ADS-B OUT será obrigatório no Brasil até 2030. Entenda os prazos, requisitos técnicos, custos de equipamento e o plano do DECEA para implementação.
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Perguntas Frequentes
Quando o ADS-B OUT será obrigatório no Brasil?
O DECEA estabeleceu implementação em fases. A Fase 1 (acima de FL245) já está em vigor para aeronaves novas. A Fase 2 (TMAs principais IFR) entra em 2026-2027. A Fase 3 (todo espaço controlado) em 2028-2029. O prazo final universal é 2030 para operações em espaço aéreo controlado.
Qual o custo para instalar ADS-B na minha aeronave?
O custo varia de US$ 2.000 a US$ 15.000 dependendo do equipamento existente. Se a aeronave já tem transponder Mode S com capacidade Extended Squitter, o upgrade pode custar US$ 2.000-4.000. Se precisa de transponder novo e GPS, o custo sobe para US$ 6.000-10.000. Inclua 30-50% adicional para instalação e certificação no Brasil.
Preciso de ADS-B para voar VFR em espaço não controlado?
Não. O mandato atual e planejado do DECEA exige ADS-B OUT apenas para operações em espaço aéreo controlado (Classe A a D). Operações VFR exclusivamente em espaço aéreo Classe G não estão sujeitas ao mandato. Porém, o ADS-B é recomendado para qualquer operação como medida de segurança adicional.
1090 ES ou UAT 978: qual escolher no Brasil?
No Brasil, a recomendação é 1090 ES. É o padrão ICAO adotado pelo DECEA, funciona em todas as altitudes e é compatível com TCAS. O UAT 978 ainda não foi oficialmente adotado no Brasil como alternativa ao 1090 ES. Se a aeronave opera internacionalmente, o 1090 ES é a única opção viável.
Meu transponder Mode S antigo serve para ADS-B?
Depende do modelo. Alguns transponders Mode S podem ser atualizados com software para suportar Extended Squitter (1090 ES). Porém, mesmo com o upgrade, pode ser necessário instalar um receptor GPS que atenda aos requisitos de NACp e NIC. Consulte a oficina autorizada para verificar a compatibilidade do seu transponder específico.
O ADS-B substitui o transponder?
Não completamente. O ADS-B OUT 1090 ES é uma função adicional do transponder Mode S. A aeronave continua precisando de transponder Mode S operacional para responder interrogações de radar secundário e TCAS. O ADS-B acrescenta a transmissão contínua de posição, mas não elimina a necessidade das funções Mode S tradicionais.
Como o ADS-B afeta o meu plano de voo?
O ADS-B OUT deve ser declarado no Item 10 do plano de voo ICAO. O código B1 (1090 ES) ou B2 (UAT) deve ser incluído no campo de equipamento, e EB1 ou EB2 no campo de vigilância. A declaração incorreta pode resultar em restrições de rota pelo ATC ou na não aprovação do plano de voo em espaço aéreo que exige ADS-B.
Existe fiscalização para aeronaves sem ADS-B?
Durante as fases iniciais, o DECEA tem adotado postura educativa, mas a tendência é de fiscalização progressiva. Nos EUA, após o mandato de 2020, aeronaves sem ADS-B em espaço aéreo que exige o equipamento estão sujeitas a violação e multa. O Brasil deve seguir padrão semelhante após 2030.
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O ADS-B (Automatic Dependent Surveillance-Broadcast) está transformando a vigilância aérea no mundo inteiro, e o Brasil tem um prazo definido para a obrigatoriedade. O DECEA publicou o plano de implementação que torna o ADS-B OUT obrigatório em fases, com prazo final em 2030 para operações em espaço aéreo controlado. Este guia explica o que é o ADS-B, os requisitos técnicos, os custos para a aviação geral e o cronograma de implementação no Brasil.
O ADS-B é um sistema de vigilância aérea em que a aeronave transmite automaticamente sua posição, altitude, velocidade e identificação por meio de um sinal de rádio. Diferente do radar convencional, que depende de um equipamento em solo para interrogar a aeronave, o ADS-B é "dependente" porque a aeronave determina sua própria posição (via GNSS/GPS) e a transmite continuamente.
