condições meteorológicas permitem a operação segura. Sem consultar o METAR, é impossível tomar uma decisão GO/NO-GO fundamentada.
Quando o METAR é emitido?
METARs regulares são emitidos nas horas cheias UTC. Quando ocorre mudança significativa nas condições, um METAR especial chamado SPECI é emitido fora do horário regular. As situações que disparam um SPECI incluem mudança de vento, queda de visibilidade abaixo de mínimos, ou formação de cumulonimbus.
Qual a estrutura completa de um METAR?
Um METAR segue uma sequência padronizada pela ICAO. Cada campo ocupa uma posição fixa e usa codificação específica. A estrutura completa contém até 12 grupos de informação.
Veja a sequência na ordem em que aparece:
Tipo de relatório — METAR ou SPECI
Identificador ICAO — Código de 4 letras do aeródromo (ex: SBGR)
Data e hora — Dia do mês e hora UTC (ex: 141800Z)
Vento — Direção, intensidade e rajadas (ex: 09015G25KT)
Visibilidade — Em metros (ex: 9999 = acima de 10 km)
Fenômenos de tempo — Chuva, nevoeiro, trovoada (ex: +TSRA)
— Cobertura e altitude da base (ex: SCT040 BKN100)
Perguntas Frequentes
O que significa CAVOK no METAR?
CAVOK indica que a visibilidade é superior a 10 km, não há nuvens significativas abaixo de 5.000 ft ou da altitude mínima do setor, e não existem fenômenos meteorológicos relevantes. É a melhor condição possível para voar.
Qual a diferença entre METAR e SPECI?
METAR é o relatório regular emitido nas horas cheias UTC. SPECI é um relatório especial emitido quando condições meteorológicas mudam significativamente entre os horários regulares, como queda súbita de visibilidade ou formação de trovoada.
Quanto tempo um METAR é válido?
Um METAR tem validade de 1 hora a partir da observação. Após esse período, deve ser consultado o próximo METAR regular ou verificar se houve SPECI. Para previsão, consulte o TAF.
O que é teto (ceiling) no METAR?
Teto é a altitude da base da primeira camada de nuvens com cobertura BKN (5-7 oitavos) ou OVC (8 oitavos). O teto determina os mínimos para aproximação e se as condições permitem operação visual.
Como saber se o METAR indica VMC ou IMC no Brasil?
No Brasil, VMC em espaço aéreo controlado (CTR) exige visibilidade de pelo menos 5 km e teto de no mínimo 1.500 ft, conforme ICA 100-12. Se a visibilidade for menor que 5 km ou o teto abaixo de 1.500 ft, as condições são IMC.
O que significam os códigos +TSRA e VCSH no METAR?
+TSRA significa trovoada (TS) com chuva forte (+RA). VCSH significa pancadas de chuva (SH) nas proximidades (VC) do aeródromo, entre 8 km e 16 km de distância.
Onde consultar METARs de aeródromos brasileiros?
METARs brasileiros estão disponíveis no REDEMET, no AISWEB da ANAC, e em aplicações como o AeroCopilot que decodifica automaticamente usando IA com dados oficiais do DECEA em tempo real.
A pressão do METAR brasileiro é em hPa ou inHg?
No Brasil, o QNH é informado em hectopascais (hPa), precedido pela letra Q. Exemplo: Q1013 = 1013 hPa. Aeronaves com altímetros em polegadas de mercúrio (inHg) precisam converter: 1013 hPa = 29.92 inHg.
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Temperatura/Ponto de orvalho — Em graus Celsius (ex: 22/14)
Pressão (QNH) — Em hectopascais ou polegadas (ex: Q1013)
Informações suplementares — Após RMK (ex: RMK PP000)
Tendência — NOSIG, BECMG ou TEMPO (previsão curto prazo)
Como decodificar cada campo do METAR?
Como ler o identificador e a data/hora?
