Escolher seu primeiro avião começa por definir missão, orçamento e perfil de voo. Se você é piloto de hobby e voa fins de semana, um monomotor trem fixo certificado ou experimental de 2-4 lugares atende 90% das necessidades — com custo de aquisição entre R$ 180 mil e R$ 1,2 milhão e manutenção mensal de R$ 2.500 a R$ 6.000.
Neste artigo
- Qual a missão do seu primeiro avião?
- Monomotor, bimotor ou experimental: qual escolher?
- Trem fixo ou retrátil: o que muda no seguro e na manutenção?
- Lycoming ou Continental: qual motor tem mais suporte no Brasil?
- Quanto custa cada modelo popular no Brasil em 2026?
- Aeronave importada ou nacional: como funciona o registro na ANAC?
- Quanto custa a hangaragem por região?
- Quanto custa o seguro por tipo de aeronave?
- Checklist de inspeção pré-compra: o que verificar antes de fechar negócio?
- Quais os erros mais comuns de quem compra o primeiro avião?
- Sociedade de aeronave: vale a pena dividir o avião?
- Onde encontrar aviões à venda no Brasil?
- Perguntas Frequentes
- Fontes e Referências
Qual a missão do seu primeiro avião?
Antes de abrir qualquer classificado ou site de vendas, senta numa cadeira e responde honestamente: para que você quer o avião?
Essa pergunta parece óbvia, mas é onde 80% dos compradores de primeira viagem tropeçam. O cara que voa sozinho no fim de semana para tomar café em Avaré tem uma necessidade completamente diferente do que quer levar a família para a praia em Ubatuba.
Defina sua missão considerando:
- Quantos passageiros você carrega normalmente? (Só você? Esposa? Família de 4?)
- Distância típica das viagens: 100 NM para almoçar no interior ou 500 NM para o litoral nordestino?
- Tipo de pista que pretende operar: só asfalto de 1.200m ou aquela gramada de 800m no sítio do amigo?
- VFR ou IFR? Se você voa só VFR no fim de semana, não precisa de painel IFR completo no primeiro avião.
- Frequência de uso: 4h/mês? 10h/mês? 20h/mês? Isso define se vale ter avião próprio ou entrar numa sociedade.
Se você voa menos de 6 horas por mês, o custo por hora de avião próprio fica proibitivo. Considere uma sociedade de aeronave ou continuar no aeroclube até aumentar a frequência.
Para a maioria dos pilotos de hobby brasileiros, a missão se resume a: voo de lazer VFR diurno, 1-3 passageiros, pernas de 100-300 NM, operando de pistas pavimentadas. Se essa é a sua, um monomotor trem fixo de 4 lugares resolve 95% da equação.
Monomotor, bimotor ou experimental: qual escolher?
Vamos ser diretos: se esse é seu primeiro avião e você é piloto de hobby, a resposta é quase sempre monomotor — certificado ou experimental. Bimotor como primeiro avião é como comprar uma Ferrari para aprender a dirigir. Não porque seja perigoso, mas porque o custo operacional vai te tirar do ar.
Comparativo rápido
| Critério | Monomotor Certificado | Monomotor Experimental | Bimotor |
|---|---|---|---|
| Custo aquisição | R$ 250k–900k | R$ 180k–1,2M | R$ 600k–3M+ |
| Custo/hora (combustível + reserva motor) | R$ 450–800 | R$ 350–700 | R$ 1.200–2.500 |
| Manutenção anual | R$ 25k–60k | R$ 15k–40k | R$ 80k–200k+ |
| Complexidade de manutenção | Média | Média-baixa (depende do modelo) | Alta |
| Disponibilidade de mecânicos | Alta | Média (poucos CAVE credenciados) | Média-baixa |
| Velocidade cruzeiro | 105–150 kt | 120–180 kt | 150–200 kt |
| Indicado para hobby | ✅ Sim | ✅ Sim | ⚠️ Só se voar 20h+/mês |
Monomotor certificado: a escolha segura
Cessna 172, Piper Cherokee, Cessna 182 — são os Honda Civic da aviação. Peças disponíveis, mecânicos que conhecem o avião de olhos fechados, valor de revenda estável. Se você quer simplicidade e previsibilidade, é aqui.