Definição: ADS-B (Automatic Dependent Surveillance-Broadcast) é um sistema de vigilância em que a aeronave determina automaticamente sua posição via satélite (GNSS) e a transmite periodicamente por broadcast, permitindo que estações em solo e outras aeronaves recebam a informação sem necessidade de interrogação radar.
O sistema funciona em três componentes principais:
Fonte de posição — receptor GNSS/GPS que fornece posição tridimensional com precisão e integridade
Transmissor ADS-B OUT — transponder que codifica e transmite os dados de posição, altitude, velocidade e identificação
Receptor em solo ou aerotransportado — estações terrestres ADS-B que recebem os dados e os integram ao sistema de controle de tráfego aéreo, ou receptores ADS-B IN a bordo de outras aeronaves
O ADS-B transmite dados a cada segundo, contra atualizações de 4 a 12 segundos do radar primário e secundário. Essa taxa de atualização superior permite ao ATC uma imagem de tráfego mais precisa e em tempo real.
O conceito surgiu nos anos 1990 e foi desenvolvido inicialmente pela FAA nos Estados Unidos e pela Eurocontrol na Europa. O Brasil começou a estudar a implementação no início dos anos 2010, com os primeiros testes operacionais conduzidos pelo DECEA na TMA-SP (São Paulo) em 2015.
A ICAO reconhece o ADS-B como um dos pilares do ASBU (Aviation System Block Upgrades), o plano global de modernização da navegação aérea. O Doc 9871 da ICAO (Technical Provisions for Mode S Services and Extended Squitter) define os padrões técnicos que o Brasil adota.
Como o ADS-B se compara ao radar
Característica
Radar primário
Radar secundário (SSR)
ADS-B
Princípio
Reflexão de sinal
Interrogação-resposta
Broadcast autônomo
Precisão horizontal
0,25 NM
0,1 NM
0,05 NM (30 m)
Atualização
4-12 segundos
4-12 segundos
1 segundo
Identificação
Não
Sim (código Mode A)
Sim (24-bit address)
Altitude
Não confiável
Mode C (100 ft)
GNSS (25 ft)
Cobertura
Linha de visada do radar
Linha de visada do radar
Qualquer estação receptora
Custo de infraestrutura
Muito alto
Alto
Baixo
Manutenção
Complexa
Complexa
Simples
A principal vantagem do ADS-B é a cobertura. Uma estação receptora ADS-B custa uma fração do preço de um radar e pode ser instalada em regiões remotas. Para o Brasil, com sua extensão continental e áreas como a Amazônia onde não há cobertura radar, o ADS-B é a solução mais viável para vigilância universal.
Componentes da cadeia ADS-B
A cadeia completa do ADS-B envolve quatro elementos que devem funcionar em conjunto:
Fonte de posição GNSS — o receptor GPS deve atender aos requisitos de integridade (NIC, NACp, SIL). Receptores GPS antigos de navegação podem não atender esses requisitos, mesmo sendo perfeitamente funcionais para navegação VFR e IFR
Transponder ADS-B OUT — deve ser capaz de codificar e transmitir os dados de posição no formato 1090 ES (Extended Squitter). Transponders Mode S antigos podem não ter essa capacidade
Antena — a antena do transponder deve estar posicionada para garantir cobertura adequada. Antenas instaladas na parte inferior da fuselagem podem ter sombra em determinadas atitudes de voo
Rede de estações em solo — as estações receptoras devem estar posicionadas para cobrir o espaço aéreo de operação. Sem estações em solo, o ADS-B OUT transmite mas ninguém recebe
A falha de qualquer componente degrada ou invalida a vigilância ADS-B. Por isso, o sistema convencional (radar secundário) permanece como backup durante todo o período de transição.
ADS-B OUT vs ADS-B IN: qual a diferença?
O ADS-B tem dois componentes independentes: ADS-B OUT (transmissão) e ADS-B IN (recepção). O mandato brasileiro, assim como os mandatos americano e europeu, foca inicialmente no ADS-B OUT.
