A EASA publicou a Airworthiness Directive 2026-0050, classificada como Final AD with Request for Comments, exigindo a execução de um functional check flight do Automatic Flight Control System (AFCS) em todos os helicópteros EC135 P3, EC135 T3, MBB-BK 117 D-2, MBB-BK 117 D-3 e MBB-BK 117 D-3m — a família comercialmente conhecida como H145. A diretriz tem efeito imediato e foi emitida sem consulta pública prévia, prerrogativa reservada pela EASA para condições inseguras que exigem ação corretiva urgente. No Brasil, o EC135 e o H145 compõem a espinha dorsal das operações de HEMS (SAMU), policiamento aéreo e táxi aéreo, tornando esta AD de relevância operacional direta para centenas de pilotos de asa rotativa.
Neste artigo
- O que determina a AD 2026-0050 da EASA?
- Quais aeronaves e variantes são afetadas?
- O que é o AFCS e por que uma falha neste sistema é crítica?
- Como funciona o functional check flight exigido?
- Qual o impacto nas operações brasileiras de EC135 e H145?
- Qual o papel da ANAC e quando a diretriz brasileira será publicada?
- Como a AD afeta pilotos de asa rotativa no dia a dia?
- Perguntas frequentes
- Fontes e referências
O que determina a AD 2026-0050 da EASA?
A AD 2026-0050 é uma diretriz de aeronavegabilidade emitida pela European Union Aviation Safety Agency (EASA) que exige a realização de um voo de verificação funcional (functional check flight) do sistema de piloto automático — o AFCS — em todos os helicópteros da família EC135 P3/T3 e H145 (designações de certificação MBB-BK 117 D-2, D-3 e D-3m). A diretriz foi publicada em 21 de março de 2026 com efeito imediato.
Definição: Uma Airworthiness Directive (AD) é uma ordem mandatória emitida por uma autoridade de aviação civil que exige ações corretivas em aeronaves, motores ou componentes para eliminar uma condição insegura identificada. Quando a EASA emite uma AD como "Final AD with Request for Comments" — sem consulta pública prévia —, significa que a agência avaliou o risco como grave o suficiente para dispensar o período normal de comentários e impor compliance imediato.
O elemento central desta AD é a classificação de emissão: Final AD with Request for Comments. Na hierarquia regulatória da EASA, este mecanismo é análogo à emissão sem NPRM (Notice of Proposed Rulemaking) da FAA. A EASA abre comentários retroativamente, mas a compliance é obrigatória desde a data de publicação. Nos últimos cinco anos, menos de 20% das ADs para helicópteros foram emitidas sob este procedimento de urgência.
Escopo regulatório da AD 2026-0050
| Parâmetro | Detalhe |
|---|---|
| Número da AD | 2026-0050 |
| Autoridade emissora | EASA (European Union Aviation Safety Agency) |
| Data de publicação | 21 de março de 2026 |
| Tipo de emissão | Final AD with Request for Comments (efeito imediato) |
| Fabricante | Airbus Helicopters Deutschland GmbH (AHD) |
| Modelos afetados | EC135 P3, EC135 T3, MBB-BK 117 D-2, MBB-BK 117 D-3, MBB-BK 117 D-3m |
| Sistema afetado | AFCS (Automatic Flight Control System) |
| Ação corretiva | Functional check flight do AFCS |
| Base regulatória | Regulation (EU) 748/2012, Part 21.A.3B |
| Service Bulletin referenciado | ASB MBB-BK117 D-3-05A-001 (conforme aplicável) |
A referência ao Alert Service Bulletin (ASB) MBB-BK117 D-3-05A-001 da Airbus Helicopters Deutschland indica que o fabricante identificou uma condição técnica específica no AFCS que requer verificação em voo — não apenas inspeção em solo. Quando um fabricante emite um ASB e a autoridade o endossa com uma AD mandatória, a condição insegura foi avaliada como suficientemente provável e severa para justificar ação obrigatória.
