A GAMA (General Aviation Manufacturers Association) publicou seu relatório anual de entregas e faturamento em fevereiro de 2026, e os números são históricos: a indústria de aviação geral faturou US$ 35,7 bilhões em 2025 — o maior valor já registrado. Jatos executivos lideraram o crescimento com 854 unidades entregues (+11,8%), enquanto aviões a pistão mantiveram estabilidade com 1.782 unidades. O mercado global de aviação geral está em pleno ciclo de alta, impulsionado por demanda corporativa e backlogs recordes.
Neste artigo
- Os números de 2025
- Entregas por segmento
- Jatos executivos: o motor do recorde
- Aviões a pistão: estabilidade
- Turbo-hélices: leve queda
- Helicópteros: recuo marginal
- O que significa para o Brasil
- Perguntas frequentes
- Fontes e referências
Os números
| Métrica | 2025 | 2024 | Variação |
|---|---|---|---|
| Faturamento total | US$ 35,7 bilhões | US$ 31,1 bilhões | +14,6% |
| Entregas totais (aviões) | 3.230 | 3.162 | +2,2% |
| Jatos executivos | 854 | 764 | +11,8% |
| Turbo-hélices | 594 | 626 | -5,1% |
| Aviões a pistão | 1.782 | 1.772 | +0,6% |
| Helicópteros | 938 | 956 | -1,9% |
O faturamento cresceu 14,6% enquanto as entregas em unidades cresceram apenas 2,2%. A explicação: o mix se deslocou para aeronaves de maior valor (jatos executivos) e os preços por unidade subiram com a inflação de componentes e mão de obra.
Entregas por segmento
Jatos executivos
O segmento que puxou o recorde. As 854 unidades representam o melhor resultado desde 2008 (antes da crise financeira global).
Os fabricantes líderes em 2025 (dados GAMA):
- Textron Aviation (Citation): maior volume de entregas no segmento light/midsize
- Bombardier (Global, Challenger): segmento large-cabin
- Dassault (Falcon): forte no ultra-long-range
- Embraer (Phenom, Praetor): 29 jatos executivos no Q1 2026 (+47% YoY)
- Gulfstream (G700, G800): segmento ultra-premium
O backlog combinado Airbus/Boeing em aviação comercial ultrapassa 15.765 aeronaves (~10 anos de produção). Na executiva, a pressão é similar: tempos de entrega de 2-3 anos para modelos populares.
Aviões a pistão
As 1.782 unidades representam estabilidade — crescimento marginal de 0,6% (10 unidades a mais que 2024). O mercado de treinamento continua sendo o principal motor:
- Cessna Skyhawk (172): líder absoluto em entregas
- Cirrus SR Series: forte no segmento owner-flown
- Diamond DA40/DA42: crescente no treinamento
- Piper Archer/Warrior: presença sólida em escolas
A regra MOSAIC da FAA (julho 2025) removeu limites de peso para LSA, potencialmente abrindo o segmento para novos modelos — mas o impacto nas entregas de 2025 foi mínimo (regulamentação muito recente).
Turbo-hélices
Queda de 5,1% (594 unidades vs 626 em 2024). O segmento vive uma transição:
- Pilatus PC-12: consistentemente o mais entregue
- Daher TBM: lançou o TBM 980 em janeiro 2026
- Beechcraft Denali: certificação iminente em 2026 (motor GE Catalyst certificado em fevereiro)
- Textron Cessna SkyCourier: primeiro pedido militar (Bélgica)
A queda pode refletir a espera pelo Denali — potenciais compradores aguardando o novo modelo em vez de comprar plataformas existentes.
Helicópteros
Recuo marginal de 1,9% (938 unidades vs 956). O mercado de asas rotativas é cíclico e depende fortemente de contratos governamentais e offshore:
- Airbus Helicopters: líder global (H125/Esquilo, H145, H160)
- Bell Textron: forte no segmento light/medium (505, 407, 412)
- Leonardo: presença em HEMS e offshore (AW139, AW169)
- Robinson: líder no entry-level (R44, R66)
O que significa para o Brasil
O Brasil é um dos maiores mercados de aviação geral do mundo:
- 2ª maior frota de aviação geral (atrás apenas dos EUA)
- 11.239 aeronaves registradas na ABAG (2024)
- Crescimento de 6,5% da frota em 2024
O recorde global da GAMA reflete uma tendência que o Brasil acompanha: demanda crescente por jatos executivos (Embraer Phenom e Praetor em alta), renovação gradual da frota de treinamento, e pressão de preços em toda a cadeia.
Para o piloto-proprietário brasileiro, o cenário de 2026 é de demanda forte + preços em alta + backlogs longos. Se você está pensando em comprar uma aeronave, prepare-se para tempos de espera maiores e preços de revenda em elevação — especialmente para modelos populares como Bonanza, Cirrus SR22 e Citation CJ.
Perguntas frequentes
A GAMA publica dados do Brasil separadamente?
Não. O relatório da GAMA é global, sem breakdown por país. Dados específicos do Brasil vêm da ABAG (Associação Brasileira de Aviação Geral) e da ANAC.
Quando saem os dados do Q1 2026?
A GAMA publica dados trimestrais — o Q1 2026 é esperado para maio de 2026.
O mercado de aviação geral vai continuar crescendo?
Os indicadores apontam que sim no curto/médio prazo. O backlog global é recorde, a demanda corporativa por jatos executivos permanece forte, e a Oliver Wyman projeta crescimento da frota comercial de 28% até 2034. Os riscos: cadeia de suprimentos restrita, custos de combustível elevados (crise Hormuz), e potencial desaceleração econômica.
O Embraer está incluído nos dados GAMA?
Sim. A Embraer é membro da GAMA e suas entregas de jatos executivos (Phenom 100/300, Praetor 500/600) são contabilizadas no relatório. No Q1 2026, a Embraer entregou 29 jatos executivos (+47% vs Q1 2025).
Fontes e referências
- GAMA — 2025 Aircraft Shipment and Billing Report (gama.aero)
- AVweb — GAMA 2025 Aircraft Shipments Billings Report (AVweb)
- General Aviation News — GA Record-Setting Sales (GA News)
- Oliver Wyman — Global Fleet and MRO Market Forecast 2026-2036 (Oliver Wyman)
- Forecast International — Airbus and Boeing March 2026 Orders and Deliveries (Forecast Intl)
O AeroCopilot acompanha o mercado de aviação geral e traz dados que ajudam pilotos e operadores a tomar decisões informadas — sobre aquisição, operação e planejamento.