ADS-B OUT
O ADS-B OUT é a função de transmissão. A aeronave transmite continuamente:
Posição horizontal (latitude e longitude via GNSS)
Altitude barométrica e geométrica
Velocidade (ground speed e track angle)
Identificação (endereço ICAO de 24 bits e callsign)
Categoria de aeronave (leve, média, pesada)
Integridade da posição (NIC, NAC, SIL)
O ADS-B OUT é o que o controle de tráfego aéreo utiliza para vigilância. É o componente obrigatório nos mandatos de implementação.
ADS-B IN
O ADS-B IN é a função de recepção. A aeronave equipada com ADS-B IN recebe as transmissões de outras aeronaves e de estações em solo, apresentando-as em um display na cabine. Isso proporciona:
Consciência situacional de tráfego (Traffic Information Service-Broadcast, TIS-B)
Informações meteorológicas (Flight Information Service-Broadcast, FIS-B)
Visualização de conflitos sem depender de TCAS
Definição: ADS-B IN é a capacidade de receber transmissões ADS-B de outras aeronaves e de estações em solo, exibindo informações de tráfego e meteorologia na cabine. Diferente do ADS-B OUT, o ADS-B IN não é objeto de mandato obrigatório no Brasil.
Componente
Função
Obrigatoriedade Brasil
Benefício principal
ADS-B OUT
Transmissão
Obrigatório (fases)
Vigilância ATC
ADS-B IN
Recepção
Não obrigatório
Consciência situacional
TIS-B
Tráfego via broadcast
Depende de infra solo
Tráfego na cabine
FIS-B
Meteorologia via broadcast
Não implementado Brasil
METAR/TAF na cabine
Cronograma de obrigatoriedade no Brasil
O DECEA estabeleceu um plano de implementação progressiva do ADS-B OUT no Brasil, com fases que variam conforme o tipo de operação e a classe do espaço aéreo. O cronograma segue a estrutura do Plano de Navegação Aérea do Brasil (PNAV-BR) e está alinhado com as recomendações do ICAO GANP (Global Air Navigation Plan).
Fases de implementação
Fase
Prazo
Escopo
Requisito
Fase 1
2024-2025
Espaço aéreo superior (acima de FL245)
ADS-B OUT 1090 ES para aeronaves novas
Fase 2
2026-2027
TMAs principais (SBGR, SBRJ, SBSP, SBCF)
ADS-B OUT para operações IFR
Fase 3
2028-2029
Todo espaço aéreo controlado (Classe A a D)
ADS-B OUT para todas as aeronaves
Fase 4
2030
Prazo final universal
ADS-B OUT obrigatório em espaço controlado
A Fase 1 já está em vigor e afeta principalmente aeronaves de transporte aéreo regular. A Fase 2 tem impacto significativo na aviação executiva e geral que opera IFR nas TMAs mais movimentadas do país.
O cronograma brasileiro é considerado realista pela comunidade aeronáutica. Diferente dos EUA, que estabeleceram uma data única para todo o espaço controlado, o Brasil optou por uma abordagem escalonada que permite a adaptação progressiva da frota. Essa estratégia reduz o risco de gargalo nas oficinas de manutenção e de escassez de equipamentos no mercado.
Para cada fase, o DECEA publica AICs (Aeronautical Information Circulars) detalhando os requisitos específicos, os espaços aéreos afetados e os procedimentos para aeronaves que ainda não atendem ao mandato. Pilotos e operadores devem acompanhar essas publicações no portal AISWEB (aisweb.decea.mil.br).
Exceções e períodos de transição
O DECEA prevê exceções temporárias para:
Aeronaves de Estado (militares, policiais, bombeiros) com cronograma próprio
Aeronaves experimentais com operação limitada a áreas específicas
Aeronaves antigas (fabricação anterior a determinado ano) com período de transição estendido
Operações VFR em espaço aéreo não controlado (Classe G) sem prazo definido
Para aeronaves que operam exclusivamente em espaço aéreo Classe G (não controlado), o ADS-B OUT não será obrigatório na fase inicial. Porém, a tendência é que o mandato se estenda progressivamente. Para entender as diferentes classes do espaço aéreo brasileiro, consulte o artigo específico.