Experimental: mais avião por menos dinheiro
Um RV-7 cruza a 160 kt por um custo de combustível parecido com o de um Cessna 172 a 120 kt. A categoria PEX no Brasil cresceu muito, e hoje existem experimentais que são verdadeiras máquinas de viagem. A contrapartida? Manutenção mais restrita (precisa de mecânico com habilitação CAVE), seguro mais caro em alguns casos e limitações operacionais (não pode voo comercial, restrições de espaço aéreo em alguns casos).
👉 Para um mergulho completo na categoria experimental, leia nosso Guia PEX Completo.
Bimotor: quando faz sentido?
Bimotor para hobby faz sentido se: (1) você voa muito — 15h+ por mês, (2) faz viagens longas com frequência, especialmente IFR noturno, e (3) tem orçamento confortável para manter dois motores. Um Seneca II ou Baron 55 são aviões incríveis, mas o custo mensal passa fácil de R$ 15.000 só em fixos. Para a maioria dos pilotos de primeiro avião, bimotor é compra de segundo avião.
Trem fixo ou retrátil: o que muda no seguro e na manutenção?
Se você está olhando um Piper Arrow, Cessna 182RG ou Mooney, precisa pensar nisso. Trem retrátil adiciona uns 10-15 nós de velocidade de cruzeiro, mas cobra um preço:
| Item | Trem Fixo | Trem Retrátil |
|---|---|---|
| Seguro RETA (casco + terceiros) | R$ 8.000–18.000/ano | R$ 14.000–30.000/ano |
| Inspeção anual do sistema | N/A | R$ 3.000–8.000 |
| Risco de gear-up landing | Zero | Real (acontece mais do que você imagina) |
| Custo de peças do trem | Muito baixo | R$ 5.000–25.000 por reparo |
| Habilitação adicional | Não | Sim (avião complexo no CIV) |
Seguradoras brasileiras cobram de 20% a 40% a mais no RETA para aeronaves com trem retrátil. E se você é piloto com menos de 500 horas totais, essa sobretaxa pode ser ainda maior.
Para primeiro avião de hobby: trem fixo. A economia no seguro e na manutenção ao longo de 5 anos paga um avião novo. Aqueles 15 nós a mais não compensam o estresse e o custo.
Lycoming ou Continental: qual motor tem mais suporte no Brasil?
Essa é a pergunta que todo mundo faz no hangar — e a resposta depende de onde você está e o que voa.
Lycoming domina o mercado brasileiro. A maioria dos Cessna e Piper mais populares (C150, C172, Cherokee, Tupi) vem com Lycoming. Isso significa:
- Maior estoque de peças no Brasil (importadores e estoque nacional)
- Mais mecânicos familiarizados
- Tempo de overhaul padrão: 2.000 horas ou 12 anos (TBO)
- Custo de overhaul: R$ 120.000–200.000 (motor O-320 / O-360)
Continental equipa boa parte da frota Cessna 182, 206, 210 e alguns experimentais. Peças são um pouco mais difíceis de encontrar no Brasil, mas não é um problema crítico:
- Estoque menor, mas importadores especializados atendem bem
- Overhaul levemente mais caro em média
- Motor IO-550 (Continental): R$ 180.000–280.000 de overhaul
- Tempo padrão: 1.700–2.000 horas dependendo do modelo
Ao avaliar uma aeronave, cheque quantas horas faltam para o TBO do motor. Um motor com 1.800h de 2.000h significa que você vai gastar R$ 150k+ em overhaul nos próximos 1-2 anos. Isso tem que entrar na negociação de preço.