A FAA publicou em paralelo uma AD correlata (Federal Register Doc. 2026-02923, de 13 de fevereiro de 2026) abrangendo os mesmos modelos sob jurisdição americana, com prazo de comentários até 30 de março de 2026. A convergência entre EASA e FAA em emitir diretivas para o mesmo sistema no mesmo período reforça a gravidade da condição identificada.
Quais aeronaves e variantes são afetadas?
A AD 2026-0050 abrange especificamente os modelos equipados com a versão mais recente do AFCS, concentrando-se nas variantes P3, T3 e na família BK 117 D (H145). É fundamental que operadores e pilotos identifiquem com precisão se sua aeronave está incluída no escopo.
Modelos cobertos pela AD
| Designação de certificação | Nome comercial | Motorização | MTOW | Configuração típica |
|---|---|---|---|---|
| EC135 P3 | H135 (variante P3) | Pratt & Whitney PW206B3 | 2.980 kg | HEMS, polícia, offshore leve |
| EC135 T3 | H135 (variante T3) | Safran Arrius 2B2plus | 2.980 kg | HEMS, polícia, treinamento |
| MBB-BK 117 D-2 | H145 (versão D2) | Safran Arriel 2E | 3.700 kg | HEMS, polícia, SAR, offshore |
| MBB-BK 117 D-3 | H145 (versão D3, 5 pás) | Safran Arriel 2E | 3.800 kg | HEMS, polícia, SAR, utility |
| MBB-BK 117 D-3m | H145M (versão militar) | Safran Arriel 2E | 3.800 kg | Militar, SAR, special ops |
A família EC135/H145 é uma das plataformas de helicóptero bimotor leve e médio mais bem-sucedidas da história. A Airbus Helicopters reporta mais de 1.700 unidades entregues globalmente desde o início da produção do EC135 em 1996, com a família H145 ultrapassando 700 entregas. A frota acumulada soma mais de 7 milhões de horas de voo.
Diferenciação importante
A AD não abrange os modelos mais antigos da família EC135 — especificamente EC135 P1, P2, P2+, T1, T2, T2+ e MBB-BK 117 C-2 — que possuem versões anteriores do AFCS. A FAA AD 2026-02923, entretanto, tem escopo mais amplo e inclui modelos P1/P2/T1/T2 e BK 117 C-2 com serial numbers até 1999. Pilotos e operadores devem consultar ambas as diretivas para determinar a aplicabilidade exata à sua aeronave e registro.
O que é o AFCS e por que uma falha neste sistema é crítica?
O Automatic Flight Control System (AFCS) do EC135/H145 é um sistema de controle de voo automático integrado que combina múltiplas funções de estabilização e pilotagem automática em uma arquitetura digital redundante.
Definição: O AFCS (Automatic Flight Control System) é o sistema de piloto automático e estabilização do helicóptero. No EC135/H145, o AFCS integra o SAS (Stability Augmentation System), atuadores série e paralelo, computadores de gerenciamento de voo e modos superiores de autopiloto (attitude hold, heading hold, altitude hold, IAS hold, VOR/LOC/GS tracking). O sistema atua nos eixos de pitch, roll, yaw e coletivo, reduzindo a carga de trabalho do piloto e melhorando a estabilidade em todas as fases de voo.
Arquitetura do AFCS na família EC135/H145
O AFCS opera em camadas de automação progressiva:
| Camada | Função | Impacto de falha |
|---|---|---|
| SAS (Stability Augmentation System) | Estabilização básica nos 3 eixos via atuadores série | Aumento significativo de carga de trabalho; helicóptero voável manualmente |
| Attitude Hold | Mantém atitude de pitch e roll selecionada | Piloto precisa manter atitude manualmente; desvios graduais |
| Upper Modes (HDG, ALT, IAS, NAV) | Modos superiores de navegação automática | Perda de capacidade IFR autônoma; degradação de missão |
| Coupled Approach (ILS/LPV) | Aproximação acoplada por instrumentos | Impossibilidade de aproximação automática; impacto em minimos IFR |
| SAR/HEMS modes | Modos específicos de missão (hover automático, transição) | Perda de capacidade operacional crítica em resgate |
Por que a falha do AFCS é mais crítica em helicóptero do que em avião?