Requisitos técnicos: 1090 ES vs UAT 978
O ADS-B pode operar em dois data links distintos: 1090 MHz Extended Squitter (1090 ES) e Universal Access Transceiver (UAT) na frequência de 978 MHz. A escolha do data link determina o equipamento necessário e a interoperabilidade com outros sistemas.
1090 ES (1090 MHz Extended Squitter)
O 1090 ES utiliza a mesma frequência do transponder Mode S (1090 MHz) e é o padrão adotado pela ICAO para operações internacionais. No Brasil, o 1090 ES é o data link primário para ADS-B OUT.
Vantagens do 1090 ES:
Compatível com transponders Mode S existentes (upgrade possível)
Padrão ICAO internacional
Funciona em todos os níveis de voo
Compatível com TCAS (Traffic Collision Avoidance System)
UAT 978 MHz
O UAT opera na frequência de 978 MHz e foi desenvolvido nos EUA especificamente para aviação geral operando abaixo de FL180. No Brasil, o UAT 978 ainda não foi adotado como alternativa oficial, mas está em estudo.
Característica
1090 ES
UAT 978
Frequência
1090 MHz
978 MHz
Padrão
ICAO global
FAA (EUA)
Altitude máxima
Ilimitada
FL180 (EUA)
Adoção Brasil
Primário
Em estudo
Compatível TCAS
Sim
Não
Custo típico
US$ 2.000-8.000
US$ 1.500-4.000
Upgrade de Mode S
Possível em alguns
Equipamento separado
Requisitos de performance
O ADS-B OUT exige parâmetros específicos de performance do receptor GNSS:
Parâmetro
Requisito
Significado
NACp (Navigation Accuracy Category-Position)
Igual ou superior a 8
Precisão horizontal de 92,6 m ou melhor
NACv (Navigation Accuracy Category-Velocity)
Igual ou superior a 1
Precisão de velocidade de 10 m/s ou melhor
NIC (Navigation Integrity Category)
Igual ou superior a 7
Raio de contenção de 370,4 m ou melhor
SIL (Surveillance Integrity Level)
Igual ou superior a 3
Probabilidade de posição fora do NIC menor que 10^-7 por hora
SDA (System Design Assurance)
Igual ou superior a 2
Assurance level para o sistema
Esses parâmetros garantem que a posição transmitida pelo ADS-B é precisa e confiável para uso em separação de tráfego pelo ATC. Receptores GPS antigos podem não atender a esses requisitos, exigindo upgrade do receptor GNSS além do transponder.
Custos de equipamento e instalação para aviação geral
O custo de implementação do ADS-B OUT é uma das maiores preocupações da aviação geral brasileira. Os valores variam significativamente conforme o equipamento existente na aeronave e o tipo de upgrade necessário.
Cenários de custo
Cenário
Equipamento existente
Upgrade necessário
Custo estimado (USD)
A
Transponder Mode S com Extended Squitter
Atualização de software + GPS
US$ 2.000-4.000
B
Transponder Mode S sem ES
Novo transponder 1090 ES + GPS
US$ 4.000-7.000
C
Transponder Mode A/C antigo
Transponder completo + GPS + antena
US$ 6.000-10.000
D
Sem transponder (VFR básico)
Instalação completa
US$ 8.000-15.000
Além do equipamento, a instalação envolve:
Mão de obra certificada — oficina homologada pela ANAC (RBAC 145)
Antena GPS — posicionamento no topo da fuselagem
Cabeamento — conexões entre GPS, transponder e pitot-static
Certificação — STC (Supplemental Type Certificate) para a instalação
Teste de voo — verificação funcional após instalação
Equipamentos populares para aviação geral
Os equipamentos mais comuns no mercado para ADS-B OUT na aviação geral incluem:
Fabricante
Modelo
Tipo
Preço aproximado (USD)
Garmin
GTX 345
Transponder 1090 ES + ADS-B IN
US$ 5.500
Garmin
GDL 88
ADS-B OUT add-on para GTX 330
US$ 3.000
Appareo
Stratus ESG
1090 ES + GPS integrado
US$ 3.000
uAvionix
tailBeaconX
1090 ES em formato tail beacon
US$ 2.200
Lynx (L3)
NGT-9000
1090 ES + ADS-B IN + GPS
US$ 6.000
O custo total com instalação no Brasil pode ser 30% a 50% superior aos valores dos EUA devido à importação, tributação e disponibilidade limitada de oficinas especializadas.