Para motores de experimentais (Rotax 912/914, UL Power), a situação é diferente. O Rotax tem representante oficial no Brasil e rede de suporte razoável. Outros motores alternativos podem ter suporte limitado — pesquise bem antes de comprar.
Resumo prático
| Aspecto | Lycoming | Continental |
|---|---|---|
| Presença na frota brasileira | ~65% dos monomotores | ~30% dos monomotores |
| Disponibilidade de peças | Alta | Média-alta |
| Custo médio de overhaul | R$ 120k–200k | R$ 150k–280k |
| Mecânicos especializados | Muitos | Suficientes |
| Veredicto para 1º avião | ✅ Mais fácil | ✅ Viável (cheque estoque local) |
Quanto custa cada modelo popular no Brasil em 2026?
Esses são os preços praticados no mercado de usados em março de 2026. Os valores variam bastante dependendo das horas de célula, horas de motor, avionics e estado geral. Considere como faixa de referência:
Certificados
| Modelo | Lugares | Faixa de Preço (R$) | Velocidade Cruzeiro | Observação |
|---|---|---|---|---|
| Paulistinha (Neiva P-56) | 2 | 80.000–180.000 | 65 kt | Clássico brasileiro, peças escassas |
| Aero Boero 115 | 2 | 120.000–250.000 | 80 kt | Bom para aeroclubes, operação em grama |
| Cessna 150/152 | 2 | 180.000–350.000 | 95 kt | O treinador mais popular, baixo custo |
| Piper Cherokee 140 | 4 | 250.000–450.000 | 110 kt | Asa baixa, confortável, barato de manter |
| Cessna 172 (Skyhawk) | 4 | 350.000–700.000 | 120 kt | O favorito universal, valor de revenda forte |
| Piper Arrow (PA-28R) | 4 | 400.000–700.000 | 135 kt | Trem retrátil, avião de viagem |
| Cessna 182 (Skylane) | 4 | 500.000–900.000 | 140 kt | Motor forte, desempenho curto, ideal para Brasil |
| Piper Seneca II | 6 | 600.000–1.200.000 | 170 kt | Bimotor de entrada, custo alto |
Experimentais
| Modelo | Lugares | Faixa de Preço (R$) | Velocidade Cruzeiro | Observação |
|---|---|---|---|---|
| Rans S-7 / S-12 | 2 | 100.000–200.000 | 75 kt | Ultraleve, manutenção simples |
| Van's RV-7/RV-9 | 2 | 350.000–650.000 | 150–165 kt | Esportivo, rápido, muito popular |
| Super Petrel LS | 2 | 500.000–800.000 | 100 kt | Anfíbio brasileiro, exportado para o mundo |
| Van's RV-10 | 4 | 700.000–1.200.000 | 165 kt | 4 lugares, IFR capable, avião de viagem sério |
| Sling TSi | 4 | 800.000–1.300.000 | 140 kt | Moderno, motor Rotax 915iS turbo |
Esses valores são para aeronaves no Brasil, nacionalizadas e com documentação regular. Aeronaves importadas ainda não nacionalizadas podem custar 20-30% menos lá fora, mas o processo de importação adiciona 15-25% em impostos e taxas.
Para entender o custo mensal de manter qualquer um desses modelos, leia nosso artigo sobre custo de piloto de hobby no Brasil em 2026.
Aeronave importada ou nacional: como funciona o registro na ANAC?
Comprar avião nos EUA e trazer para o Brasil é uma rota que muitos pilotos consideram — especialmente porque a frota americana de usados é gigantesca e, em dólar, os preços parecem atrativos. Mas o processo tem etapas e custos que precisam entrar na conta.