O METAR sempre começa com o tipo de relatório seguido pelo código ICAO do aeródromo. Os códigos brasileiros começam com SB (aeródromos civis) ou SD (aeródromos de menor porte). A data/hora usa o formato DDHHMMz, onde DD é o dia, HHMM é a hora UTC e Z indica horário Zulu.
Exemplo: METAR SBGR 141800Z significa METAR de Guarulhos (SBGR), dia 14 às 18:00 UTC.
Como decodificar o vento?
O grupo de vento usa o formato DDDSSKT ou DDDSSGSKT. DDD é a direção em graus (de onde o vento vem), SS é a velocidade sustentada, G indica rajadas e KT significa nós (knots).
Codificação
Significado
Exemplo
09015KT
Vento de 090° a 15 nós
Leste, moderado
09015G25KT
090° a 15 nós, rajadas de 25
Leste com rajadas
VRB03KT
Variável a 3 nós
Calmo, sem direção definida
00000KT
Calmo (sem vento)
Sem vento
240V300
Direção variando entre 240° e 300°
Vento variável
Vento com velocidade acima de 100 nós usa o formato DDDP99KT. Ventos acima de 25 nós exigem atenção especial no planejamento de pouso e decolagem.
Como decodificar a visibilidade?
A visibilidade é informada em metros. O valor 9999 significa visibilidade igual ou superior a 10 km. No Brasil, diferente dos EUA, não usamos milhas estatutárias.
Codificação
Visibilidade
Condição
9999
10 km ou mais
Excelente
5000
5 km
Boa
3000
3 km
Reduzida
0800
800 m
Muito reduzida
0200
200 m
Mínima para operação
Quando há variação direcional, aparece a visibilidade mínima seguida da direção: 3000 1500NE indica 3 km geral, 1.500 m para nordeste.
Como interpretar os fenômenos de tempo?
Os fenômenos meteorológicos significativos são codificados por abreviaturas padronizadas. Eles podem ter prefixos de intensidade e descritores.
Prefixos de intensidade:
+ (forte) — Ex: +RA = chuva forte
- (fraca) — Ex: -DZ = chuvisco fraco
Sem prefixo = moderado
VC (nas proximidades) — Ex: VCFG = nevoeiro nas proximidades
Fenômenos mais comuns no Brasil:
Código
Significado
Impacto operacional
RA
Chuva (rain)
Pista molhada, reduz frenagem
DZ
Chuvisco (drizzle)
Visibilidade reduzida
TS
Trovoada (thunderstorm)
Evitar, turbulência severa
FG
Nevoeiro (fog)
Visibilidade abaixo de 1.000 m
BR
Neblina (mist)
Visibilidade entre 1.000 m e 5.000 m
HZ
Névoa seca (haze)
Visibilidade reduzida, sem umidade
SQ
Grão (squall)
Rajadas súbitas, perigo
CB
Cumulonimbus
Trovoada, granizo, windshear
TCU
Cumulus congestus
Desenvolvimento vertical intenso
Combinações são comuns: +TSRA significa trovoada com chuva forte. VCSH indica pancadas de chuva nas proximidades do aeródromo.
Como decodificar as nuvens?
O grupo de nuvens indica a quantidade de cobertura e a altitude da base em centenas de pés (acima do aeródromo). Cada camada é reportada separadamente, da mais baixa para a mais alta.
Código
Cobertura
Oitavos do céu
FEW
Poucas
1-2/8
SCT
Dispersas (scattered)
3-4/8
BKN
Nublado (broken)
5-7/8
OVC
Encoberto (overcast)
8/8
SKC/CLR
Céu claro
0/8
NSC
Sem nuvens significativas
Nenhuma abaixo de 5.000 ft
Exemplo: SCT040 BKN100 indica nuvens dispersas a 4.000 ft e nublado a 10.000 ft.
O teto (ceiling) é definido pela primeira camada BKN ou OVC. No exemplo acima, o teto é 10.000 ft (BKN100). O teto é fundamental para determinar se as condições são VMC ou IMC.