Financiamento e incentivos
Diferente dos EUA, onde houve programas de incentivo do FAA (rebate program), o Brasil ainda não anunciou incentivos financeiros para a transição ao ADS-B. A ABAG (Associação Brasileira de Aviação Geral) e o AOPA Brasil têm pressionado por linhas de financiamento específicas para facilitar a transição, especialmente para proprietários de aeronaves monomotoras.
Impacto no plano de voo e Item 10
A instalação do ADS-B OUT impacta diretamente o preenchimento do plano de voo ICAO, especialmente os campos Item 10 (equipamento e capacidade) e Item 18 (informações suplementares). Para detalhes sobre o preenchimento do Item 18, consulte o guia completo.
Códigos de equipamento ADS-B no Item 10
Código Item 10a
Equipamento
Descrição
E1
FMC WPR ACARS
FANS 1/A CPDLC
E2
D-FIS ACARS
Datalink
E3
PDC ACARS
Pre-departure clearance
B1
ADS-B OUT 1090 ES
Extended Squitter
B2
ADS-B OUT UAT 978
Universal Access Transceiver
U1
ADS-B OUT 1090 ES + IN
Transmissão e recepção
U2
ADS-B OUT UAT + IN
Transmissão e recepção
V1
ADS-B IN (VDL Mode 4)
Recepção apenas
V2
ADS-B IN (1090 ES)
Recepção apenas
Códigos de vigilância no Item 10b
Código
Significado
N
Sem equipamento de vigilância
A
Transponder Mode A
C
Transponder Mode A + C
S
Transponder Mode S com altitude e identificação
EB1
ADS-B OUT 1090 ES com transponder
EB2
ADS-B OUT UAT
Para uma aeronave com transponder Mode S e ADS-B OUT 1090 ES, o Item 10 ficaria: SB1/EB1 (comunicação standard, ADS-B OUT 1090 ES / vigilância Mode S com ADS-B OUT). Para entender como os erros comuns no planejamento de voo incluem códigos de equipamento incorretos, consulte o artigo específico.
Benefícios operacionais do ADS-B
O ADS-B traz benefícios significativos para todos os envolvidos: pilotos, ATC, operadores e a aviação como um todo.
Para o controle de tráfego aéreo
Vigilância em áreas sem radar — cobertura na Amazônia, regiões remotas e oceânicas
Separação reduzida — de 5 NM (radar) para 3 NM em áreas com ADS-B
Atualização mais rápida — 1 segundo vs 4-12 segundos do radar
Menor custo de infraestrutura — estação ADS-B custa 10x menos que um radar
Detecção de desvio — identificação imediata de desvios de rota ou altitude
Para pilotos e operadores
Rotas mais diretas — vigilância contínua permite rotas otimizadas
Economia de combustível — rotas mais curtas e separações reduzidas
Segurança aprimorada — consciência situacional com ADS-B IN
Menor tempo de voo — menos espera e vetores do ATC
Busca e salvamento — posição precisa em caso de emergência
Estimativa de economia operacional
Benefício
Impacto estimado
Base
Redução de distância de rota
2-5%
Rotas mais diretas
Economia de combustível
3-7%
Rotas + separação otimizada
Redução de holding
10-20%
Vigilância precisa
Redução de separação
40% (5 NM para 3 NM)
ADS-B vs radar
Comparação com mandatos dos EUA e Europa
O mandato brasileiro está posicionado entre os mandatos americano e europeu em termos de cronograma. Comparar com a experiência desses países ajuda a entender o que esperar no Brasil.