A dinâmica de voo de um helicóptero é inerentemente instável. Diferente de um avião, que tende a retornar a uma condição de voo estável após uma perturbação (estabilidade estática positiva), um helicóptero é dinamicamente instável em múltiplos eixos. O AFCS compensa essa instabilidade de forma contínua e transparente ao piloto.
Uma falha não anunciada (latente) do AFCS — quando o sistema aparenta funcionar normalmente mas na realidade apresenta comportamento degradado — é particularmente perigosa porque:
- O piloto não recebe indicação de degradação — confia no sistema sem saber que a proteção está comprometida
- Em condições IMC (Instrument Meteorological Conditions), a perda súbita de estabilização pode resultar em spatial disorientation
- Em operações HEMS de baixa altitude, a margem de recuperação é mínima
- O acoplamento dos eixos em helicóptero significa que uma falha em um canal pode se manifestar em outro eixo de forma imprevisível
A exigência de um functional check flight — em vez de apenas uma inspeção em solo ou teste de bancada — indica que a condição insegura identificada pela EASA só é detectável em condições reais de voo, com o sistema sob carga aerodinâmica e em regime dinâmico.
Como funciona o functional check flight exigido?
O functional check flight (FCF) é um procedimento de verificação em voo que testa sistematicamente cada modo e função do AFCS para confirmar operação correta. Diferente de um test flight de produção, o FCF é executado em aeronaves já em operação como medida de verificação de aeronavegabilidade continuada.
Definição: Um functional check flight (FCF) — ou voo de verificação funcional — é um voo dedicado, realizado por tripulação qualificada, com o objetivo de verificar o funcionamento correto de sistemas da aeronave após manutenção, modificação ou quando determinado por uma autoridade de aviação. O FCF segue um checklist padronizado e é documentado no logbook da aeronave. Não se trata de um voo de produção ou de treinamento.
Procedimento típico do FCF para AFCS
Com base no ASB MBB-BK117 D-3-05A-001 e nas instruções de troubleshooting referenciadas na AD, o FCF do AFCS deve incluir, no mínimo:
Fase 1 — Verificação em solo (pré-voo)
| Item | Verificação |
|---|---|
| BIT (Built-In Test) do AFCS | Inicialização, auto-teste, ausência de fault codes |
| Integridade de sensores | AHRS, ADC, GPS, radar altímetro |
| Atuadores série e paralelo | Livre curso, resposta a comandos |
| Annunciator panel | Indicações de AFCS, SAS, AP em todas as configurações |
| Software version | Confirmação da versão de software instalada |
Fase 2 — Verificação em voo
| Modo | Teste requerido |
|---|---|
| SAS (3 eixos) | Engajamento, desengajamento, resposta a perturbações em hover e cruzeiro |
| Attitude Hold | Manutenção de pitch e roll em diversas velocidades; verificação de drift |
| Heading Hold | Captura e manutenção de proa; transição de modos |
| Altitude Hold | Captura e manutenção em diversas altitudes e velocidades |
| IAS Hold | Captura e manutenção de velocidade indicada |
| NAV Mode | Tracking de waypoints GPS; verificação de intercepção e tracking |
| Approach Mode | Acoplamento ILS/RNAV (se equipado); verificação de captura de GS/LP |
| AFCS disengage | Desconexão normal e de emergência; alertas ao piloto |
| Trim system | Operação do force trim em todos os eixos; liberação e recaptura |
| Redundância | Operação com canal 1, canal 2 e degradado |
Fase 3 — Troubleshooting (se necessário)
Caso o FCF identifique discrepâncias, a AD referencia as seções 3.B.2 e 3.B.4 do ASB para procedimentos de troubleshooting específicos. Esses procedimentos podem incluir substituição de LRUs (Line Replaceable Units), atualização de software ou recalibração de sensores.
Requisitos para a tripulação de FCF
O voo de verificação funcional deve ser conduzido por piloto qualificado no tipo e com experiência em FCF. A maioria dos operadores designa pilotos de teste de produção, pilotos-chefes ou pilotos com qualificação específica em maintenance check flights. O voo é realizado sem passageiros e em condições meteorológicas que permitam avaliação completa de todos os modos do AFCS, incluindo operação em IMC simulado quando aplicável.
