AFIL é o plano de voo apresentado em voo, por radiotelefonia, a um órgão ATS. A ICA 100-11 o admite em qualquer órgão ATS, salvo onde as publicações aeronáuticas o proíbam, e exige que ele seja transmitido pelo menos 10 minutos antes de a aeronave chegar ao ponto de entrada num espaço aéreo onde o plano é obrigatório.
Neste artigo
- O que é o AFIL?
- Quando o AFIL é permitido?
- A quem o piloto transmite o AFIL?
- Qual o prazo para transmitir o AFIL?
- Quais dados o AFIL precisa conter?
- Como fica a transmissão na fraseologia?
- Qual a diferença entre o AFIL e outros planos passados por rádio?
- Perguntas frequentes
- Fontes e referências
O que é o AFIL?
Definição: "O Plano de Voo apresentado em voo por radiotelefonia é denominado AFIL" (ICA 100-11, item 2.2.7).
A sigla vem do inglês Air Filed Flight Plan, e o glossário do DECEA, o MCA 100-27, a traduz como "Plano de Voo Apresentado em Voo". A ICA 100-11 prevê a radiotelefonia como um dos meios de apresentação de plano de voo (item 2.2.1), ao lado da apresentação pessoal, da internet e do telefone ou fac-símile. O AFIL é o caso em que esse meio é usado com a aeronave já no ar.
O AFIL não é um quarto tipo de plano. A ICA 100-11 reconhece três tipos (PVC, PVS e RPL, no item 2.1.1), e o AFIL é uma forma de apresentação com regras próprias. O guia do plano de voo ICAO mostra os formulários e os campos que ele reaproveita.
O AIP Brasil, na seção ENR 1.10, também lista a radiotelefonia entre os meios de apresentação (item 1.2.1). As regras específicas do AFIL, porém, estão no item 2.2.7 da ICA 100-11, que é a norma lida neste texto.
Quando o AFIL é permitido?
O item 2.2.7 da ICA 100-11 fixa três condições, e o texto é este:
"a) ser apresentado a qualquer órgão ATS, exceto para aqueles que seja explicitamente proibido, conforme divulgado nas publicações aeronáuticas; b) ser transmitido no momento em que haja certeza de que o órgão ATS adequado possa recebê-lo, em até, pelo menos, 10 (dez) minutos antes da hora em que a aeronave estime chegar ao ponto previsto de entrada em um espaço aéreo onde a apresentação do Plano de Voo é obrigatória; e c) fornecer os seguintes dados aos órgãos ATS: [...]"
A norma não enumera situações de uso do AFIL nem o descreve como recurso de exceção. Ela diz a quem, quando e o quê. O cenário que o próprio texto descreve é o da aeronave que está voando e vai entrar num espaço aéreo onde a apresentação do plano de voo é obrigatória.
Uma cautela de leitura: o item 2.3.1 da ICA 100-11 lista os casos em que a apresentação prévia do plano de voo é compulsória, entre eles o voo IFR, o VFR sujeito ao serviço de controle de tráfego aéreo e a operação em aeródromo provido de órgão ATS. A norma não diz, com todas as letras, como cada um desses casos se combina com o AFIL. Quando a dúvida for sobre um voo concreto, a resposta vem da Sala AIS ou do órgão ATS da região, e não de uma dedução.
A quem o piloto transmite o AFIL?
A qualquer órgão ATS, exceto os que as publicações aeronáuticas proíbam explicitamente de receber AFIL (item 2.2.7, alínea "a").
Definição: órgão dos serviços de tráfego aéreo, ou órgão ATS, é a "expressão genérica que se aplica, segundo o caso, a um órgão de controle de tráfego aéreo ou a um órgão de informação de voo" (ICA 100-12, Anexo VII). O órgão de controle, por sua vez, é o Centro de Controle de Área, o Controle de Aproximação ou a Torre de Controle de Aeródromo.
Pela definição, portanto, o AFIL pode ir a um ACC, a um APP, a uma TWR ou a um órgão de informação de voo. A alínea "b" acrescenta a condição de comunicação: o piloto transmite quando houver "certeza de que o órgão ATS adequado possa recebê-lo". Consultar as publicações da rota antes de decolar é o que revela se algum órgão está fora da lista.
A partir de 26 de novembro de 2026, o Anexo VII da ICA 100-12 é revogado e as definições passam a ser consultadas no MCA 100-27. A definição de órgão ATS não depende dessa mudança para este texto.
Qual o prazo para transmitir o AFIL?