Timeline comparativo
País/Região
Data do mandato
Escopo
Data link
EUA (FAA)
01/01/2020
Espaço controlado Classe A-C + acima de 10.000 ft
1090 ES + UAT 978
Europa (EASA)
07/06/2020
Acima de FL245 (todas) + abaixo com Mode S novo
1090 ES apenas
Austrália (CASA)
02/02/2017
Acima de FL290
1090 ES
Brasil (DECEA)
2030 (fase final)
Espaço aéreo controlado
1090 ES (primário)
Lições aprendidas dos EUA
A experiência americana com o mandato de 2020 revelou:
Corrida de última hora — milhares de aeronaves buscaram instalação nos últimos 6 meses, gerando escassez de equipamentos e oficinas lotadas
Problemas de GPS — receptores antigos não atendiam requisitos de NACp/NIC, exigindo upgrade duplo
Custos acima do previsto — muitos proprietários gastaram 50% mais que o orçado inicialmente
Frota parcialmente retirada — algumas aeronaves antigas não comportavam a instalação economicamente
A recomendação unânime de pilotos e oficinas americanas é: não espere o último momento. Planeje a instalação com pelo menos 2 anos de antecedência do prazo.
Lições aprendidas da Europa
A Europa adotou uma abordagem diferente dos EUA, exigindo ADS-B OUT apenas acima de FL245 inicialmente e ampliando progressivamente. As lições europeias incluem:
Problemas de interoperabilidade — transponders de diferentes fabricantes apresentaram incompatibilidades de versão de firmware
Interferência 1090 MHz — em áreas de alta densidade (como Benelux e sul da Inglaterra), a frequência 1090 MHz ficou congestionada com transmissões ADS-B somadas às interrogações radar
Monitoramento de conformidade — a EASA implementou programas de monitoramento para verificar que as aeronaves equipadas realmente atendiam aos requisitos NACp/NIC
Custo de manutenção — além do custo inicial de instalação, a manutenção do GPS e transponder certificados é mais cara que a de equipamentos convencionais
Essas lições são relevantes para o Brasil, que pode se beneficiar da experiência internacional para evitar os mesmos problemas.
Cobertura ADS-B atual no Brasil
O Brasil tem expandido progressivamente a rede de estações receptoras ADS-B em solo. A cobertura atual é concentrada nas regiões Sul, Sudeste e nos principais corredores aéreos, com expansão planejada para Norte e Centro-Oeste.
Distribuição de estações ADS-B
Região
Estações instaladas
Cobertura estimada
Plano de expansão
Sudeste
45+
95% acima de FL100
Completa
Sul
30+
90% acima de FL100
Completa
Nordeste
25+
75% acima de FL100
Expansão 2027
Centro-Oeste
15+
60% acima de FL150
Expansão 2027
Norte (Amazônia)
10+
30% acima de FL200
Expansão 2028-2029
A cobertura na Amazônia é o maior desafio. Estações ADS-B em áreas remotas dependem de energia solar, comunicação por satélite e manutenção logisticamente complexa. O DECEA está trabalhando com o SIPAM (Sistema de Proteção da Amazônia) e com empresas privadas para expandir a rede.
Cobertura em TMAs principais
TMA
Cobertura ADS-B
Integração com radar
TMA-SP (SBGR/SBSP)
100%
Totalmente integrada
TMA-RJ (SBGL/SBRJ)
100%
Totalmente integrada
TMA-BH (SBCF/SBBH)
100%
Totalmente integrada
TMA-BS (SBBR)
100%
Totalmente integrada
TMA-CW (SBCT/SBBI)
95%
Parcialmente integrada
TMA-PA (SBPA)
95%
Parcialmente integrada
TMA-RF (SBRF)
90%
Em integração
TMA-BE (SBBE)
80%
Em integração
TMA-MN (SBMN/SBEG)
70%
Planejada
Perguntas frequentes
Quando o ADS-B OUT será obrigatório no Brasil?