Passo a passo da importação
- Compra nos EUA — O avião precisa estar com todas as ADs (Airworthiness Directives) cumpridas e documentação FAA em dia
- Export Certificate of Airworthiness — Emitido pela FAA, certifica que o avião está aeronavegável para exportação
- Ferry flight ou transporte — Voar o avião até o Brasil (via Caribe/Venezuela) ou desmontá-lo em contêiner. Ferry flight: R$ 30.000–80.000. Contêiner: R$ 40.000–100.000
- Desembaraço aduaneiro — Impostos de importação: II (14%), IPI (5-10%), PIS/COFINS (9,25%), ICMS (varia por estado, 4-18%). Total de impostos: 25-40% sobre o valor CIF
- Inspeção de conformidade — Uma oficina homologada pela ANAC inspeciona a aeronave e verifica conformidade com os requisitos brasileiros (RBAC 21)
- Registro no RAB — Registro Aeronáutico Brasileiro. Emissão do certificado de matrícula (PP-XXX) e certificado de aeronavegabilidade
- Seguro RETA — Obrigatório antes de voar no Brasil
Custos aproximados da importação
| Etapa | Custo Estimado (R$) |
|---|---|
| Transporte (ferry ou contêiner) | 30.000–100.000 |
| Impostos (25-40% do valor CIF) | Variável (ex: avião de US$ 80k = R$ 100k–180k em impostos) |
| Despachante aduaneiro | 5.000–15.000 |
| Inspeção de conformidade | 10.000–30.000 |
| Taxas ANAC (registro RAB) | 2.000–5.000 |
| Total adicional estimado | R$ 80.000–250.000+ |
Veredicto: Importar compensa para aeronaves de valor mais alto (Cessna 182, Bonanza, Cirrus) onde a diferença de preço entre Brasil e EUA é grande. Para um Cessna 172 de R$ 400k, a importação raramente vale — os custos extras comem quase toda a economia.
Registro no RAB — aeronave já no Brasil
Se você está comprando uma aeronave que já está nacionalizada, o processo é mais simples:
- Contrato de compra e venda (com firma reconhecida)
- Requerimento de transferência no RAB (ANAC)
- Vistoria técnica (se exigida pela ANAC)
- Pagamento de taxas ANAC
- Emissão de novo certificado de matrícula em seu nome
- Prazo médio: 30-90 dias (dependendo da fila na ANAC)
Quanto custa a hangaragem por região?
Hangaragem é o segundo maior custo fixo depois do seguro — e varia absurdamente de acordo com o aeroporto.
| Local | Tipo | Custo Mensal (R$) | Observação |
|---|---|---|---|
| SBMT (Campo de Marte, SP) | Hangar coletivo | 2.500–4.000 | Alta demanda, fila de espera |
| SBMT | Hangar individual | 5.000–10.000 | Raridade, contratos longos |
| SBJR (Jacarepaguá, RJ) | Hangar coletivo | 2.000–3.500 | Boa opção para RJ |
| SBRJ (Santos Dumont, RJ) | Não há hangaragem GA | N/A | Apenas aviação comercial/executiva |
| SDCO (Amarais, Campinas) | Hangar coletivo | 1.200–2.500 | Popular para interior SP |
| Aeroclubes interior SP | Hangar coletivo | 800–1.800 | Jundiaí, Sorocaba, Piracicaba |
| Aeroclubes interior MG/PR/SC | Hangar coletivo | 600–1.500 | Opções mais acessíveis do país |
| SBBH (Pampulha, BH) | Hangar coletivo | 1.500–3.000 | Demanda crescente |
| SSRS/SBAR (Porto Alegre/Aracaju) | Hangar coletivo | 1.000–2.500 | Varia muito por aeródromo |
Nunca deixe avião no pátio (tiedown) como solução permanente no Brasil. Sol, chuva e granizo destroem acabamento, aviônicos e vedações. A economia de R$ 1.500/mês vai custar R$ 30.000+ em reparos em 2-3 anos.
Dica: Se você mora em São Paulo capital e quer economizar, considere basear o avião em Jundiaí (SDJD), Sorocaba (SDCO) ou Bragança Paulista. A hangaragem custa metade do Campo de Marte, e esses aeroportos são a 1h de carro.