O prazo conta para trás a partir da hora estimada de chegada ao ponto de entrada no espaço aéreo onde o plano é obrigatório. O AFIL tem de estar transmitido pelo menos 10 minutos antes dessa hora.
| Referência | O que a alínea "b" exige |
|---|---|
| Ponto de referência | Ponto previsto de entrada num espaço aéreo onde a apresentação do plano de voo é obrigatória |
| Hora de referência | A hora em que a aeronave estima chegar a esse ponto |
| Prazo mínimo | Pelo menos 10 minutos antes dessa hora |
| Condição de comunicação | Certeza de que o órgão ATS adequado pode receber a transmissão |
Um exemplo de conta: se a aeronave estima cruzar o limite de uma TMA às 14h30, o AFIL precisa ter sido transmitido até as 14h20. Transmitir antes é permitido; o texto fixa só o limite mais tardio.
Quais dados o AFIL precisa conter?
A alínea "c" do item 2.2.7 da ICA 100-11 diz quais dados o piloto fornece ao órgão ATS:
- "os previstos para o PVS, na mesma sequência, acrescidos da regra de voo e da categoria da esteira de turbulência";
- "quando o órgão ATS for o do aeródromo de destino, o código ANAC do piloto em comando e, pelo menos, os dados de origem do voo: o local de partida e a hora real de decolagem"; ou
- "aqueles definidos em publicação aeronáutica específica para determinado espaço aéreo".
Os dados previstos para o PVS são os do formulário do Anexo B da ICA 100-11. O MCA 100-11, manual de preenchimento dos formulários, traz os ajustes próprios do AFIL:
| Campo | O que muda no AFIL | Fonte |
|---|---|---|
| Item 13, hora | A hora real de decolagem, no lugar da EOBT | MCA 100-11, item 2.2.5.2 |
| Item 18, RMK/ | RMK/AFIL, seguido do local ou do órgão ATS onde se obtêm as informações suplementares | MCA 100-11, item 2.2.8.1.21, letra "h" |
| Item 19 | Pode ser omitido, com exceção do nome e código ANAC do piloto em comando, pessoas a bordo e autonomia | MCA 100-11, item 2.2.9.1 |
A regra da hora também está na ICA 100-12. O Art. 60 lista o conteúdo do plano de voo, e o parágrafo único diz que, "nos Planos de Voo apresentados em voo", a informação sobre a hora estimada de calços fora "será a hora real de decolagem".
O registro RMK/AFIL, segundo a nota do MCA 100-11, é inserido pelo órgão ATS que recebeu o AFIL, com os dados transmitidos pelo piloto. O piloto fala; quem escreve no plano é o órgão.
Como fica a transmissão na fraseologia?
O MCA 100-16, manual de fraseologia do DECEA, é de observância obrigatória para os pilotos (Art. 2º). No Art. 73, ele traz exemplos de fraseologia padronizada para o AFIL, e o exemplo mostra a ordem dos dados:
"PT VIC, mantendo condições visuais, solicita AFIL." "PT VIC, Centro Curitiba ciente, pronto para copiar o plano AFIL." "PT VIC, IFR, leve, E110, Nanuque aos 1126, 190 nós, FL 080, G678, SBBR, 0120, SBGO, 0320, pessoas a bordo 04, equipamentos V, sobrevivência J, coletes F, botes 02 para 08 lugares, cores branca e verde, código ANAC 999999."
Lida na ordem do formulário do PVS, com a regra de voo e a esteira acrescidas, a mensagem do exemplo se decompõe assim:
| Trecho transmitido | Dado |
|---|---|
| PT VIC | Identificação da aeronave |
| IFR, leve | Regra de voo e categoria da esteira de turbulência |
| E110 | Tipo de aeronave |
| Nanuque aos 1126 | Local de partida e hora real de decolagem |
| 190 nós, FL 080, G678 | Velocidade de cruzeiro, nível e rota |
| SBBR, 0120 | Aeródromo de destino e duração total prevista |
| SBGO | Aeródromo de alternativa |
| 0320, pessoas a bordo 04 | Autonomia e pessoas a bordo |
| Equipamentos, sobrevivência, coletes, botes, cores | Informações suplementares do Item 19 |
| Código ANAC 999999 | Código ANAC do piloto em comando |
Preparar essa sequência antes de chamar o órgão encurta a transmissão e reduz a chance de pedir repetição. A matéria de rádio está reunida na página de navegação aérea da Central de Estudos, junto com o conteúdo de plano de voo.
Qual a diferença entre o AFIL e outros planos passados por rádio?