Implicações de tempo e custo
| Item | Estimativa por aeronave |
|---|---|
| Preparação e inspeção em solo | 2 a 4 horas |
| Voo de verificação (FCF) | 1 a 2 horas de voo |
| Documentação e reporte | 1 a 2 horas |
| Troubleshooting (se necessário) | 4 a 40+ horas adicionais |
| Custo hora de voo EC135/H145 | R$8.000 – R$15.000/hora |
| Custo total estimado (sem discrepâncias) | R$15.000 – R$40.000 por aeronave |
| Custo total estimado (com troubleshooting) | R$50.000 – R$200.000+ por aeronave |
Qual o impacto nas operações brasileiras de EC135 e H145?
O Brasil é um dos mercados mais importantes para a família EC135/H145 na América Latina. A Helibras, subsidiária brasileira da Airbus Helicopters, é responsável pela montagem e suporte local. A frota brasileira é estimada em mais de 120 unidades entre EC135 e H145, distribuídas em operações de alta criticidade.
Setores afetados no Brasil
1. HEMS — Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU)
O EC135 e o H145 são as plataformas dominantes no HEMS brasileiro. Estados como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina operam frotas dedicadas para resgate aeromédico. O H145 D-3 foi especificamente adquirido pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais para missões de emergência médica, transporte de órgãos e resgate.
A indisponibilidade de uma aeronave HEMS para realização do FCF pode significar cobertura aeromédica reduzida em regiões que dependem de uma única aeronave. Para operadores com frota de 2 a 4 helicópteros, o escalonamento dos check flights é gerenciável. Para bases com aeronave única, a situação exige coordenação com bases vizinhas para cobertura cruzada.
2. Policiamento aéreo
Polícias estaduais operam EC135 e H145 em esquadrões de aviação (Grupamentos Aéreos) em todo o Brasil. O Ciopaer do Ceará recebeu os primeiros H135 com aviônica Helionix em configuração policial. Os Grupamentos Aéreos de São Paulo (GRPAe), Rio de Janeiro (GAM), Minas Gerais (BTL RPAer) e outros estados utilizam a plataforma em operações de segurança pública 24 horas.
A realização do FCF em aeronaves policiais requer coordenação com o planejamento operacional de segurança pública, já que a indisponibilidade pode afetar a capacidade de resposta a ocorrências críticas.
3. Táxi aéreo e offshore leve
Operadores de táxi aéreo utilizam o EC135 para transporte executivo e transferências offshore de curta distância. A compliance com a AD exige planejamento para minimizar o impacto na grade de voos comerciais.
4. Treinamento de tipo
Centros de treinamento que utilizam EC135 para formação de pilotos de tipo (conversão ao bimotorizado) podem ter interrupções temporárias na programação de voos de instrução.
Cenário logístico
A Helibras, sediada em Itajubá (MG), é o principal ponto de suporte técnico para a frota EC135/H145 no Brasil. A capacidade de suporte simultâneo para FCF em toda a frota depende de:
- Disponibilidade de pilotos qualificados para FCF
- Capacidade das oficinas de manutenção certificadas (OMAs) para preparação pré-voo e troubleshooting
- Disponibilidade de peças sobressalentes (LRUs de AFCS) caso o FCF identifique discrepâncias
- Coordenação com a ANAC para aceite da documentação de compliance
Qual o papel da ANAC e quando a diretriz brasileira será publicada?
A ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) é a autoridade responsável pela aeronavegabilidade continuada no Brasil. Para aeronaves com certificado de tipo emitido pela EASA — como é o caso de toda a família EC135/H145 —, a ANAC adota as ADs da EASA como base para suas próprias diretrizes.