Quanto custa o seguro por tipo de aeronave?
O seguro RETA (Responsabilidade do Explorador e Transportador Aéreo) é obrigatório para operar qualquer aeronave no Brasil. Ele cobre danos a terceiros (passageiros e pessoas em solo). O seguro de casco (contra perda total ou danos à sua aeronave) é opcional, mas altamente recomendado.
| Tipo de Aeronave | RETA (terceiros) /ano | Casco (opcional) /ano | Total Aproximado /ano |
|---|---|---|---|
| Cessna 150/152 | R$ 3.500–6.000 | R$ 5.000–10.000 | R$ 8.500–16.000 |
| Cessna 172 / Cherokee | R$ 5.000–8.000 | R$ 8.000–18.000 | R$ 13.000–26.000 |
| Cessna 182 / Arrow | R$ 6.000–10.000 | R$ 12.000–25.000 | R$ 18.000–35.000 |
| Experimental 2 lugares | R$ 4.000–7.000 | R$ 6.000–15.000 | R$ 10.000–22.000 |
| Experimental 4 lugares (RV-10) | R$ 5.000–9.000 | R$ 10.000–22.000 | R$ 15.000–31.000 |
| Bimotor (Seneca/Baron) | R$ 10.000–18.000 | R$ 25.000–55.000 | R$ 35.000–73.000 |
Fatores que afetam o prêmio:
- Horas totais do piloto (menos de 500h = sobretaxa)
- Trem retrátil (+20-40%)
- Histórico de sinistros
- Região de operação
- Uso IFR vs apenas VFR
- Idade da aeronave
As principais seguradoras de aviação no Brasil são: Austral Seguradora, Ezze Seguros, Chubb e Mapfre. Sempre cote com pelo menos 3 corretores especializados em aviação.
Checklist de inspeção pré-compra: o que verificar antes de fechar negócio?
Nunca — nunca — compre um avião sem uma inspeção pré-compra feita por um mecânico de sua confiança (não o do vendedor). Essa inspeção custa entre R$ 3.000 e R$ 8.000 dependendo do modelo, e pode te salvar de uma furada de R$ 100.000+.
Documentação (verificar ANTES da inspeção física)
- [ ] Certificado de matrícula (RAB) em nome do vendedor
- [ ] Certificado de aeronavegabilidade (CA) válido
- [ ] Ficha de inspeção anual (IAM) em dia
- [ ] Cadernetas de célula e motor — completas, sem lacunas
- [ ] Diretivas de aeronavegabilidade (DA/AD) — todas cumpridas
- [ ] Boletins de serviço — verificar quais foram implementados
- [ ] Logs de manutenção — todas as intervenções registradas
- [ ] Histórico de proprietários — consultar no RAB
- [ ] Débitos ou gravames — checar se não há pendências financeiras
- [ ] RETA vigente — seguro obrigatório ativo
Inspeção física — o que seu mecânico deve olhar
- [ ] Motor: compressão dos cilindros (mínimo 60/80 para Lycoming), vazamentos de óleo, condição dos magnetos, análise de óleo recente
- [ ] Hélice: trincas, erosão, balanceamento, horas desde overhaul
- [ ] Célula: corrosão (especialmente em aeronaves que operaram no litoral), trincas na longarina, estado da fuselagem
- [ ] Superfícies de controle: folgas, desgaste das articulações, cabos de comando
- [ ] Trem de pouso: amortecedores, pneus, freios, condição dos discos
- [ ] Aviônicos: funcionamento de rádio, transponder, GPS, instrumentos de voo
- [ ] Sistema elétrico: bateria, alternador, fiação (especialmente em aviões antigos)
- [ ] Sistema de combustível: tanques sem vazamentos, seletora funcionando, indicadores calibrados
- [ ] Pitot-estática: teste do sistema (checar altímetro, velocímetro, variômetro)
- [ ] Interior: bancos, cintos, canopy/janelas, carpete (procure sinais de umidade/mofo)
Fuja se encontrar: cadernetas com páginas faltando, motor "mid-time" sem documentação de overhaul, aeronave que ficou parada mais de 2 anos sem preservação, sinais de pouso forçado ou reparos estruturais não documentados, ou vendedor que resiste à inspeção pré-compra.