Como ler temperatura, ponto de orvalho e pressão?
A temperatura e o ponto de orvalho são informados em graus Celsius, separados por barra. Valores negativos usam o prefixo M (minus). Exemplo: 22/14 = 22°C de temperatura e 14°C de ponto de orvalho.
Quando temperatura e ponto de orvalho estão próximos (diferença menor que 3°C), existe risco de formação de nevoeiro ou neblina. Fique atento.
A pressão atmosférica (QNH) é informada após a letra Q em hectopascais ou após A em polegadas de mercúrio. No Brasil, o padrão é hectopascais.
Formato
Significado
Exemplo
Q1013
QNH 1013 hPa
Pressão padrão
Q0998
QNH 998 hPa
Pressão baixa
A2992
QNH 29.92 inHg
Formato americano
Exemplos reais de METARs brasileiros decodificados
18/17 — Temperatura 18°C, orvalho 17°C (spread de 1°C)
Q1018 — QNH 1018 hPa
Avaliação: Condições IMC. Teto de 1.000 ft e visibilidade 3 km. Spread de apenas 1°C indica risco de nevoeiro. Operação VFR comprometida. Somente IFR com mínimos de aproximação adequados.
Exemplo 3: Congonhas (SBSP) — Trovoada
SPECI SBSP 141530Z 31020G35KT 2000 +TSRA BKN008CB OVC020 19/18 Q1008
Decodificação:
SPECI — Relatório especial (condições mudaram)
SBSP — Congonhas, São Paulo
141530Z — Dia 14, 15:30 UTC (12:30 local)
31020G35KT — Vento de noroeste (310°) a 20 nós com rajadas de 35
2000 — Visibilidade 2 km
+TSRA — Trovoada com chuva forte
BKN008CB — Cumulonimbus com base a 800 ft
OVC020 — Encoberto a 2.000 ft
19/18 — Temperatura 19°C, orvalho 18°C
Q1008 — QNH 1008 hPa (pressão baixa)
Avaliação: Condições perigosas. Trovoada ativa com cumulonimbus, rajadas de 35 nós e visibilidade reduzida. Recomendação: evitar a área, aguardar passagem da célula convectiva. Pressão baixa confirma instabilidade.
Quais as diferenças do METAR brasileiro?
O METAR brasileiro segue o padrão ICAO com algumas particularidades que pilotos precisam conhecer.
Pressão em hectopascais
O Brasil usa QNH em hectopascais (Q1013), não em polegadas de mercúrio como os EUA (A2992). Aeronaves com altímetros calibrados em polegadas precisam converter.
Classificação meteorológica VMC/IMC
No Brasil, as condições são classificadas como VMC (Visual Meteorological Conditions) ou IMC (Instrument Meteorological Conditions) seguindo a ICA 100-12 do DECEA. A classificação FAA (VFR/MVFR/IFR/LIFR) não é utilizada oficialmente.
Definição: VMC no Brasil requer visibilidade mínima de 5 km e teto de pelo menos 1.500 ft em espaço aéreo controlado, conforme ICA 100-12. Abaixo desses valores, as condições são classificadas como IMC.
Horário UTC e fuso horário
Todo METAR usa horário UTC (Zulu). O Brasil continental tem fusos de UTC-3 (Brasília) a UTC-5 (Acre). Para converter, subtraia 3 horas do UTC para obter o horário de Brasília.
Grupo RMK (Remarks)
METARs brasileiros frequentemente incluem informações suplementares após RMK. Os mais comuns são precipitação acumulada (PP), temperatura do mar, estado do mar e pressão a nível do mar (SLP). Exemplo: RMK PP000 SLP015.