Processo de adoção
O fluxo típico de adoção é:
- Recepção da AD da EASA — a Gerência de Aeronavegabilidade Continuada (GCAC) da ANAC recebe e analisa a AD
- Avaliação de aplicabilidade — verificação da frota brasileira registrada (RAB) afetada
- Publicação de DA brasileira — emissão de Diretriz de Aeronavegabilidade (DA) pela ANAC, tipicamente adotando integralmente os requisitos da EASA AD
- Fiscalização — inspetores de aeronavegabilidade verificam o cumprimento pelos operadores
Prazo esperado
Para ADs de efeito imediato da EASA, a ANAC historicamente emite a diretriz brasileira em 7 a 20 dias úteis. No entanto, a prática recomendada — e seguida pela maioria dos operadores brasileiros sérios — é iniciar a compliance com base na AD da EASA antes mesmo da publicação da DA brasileira. O RBAC 39 (Diretrizes de Aeronavegabilidade) permite que operadores cumpram antecipadamente diretivas da autoridade primária de certificação.
Nota regulatória: A frota EC135/H145 registrada no Brasil opera sob certificados de tipo validados pela ANAC com base nos certificados de tipo originais da EASA (TCDS EASA.R.012 e EASA.R.013). A EASA é a autoridade primária (State of Design), e suas ADs têm peso mandatório direto para qualquer operador que mantenha a aeronavegabilidade conforme os padrões do fabricante.
Consulta ao RAB
Operadores devem verificar no Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) se suas aeronaves estão incluídas no escopo da AD por modelo e serial number. A consulta pode ser feita no portal da ANAC ou diretamente com a Helibras para confirmação de aplicabilidade, especialmente para aeronaves que possam ter recebido modificações ou STCs que alterem a configuração do AFCS.
Como a AD afeta pilotos de asa rotativa no dia a dia?
Para pilotos que operam ou pretendem operar o EC135 ou H145, a AD 2026-0050 tem implicações práticas em três dimensões operacionais.
1. Verificação de status antes de cada voo
Antes de aceitar qualquer missão em EC135 P3, EC135 T3 ou H145 (BK 117 D-2/D-3/D-3m), o piloto deve confirmar no logbook da aeronave ou no sistema de controle de manutenção que:
- O functional check flight do AFCS foi realizado e aprovado
- A aeronave não possui restrições operacionais pendentes relacionadas à AD
- As eventuais ações de troubleshooting foram concluídas e documentadas
Voar em aeronave com AD mandatória não cumprida é violação do RBAC 91 e do RBAC 135, além de constituir risco operacional real baseado em condição insegura documentada pela autoridade.
2. Awareness sobre comportamento do AFCS
Durante o período de transição até que toda a frota esteja verificada, pilotos devem manter atenção elevada a qualquer anomalia no comportamento do AFCS:
- Desconexões não comandadas do autopiloto ou SAS
- Desvios de atitude não correspondentes aos modos engajados
- Trim runaway — movimento progressivo e não comandado dos atuadores paralelos
- Fault codes intermitentes no VEMD (Vehicle and Engine Management Display) ou FND (Flight Navigation Display)
- Discrepância entre canais — comportamento diferente com AP1 vs AP2
Qualquer anomalia observada deve ser reportada imediatamente como discrepância técnica no logbook e comunicada à manutenção para avaliação à luz da AD 2026-0050.
3. Revisão de procedimentos de emergência
O Rotorcraft Flight Manual (RFM) do EC135/H145 contém procedimentos para falhas do AFCS, incluindo:
- AFCS failure — desconexão manual, voo sem estabilização
- Trim failure — técnicas de controle com trim inoperativo
- Uncommanded control input — desconexão imediata e controle manual
- Dual AFCS failure — procedimento de emergência para perda total de estabilização
Pilotos devem revisar esses procedimentos e, se aplicável, solicitar uma sessão de simulator refresher focada em falhas de AFCS, especialmente para operadores que realizam voos IFR monopiloto confiando na estabilização do autopiloto.
4. Implicação para operações IFR monopiloto
O EC135/H145 é certificado para operação IFR monopiloto (single pilot IFR — SPIFR) com AFCS operativo como pré-requisito. Uma aeronave com AFCS não verificado conforme a AD pode ter sua capacidade SPIFR comprometida, reduzindo-a efetivamente a operações VFR ou exigindo tripulação dupla para IFR.
Para pilotos de HEMS que operam em regime IFR noturno — cenário comum em serviços de resgate aeromédico no Brasil —, esta restrição pode ser operacionalmente significativa.