Quais os erros mais comuns de quem compra o primeiro avião?
Depois de conversar com dezenas de proprietários e mecânicos, esses são os erros que mais se repetem:
1. Comprar mais avião do que precisa
O piloto com 200 horas que compra um Bonanza V-tail porque "é bonito". Resultado: seguro caríssimo, manutenção complexa, medo de voar o avião. Compre o avião certo para suas próximas 200 horas, não para o piloto que você quer ser daqui a 5 anos.
2. Ignorar as horas de motor
Um Cessna 172 "barato" com motor a 50 horas do TBO significa que você vai gastar R$ 150.000 em overhaul em breve. Sempre calcule o custo total: preço de compra + overhaul pendente + itens de AD não cumpridos.
3. Não ter reserva financeira
Regra de ouro: tenha pelo menos 30% do valor do avião em reserva para manutenção imprevista no primeiro ano. Motor que precisa de cilindro novo, hélice que reprova no overhaul, aviônico que queima — sempre acontece algo.
4. Basear no aeródromo errado
O cara compra o avião, bota no Campo de Marte pagando R$ 4.000/mês, e depois descobre que voa só 3 horas por mês. Faz a conta: R$ 4.000 ÷ 3 horas = R$ 1.333/hora só de hangaragem. Escolha a base antes de comprar.
5. Não verificar se o modelo tem suporte no Brasil
Comprar um avião "exótico" com motor ou peças sem representante no Brasil é receita para ficar no chão meses esperando peça dos EUA. Pipers, Cessnas e RVs têm ecossistema no Brasil. Um Socata ou Grumman pode ser aventura.
6. Comprar pela emoção
Você voou o avião, adorou, e quer fechar na hora. Respira. Leva seu mecânico. Pede as cadernetas. Consulta o RAB. Faz o teste de compressão. A emoção passa — a dívida com manutenção fica.
7. Não considerar o custo de transição
Se você sempre voou Cessna 172 e compra um Piper Arrow, vai precisar de instrução de transição (10-20 horas). Se compra um experimental, precisa adaptar-se a características de voo diferentes. Coloque R$ 5.000–15.000 de instrução adicional no orçamento.
Sociedade de aeronave: vale a pena dividir o avião?
Para muitos pilotos de hobby, a sociedade é o caminho mais inteligente para o primeiro avião. Em vez de bancar sozinho R$ 5.000–6.000/mês de custos fixos, você divide com 2-3 sócios e paga R$ 1.500–2.000 cada.
As vantagens são claras:
- Custo fixo diluído entre os sócios
- O avião voa mais (bom para o motor — avião parado estraga)
- Compartilha responsabilidades de manutenção
- Menos pressão financeira para voar "para justificar"
As desvantagens também existem:
- Conflitos de agenda (especialmente feriados e férias)
- Divergência sobre manutenção e melhorias
- Risco de sócio que para de pagar
- Dificuldade para vender sua parte
A sociedade que mais funciona no Brasil: 3 sócios, contrato formalizado, PJ (LTDA ou SCP), conta bancária separada, sistema de agendamento digital e regras claras para saída de sócio.
Escrevemos um artigo completo sobre como montar uma sociedade que funciona: Sociedade de Aeronave: Como Dividir um Avião.
Onde encontrar aviões à venda no Brasil?