A ICA 100-11 prevê mais duas situações em que o rádio entra na história do plano de voo, e nenhuma delas é AFIL:
| Situação | Quando acontece | Item da ICA 100-11 |
|---|---|---|
| AFIL | Plano apresentado com a aeronave em voo, por radiotelefonia, a um órgão ATS | 2.2.7 |
| PVS por radiotelefonia no solo | Plano simplificado passado ao órgão ATS do aeródromo de partida, só onde esse meio é explicitamente permitido nas publicações | 5.2.1, alínea "c" |
| Complemento no primeiro contato | Voo que partiu de local sem órgão ATS: o piloto informa a hora real de decolagem no primeiro contato | 2.2.6 |
O terceiro caso merece atenção. Pelo item 2.2.6, o serviço de alerta "somente será iniciado a partir do recebimento dessa informação", ou seja, da hora real de decolagem. O plano já foi apresentado antes; o que se passa por rádio é o complemento.
Para o conteúdo de cada campo do formulário completo, o post sobre os campos 3 a 19 do plano de voo ICAO detalha item por item, e o do Item 18 explica os indicadores como o RMK/.
Perguntas frequentes
O que significa AFIL no plano de voo?
AFIL é o plano de voo apresentado em voo, por radiotelefonia. A sigla vem do inglês Air Filed Flight Plan, e a definição está no item 2.2.7 da ICA 100-11.
O AFIL é um tipo de plano de voo?
Não. A ICA 100-11 reconhece três tipos de plano de voo: PVC, PVS e RPL. O AFIL é uma forma de apresentação, por radiotelefonia e com a aeronave em voo, com regras próprias no item 2.2.7.
Para quem o piloto transmite o AFIL?
Para qualquer órgão ATS, exceto aqueles em que as publicações aeronáuticas proíbam explicitamente o recebimento de AFIL, conforme o item 2.2.7 da ICA 100-11.
Com quanta antecedência o AFIL deve ser transmitido?
Pelo menos 10 minutos antes da hora em que a aeronave estima chegar ao ponto de entrada num espaço aéreo onde a apresentação do plano de voo é obrigatória (ICA 100-11, item 2.2.7, alínea "b").
Quais dados o piloto passa no AFIL?
Os dados previstos para o PVS, na mesma sequência, com a regra de voo e a categoria da esteira de turbulência. Se o órgão for o do aeródromo de destino, a norma pede o código ANAC do piloto em comando e, pelo menos, os dados de origem: local de partida e hora real de decolagem (ICA 100-11, item 2.2.7).
Que hora vai no Item 13 do AFIL?
A hora real de decolagem, no lugar da EOBT. A regra está no item 2.2.5.2 do MCA 100-11 e no parágrafo único do Art. 60 da ICA 100-12.
O AFIL só pode ser usado em emergência?
A ICA 100-11 não limita o AFIL a emergências nem enumera situações de uso. Ela fixa a quem transmitir, o prazo mínimo e os dados. Para um voo concreto, a Sala AIS ou o órgão ATS da região esclarece se o AFIL atende ao caso.
Quem escreve RMK/AFIL no plano?
O órgão ATS que recebeu o AFIL, com os dados transmitidos pelo piloto, segundo a nota do item 2.2.8.1.21 do MCA 100-11.
Fontes e referências
- ICA 100-11, Plano de Voo. DECEA, reedição aprovada pela Portaria DECEA nº 81/DGCEA, de 06/07/2017, com as modificações das Portarias nº 46/DGCEA, de 29/03/2018, e nº 17/DGCEA, de 15/01/2020. Itens 2.1.1, 2.2.1, 2.2.6, 2.2.7, 2.3.1, 5.2.1 e Anexo B. Disponível em: publicacoes.decea.mil.br.
- ICA 100-12, Regras do Ar. DECEA, Portaria DECEA/DNOR1 nº 1.536, de 31/10/2024. Art. 60 e Anexo VII. Disponível em: publicacoes.decea.mil.br.
- MCA 100-11, Preenchimento dos Formulários de Plano de Voo. DECEA, Portaria DECEA nº 267/DGCEA, de 13/11/2020. Itens 2.2.5.2, 2.2.8.1.21 e 2.2.9.1. Disponível em: publicacoes.decea.mil.br.
- MCA 100-16, Fraseologia de Tráfego Aéreo. DECEA, Portaria DECEA/DNOR1 nº 1.716, de 28/04/2025, em vigor desde 08/05/2025. Art. 73. O portal do DECEA anuncia alterações do manual para 26/11/2026. Disponível em: publicacoes.decea.mil.br.
- MCA 100-27, Glossário ATM. DECEA. Verbete AFIL. Disponível em: publicacoes.decea.mil.br.
- AIP Brasil, ENR 1.10, Planejamento de Voo. DECEA, ciclo AIRAC A 18-2026 (efetivo em 01/10/2026), item 1.2.1. Acesso em 28/09/2026: aisweb.decea.mil.br.
O AFIL resolve um problema real de quem já está voando, e ele funciona melhor quando o piloto chega ao rádio com os dados em ordem e o prazo contado. No AeroCopilot, o AFIL tem um fluxo próprio entre os planos de voo especiais do aplicativo.