A Finnair anunciou em 23 de março de 2026 a seleção do Embraer E195-E2 para renovar sua frota, assinando um acordo para até 46 aeronaves (18 firmes, 16 opções, 12 direitos de compra). A entrega começa no segundo semestre de 2027, operados pela subsidiária Norra. O E195-E2 brasileiro derrotou o Airbus A220 na seleção competitiva — um dos maiores contratos da história da família E2.
Neste artigo
- O que o contrato com a Finnair representa para a Embraer
- Por que o E195-E2 venceu o Airbus A220
- O que é a família E2 e sua posição global
- Impacto para a Azul e o mercado de aviação regional brasileiro
- O que muda para pilotos com type rating E2
O contrato em detalhes
As aeronaves serão configuradas com 134 assentos em layout 2+2, eliminando o assento do meio. A configuração, incomum no segmento de corredor único, prioriza conforto a bordo e diferenciação de produto para rotas europeias de curta e média distância. A operação será conduzida pela Norra, subsidiária regional da Finnair que atualmente opera uma frota de turboélices ATR.
A Finnair realizou um webcast para investidores em 23 de março de 2026 denominado "Narrowbody fleet renewal", apresentando a decisão como um dos maiores investimentos da companhia na última década.
Por que o E195-E2 venceu o Airbus A220
A seleção do E195-E2 sobre o Airbus A220 — aeronave desenvolvida originalmente pela Bombardier como C Series — reflete um processo de avaliação técnica e comercial conduzido ao longo de meses. Alguns fatores determinantes:
Capacidade e flexibilidade. O E195-E2 opera entre 120 e 146 passageiros em configuração padrão, com alcance de até 4.800 km. Para a Norra, que opera rotas de alimentação para o hub de Helsinki-Vantaa, essa capacidade oferece escala suficiente para absorver demanda sem redundância.
Eficiência de combustível. A família E2 consome até 25% menos combustível em comparação com a geração anterior (E1), graças aos motores Pratt & Whitney GTF (Geared Turbofan) e ao redesenho aerodinâmico. Em operação regional com múltiplas rotações diárias, a diferença de custo por hora de voo é significativa.
Custo de manutenção. O intervalo entre inspeções do E2 é maior que o de concorrentes no mesmo segmento, reduzindo custos de MRO — fator crítico para operadores regionais com estruturas de hangar menores.
Apoio pós-venda. A Embraer opera uma rede global de suporte com centros na Europa, incluindo acordos AHEAD para manutenção preditiva.
A família E2 e sua posição global
O E195-E2 é o maior modelo da família E2 da Embraer, composta também pelo E190-E2 e E175-E2. A família foi desenvolvida como evolução direta dos E-Jets (E170, E175, E190, E195), incorporando motores GTF, nova asa e aviônica Honeywell Primus Epic.
Desde a entrada em serviço em 2018, a família E2 acumula operadores em todos os continentes. A Porter Airlines, no Canadá, completou em dezembro de 2025 a entrega do seu 50º E195-E2. A Embraer reportou em janeiro de 2026 um backlog total de US$ 31,6 bilhões — recorde histórico — com a família E2 como principal componente da carteira comercial.
Impacto para a Azul e o mercado brasileiro
A Azul Linhas Aéreas é a maior operadora mundial da família E2. A companhia opera o E195-E2, o E190-E2 e o E175-E2 em rotas domésticas de média e curta distância, cobrindo cidades secundárias que aeronaves de corredor único convencional não alcançam de forma eficiente.
O pedido da Finnair valida a plataforma no nível internacional e pode antecipar decisões de expansão da Azul. Para o mercado brasileiro, o efeito é duplo:
Emprego e cadeia produtiva. A Embraer produz os E-Jets E2 em sua planta de São José dos Campos (SP). Cada pedido internacional sustenta a cadeia de fornecedores nacional — são cerca de 800 empresas brasileiras no ecossistema de fornecimento da Embraer.
Posicionamento do Brasil na aviação global. A vitória sobre o Airbus A220 em uma seleção europeia de alto perfil reforça a competitividade da indústria aeronáutica nacional. O Brasil é, ao lado da Europa e dos Estados Unidos, um dos três polos de fabricação de aeronaves comerciais certificadas do mundo.
O que muda para pilotos com type rating E2
Para pilotos brasileiros, o crescimento da família E2 tem implicação direta de carreira. A Azul é uma das maiores empregadoras de pilotos no país. O type rating E2 é atualmente um dos mais demandados no mercado doméstico, e a perspectiva de crescimento da frota sustenta essa demanda.
O E195-E2 compartilha configuração de cockpit com os demais modelos da família, facilitando a transição entre variantes. Para pilotos certificados em E-Jets de primeira geração, a transição para E2 exige treinamento focado nos sistemas GTF e nas diferenças de performance.
O pedido da Finnair confirma que investir no type rating E2 é apostar em uma plataforma com horizonte de crescimento global de pelo menos 15 anos.
Perguntas frequentes
Quantas aeronaves a Finnair comprou da Embraer? O acordo prevê até 46 E195-E2: 18 firmes, 16 opções e 12 direitos de compra. As entregas começam no segundo semestre de 2027 e serão operadas pela subsidiária Norra.
Por que o E195-E2 é importante para o Brasil? A Embraer fabrica o E195-E2 em São José dos Campos (SP). Cada pedido internacional sustenta empregos diretos na cadeia produtiva aeronáutica brasileira. A Azul — maior operadora mundial do E2 — pode acelerar expansões de frota com base no sucesso global da plataforma.
O type rating E2 vale a pena para pilotos brasileiros? Sim. A Azul é a maior operadora mundial da família E2 e opera em rotas domésticas de alta frequência. A demanda por pilotos certificados E2 é consistente, e o crescimento do backlog global da Embraer indica perspectiva de frota crescente nos próximos anos.
Fontes e referências
- Embraer Media Center — Finnair selects Embraer E195-E2
- Finnair Investor Relations — Narrowbody fleet renewal 2026
- Embraer — Backlog US$ 31,6 bilhões (4Q25)
- Porter Airlines — 50º E195-E2
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