O mercado de aeronaves usadas no Brasil é menor que o americano, mas tem canais consolidados:
Sites especializados
- Aeronaves Online (aeronaveonline.com.br) — O maior classificado de aeronaves do Brasil
- Hangar67 (hangar67.com.br) — Classificados e conteúdo para aviação geral
- Controller.com — Para buscar aeronaves nos EUA (importação)
- Trade-A-Plane — Outro classificado americano importante
Redes sociais e comunidades
- Grupos de Facebook: "Aeronaves à Venda", "Aviação Geral Brasil", "Pilotos Proprietários"
- Instagram: Perfis de revendedores e oficinas
- WhatsApp: Grupos de aeroclubes e associações — as melhores ofertas muitas vezes circulam aqui antes de chegar aos classificados
Presencialmente
- Aeroclubes e aeroportos: Converse com pilotos e mecânicos. Muitas vendas acontecem por indicação
- Eventos de aviação: AeroShow, LABACE — oportunidade de ver aeronaves e falar com proprietários
- Oficinas de manutenção: Mecânicos sabem quem quer vender e qual avião está bem cuidado
As melhores compras geralmente não estão nos classificados. São aviões de proprietários conhecidos na comunidade, bem cuidados, que vendem por indicação. Frequente seu aeroclube, faça amizade com mecânicos, e as oportunidades aparecem.
Perguntas Frequentes
Preciso de CNPJ para ter avião no Brasil?
Não. Pessoa física pode ser proprietária de aeronave no Brasil e registrar no RAB normalmente. Porém, se você vai montar uma sociedade com outros pilotos, uma PJ (LTDA ou SCP) facilita a gestão e protege os sócios juridicamente.
Qual o avião mais barato para manter no Brasil?
Em termos de custo total (hangaragem, seguro, manutenção, combustível), o Cessna 150/152 e o Aero Boero 115 são os mais econômicos entre os certificados. Para experimentais, os ultraleves com motor Rotax 912 têm o menor custo operacional — mas servem apenas para 1-2 pessoas.
Quanto tempo demora a transferência de propriedade na ANAC?
O processo de transferência no RAB leva em média 30 a 90 dias. Recomenda-se usar um despachante aeronáutico experiente para evitar atrasos por documentação incompleta. O custo do despachante é de R$ 1.500–3.000.
Posso financiar a compra de um avião?
Sim, embora as opções sejam limitadas. Alguns bancos e financeiras trabalham com crédito para aeronaves, geralmente exigindo 30-40% de entrada, com prazos de 36-60 meses e taxas superiores ao crédito imobiliário. A aeronave fica alienada como garantia. Outra opção é consórcio de aeronaves (existem grupos específicos).
Vale mais a pena comprar avião ou alugar no aeroclube?
Depende de quantas horas você voa por mês. Abaixo de 6h/mês: aeroclube é mais econômico. Entre 6-10h/mês: sociedade de aeronave começa a fazer sentido. Acima de 10h/mês: avião próprio pode compensar financeiramente — e com certeza compensa em liberdade e prazer de voar. Fizemos a conta completa no artigo sobre custo de piloto hobby.
Fontes e Referências
- ANAC — Agência Nacional de Aviação Civil. Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB). Consulta de aeronaves, regulamentos RBAC 21, 43, 91.
- RBAC 91 — Regras Gerais de Operação para Aeronaves Civis. ANAC, 2024.
- RBAC 43 — Manutenção, Manutenção Preventiva, Reconstrução e Alteração. ANAC, 2023.
- RBHA 103 / RBAC 21 Subparte H — Regulamentação de aeronaves experimentais no Brasil.
- Austral Seguradora / Ezze Seguros — Tabelas de prêmio RETA para aviação geral, 2025-2026.
- Aeronaves Online — Classificados de aeronaves, levantamento de preços de mercado, março/2026.
- ABAG — Associação Brasileira de Aviação Geral. Relatório anual do setor, 2025.
- Lycoming / Continental Motors — Service bulletins e tabelas de TBO oficiais.
- AeroCopilot: Quanto Custa Ser Piloto de Hobby no Brasil
- AeroCopilot: Sociedade de Aeronave: Como Dividir um Avião
- AeroCopilot: Aeronaves Experimentais no Brasil: Guia PEX Completo