Tabela de referência rápida
Decodificação completa do METAR
Campo
Formato
O que significa
Exemplo
Tipo
METAR/SPECI
Regular ou especial
METAR
ICAO
4 letras
Código do aeródromo
SBGR
Data/hora
DDHHMMz
Dia e hora UTC
141800Z
Vento
DDDSSKT
Direção e velocidade
09015KT
Rajadas
GssKT
Velocidade máxima
G25KT
Variação
dddVddd
Faixa de variação
240V300
Visibilidade
nnnn
Em metros
9999
Fenômenos
códigos
Tempo significativo
+TSRA
Nuvens
XXXnnn
Cobertura e base
SCT040
Temperatura
TT/DD
Temp e orvalho °C
22/14
QNH
Qnnnn
Pressão em hPa
Q1013
Tendência
NOSIG/BECMG/TEMPO
Previsão curto prazo
NOSIG
Códigos de nuvens vs mínimos VMC no Brasil
Cobertura
Código
Oitavos
Se teto: VMC? (CTR)
Poucas
FEW
1-2
Sim (se acima de 1.500 ft)
Dispersas
SCT
3-4
Sim (se acima de 1.500 ft)
Nublado
BKN
5-7
Depende da altitude
Encoberto
OVC
8/8
Depende da altitude
CAVOK — Quando não precisa decodificar nuvens
CAVOK (Ceiling And Visibility OK) substitui os campos de visibilidade, fenômenos e nuvens quando todas estas condições são atendidas simultaneamente:
Visibilidade acima de 10 km
Sem nuvens abaixo de 5.000 ft ou abaixo da altitude mínima do setor
CAVOK indica que a visibilidade é superior a 10 km, não há nuvens significativas abaixo de 5.000 ft ou da altitude mínima do setor, e não existem fenômenos meteorológicos relevantes. É a melhor condição possível para voar.
Qual a diferença entre METAR e SPECI?
METAR é o relatório regular emitido nas horas cheias UTC. SPECI é um relatório especial emitido quando condições meteorológicas mudam significativamente entre os horários regulares, como queda súbita de visibilidade ou formação de trovoada.
Quanto tempo um METAR é válido?
Um METAR tem validade de 1 hora a partir da observação. Após esse período, deve ser consultado o próximo METAR regular ou verificar se houve SPECI. Para previsão, consulte o TAF (Terminal Aerodrome Forecast).
O que é teto (ceiling) no METAR?
Teto é a altitude da base da primeira camada de nuvens com cobertura BKN (5-7 oitavos) ou OVC (8 oitavos). O teto determina os mínimos para aproximação e se as condições permitem operação visual. Se não houver camada BKN ou OVC, considera-se céu claro (sem teto).
Como saber se o METAR indica VMC ou IMC no Brasil?
No Brasil, VMC em espaço aéreo controlado (CTR) exige visibilidade de pelo menos 5 km e teto de no mínimo 1.500 ft, conforme ICA 100-12. Se a visibilidade for menor que 5 km ou o teto estiver abaixo de 1.500 ft, as condições são IMC.
O que significam os códigos +TSRA e VCSH?
O código +TSRA significa trovoada (TS) com chuva forte (+RA). O prefixo + indica intensidade forte. VCSH significa pancadas de chuva (SH) nas proximidades (VC) do aeródromo, entre 8 km e 16 km de distância.
Onde consultar METARs de aeródromos brasileiros?
METARs brasileiros estão disponíveis no REDEMET (rede.redemet.aer.mil.br), no AISWEB da ANAC, e em aplicações como o AeroCopilot que decodifica automaticamente usando IA com dados oficiais do DECEA em tempo real.
A pressão do METAR brasileiro é em hPa ou inHg?
No Brasil, o QNH é informado em hectopascais (hPa), precedido pela letra Q. Exemplo: Q1013 = 1013 hPa. Aeronaves com altímetros em polegadas de mercúrio (inHg) precisam converter: 1013 hPa = 29.92 inHg.
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Fontes: DECEA (ICA 105-15 — Códigos Meteorológicos), ICA 100-12 (Regras do Ar), ICAO Annex 3 (Meteorological Service for International Air Navigation), REDEMET (redemet.aer.mil.br).