O DECEA estabeleceu implementação em fases. A Fase 1 (acima de FL245) já está em vigor para aeronaves novas. A Fase 2 (TMAs principais IFR) entra em 2026-2027. A Fase 3 (todo espaço controlado) em 2028-2029. O prazo final universal é 2030 para operações em espaço aéreo controlado.
Qual o custo para instalar ADS-B na minha aeronave?
O custo varia de US$ 2.000 a US$ 15.000 dependendo do equipamento existente. Se a aeronave já tem transponder Mode S com capacidade Extended Squitter, o upgrade pode custar US$ 2.000-4.000. Se precisa de transponder novo e GPS, o custo sobe para US$ 6.000-10.000. Inclua 30-50% adicional para instalação e certificação no Brasil.
Preciso de ADS-B para voar VFR em espaço não controlado?
Não. O mandato atual e planejado do DECEA exige ADS-B OUT apenas para operações em espaço aéreo controlado (Classe A a D). Operações VFR exclusivamente em espaço aéreo Classe G não estão sujeitas ao mandato. Porém, o ADS-B é recomendado para qualquer operação como medida de segurança adicional.
1090 ES ou UAT 978: qual escolher no Brasil?
No Brasil, a recomendação é 1090 ES. É o padrão ICAO adotado pelo DECEA, funciona em todas as altitudes e é compatível com TCAS. O UAT 978 ainda não foi oficialmente adotado no Brasil como alternativa ao 1090 ES. Se a aeronave opera internacionalmente, o 1090 ES é a única opção viável.
Meu transponder Mode S antigo serve para ADS-B?
Depende do modelo. Alguns transponders Mode S podem ser atualizados com software para suportar Extended Squitter (1090 ES). Porém, mesmo com o upgrade, pode ser necessário instalar um receptor GPS que atenda aos requisitos de NACp e NIC. Consulte a oficina autorizada para verificar a compatibilidade do seu transponder específico.
O ADS-B substitui o transponder?
Não completamente. O ADS-B OUT 1090 ES é uma função adicional do transponder Mode S. A aeronave continua precisando de transponder Mode S operacional para responder interrogações de radar secundário e TCAS. O ADS-B acrescenta a transmissão contínua de posição, mas não elimina a necessidade das funções Mode S tradicionais.
Como o ADS-B afeta o meu plano de voo?
O ADS-B OUT deve ser declarado no Item 10 do plano de voo ICAO. O código B1 (1090 ES) ou B2 (UAT) deve ser incluído no campo de equipamento, e EB1 ou EB2 no campo de vigilância. A declaração incorreta pode resultar em restrições de rota pelo ATC ou na não aprovação do plano de voo em espaço aéreo que exige ADS-B.
Existe fiscalização para aeronaves sem ADS-B?
Durante as fases iniciais, o DECEA tem adotado postura educativa, mas a tendência é de fiscalização progressiva. Nos EUA, após o mandato de 2020, aeronaves sem ADS-B em espaço aéreo que exige o equipamento estão sujeitas a violação e multa. O Brasil deve seguir padrão semelhante após 2030.
Simplifique seu planejamento com o AeroCopilot
O ADS-B muda a forma como as aeronaves são detectadas e separadas no espaço aéreo brasileiro. Com o AeroCopilot, você pode verificar os requisitos de equipamento para a sua rota, preencher corretamente os códigos ADS-B no Item 10 do plano de voo e acompanhar os prazos de obrigatoriedade do DECEA. A plataforma atualiza automaticamente os requisitos conforme as fases de implementação entram em vigor.
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Fontes: DECEA — Plano de Navegação Aérea do Brasil (PNAV-BR), ICAO Annex 10 Vol. IV, ICAO Doc 9871 (ADS-B Manual), FAA Advisory Circular 20-165B, EASA CS-ACNS, RBAC 91 (ANAC), AIP Brasil.
Última atualização: Fevereiro 2026. Conteúdo revisado por piloto comercial ANAC com habilitação IFR.