Perguntas frequentes
O que acontece se o functional check flight identificar discrepâncias no AFCS?
Se o FCF revelar falhas ou comportamento fora dos parâmetros, a aeronave permanece em solo até a resolução completa. O troubleshooting segue as instruções das seções 3.B.2 e 3.B.4 do ASB referenciado pela AD, que podem incluir substituição de LRUs (computadores de voo, atuadores, sensores), atualização de software do AFCS ou recalibração. Após a correção, um novo FCF deve ser realizado para confirmar operação satisfatória. O tempo de indisponibilidade pode variar de dias a semanas, dependendo da disponibilidade de peças e suporte técnico.
Minha aeronave é um EC135 P2+ ou T2+. A AD se aplica?
Não diretamente pela EASA AD 2026-0050, que abrange especificamente EC135 P3, T3 e a família BK 117 D (H145). Porém, a FAA emitiu em paralelo a AD Federal Register 2026-02923, que inclui modelos mais antigos (P1, P2, P2+, T1, T2, T2+ e BK 117 C-2) com serial numbers até 1999. Se sua aeronave tem registro N (FAA), verifique a aplicabilidade. Se tem registro PP/PR/PT (Brasil), aguarde o posicionamento específico da ANAC, que pode adotar o escopo mais amplo da FAA ou restrito da EASA.
Pilotos podem realizar o functional check flight ou é exclusivo de pilotos de teste?
O FCF deve ser realizado por piloto qualificado no tipo e com experiência em voos de verificação funcional. Não há exigência regulatória de que seja um piloto de teste experimental (PET). Na prática, operadores designam pilotos-chefes, pilotos de padronização ou pilotos com treinamento específico em maintenance check flights. O piloto que realiza o FCF assume a responsabilidade técnica pela avaliação do sistema e pela assinatura do logbook atestando a condição do AFCS.
Quanto tempo o operador tem para realizar o check flight?
A AD 2026-0050 tem efeito imediato, o que significa que a compliance é obrigatória a partir da data de publicação (21 de março de 2026). A definição exata do prazo de compliance (horas TIS ou dias calendários) deve ser verificada no texto completo da AD e no ASB associado. Para ADs de efeito imediato da EASA, o compliance típico varia entre imediato (antes do próximo voo) e 10 a 50 horas de voo ou 30 dias, dependendo da severidade. Operadores devem consultar o texto original da AD em ad.easa.europa.eu para os prazos exatos.
A Helibras oferece suporte para o FCF no Brasil?
A Helibras, como representante autorizada da Airbus Helicopters no Brasil, é o canal primário de suporte técnico para compliance com ADs na família EC135/H145. O suporte inclui fornecimento de ASBs, peças de reposição, suporte técnico remoto e, quando necessário, envio de equipe técnica para assistência em campo. Operadores devem contatar a Helibras proativamente para alinhar cronograma de compliance, especialmente se não possuírem pilotos qualificados para FCF internamente.
Fontes e referências
- EASA AD 2026-0050 — Airworthiness Directive; Airbus Helicopters Deutschland GmbH — European Union Aviation Safety Agency, 21 de março de 2026
- FAA AD 2026-02923 — Airworthiness Directives; Airbus Helicopters Deutschland GmbH (AHD) Helicopters — Federal Register, 13 de fevereiro de 2026
- EASA Type Certificate Data Sheet — EC135 (EASA.R.012) — European Union Aviation Safety Agency
- EASA Type Certificate Data Sheet — MBB-BK 117 D (EASA.R.013) — European Union Aviation Safety Agency
- ANAC — Diretrizes de Aeronavegabilidade — Agência Nacional de Aviação Civil
- Helibras — Entrega H145 para Corpo de Bombeiros de Minas Gerais — Air Medical and Rescue, 2025
- EASA — Automation and Flight Path Management (Rotorcraft) — European Union Aviation Safety Agency
O que observar nas próximas semanas
- Publicação da Diretriz de Aeronavegabilidade pela ANAC — prazo estimado de 7 a 20 dias úteis; verificar no portal da ANAC se a DA adota o escopo restrito da EASA (P3/T3 e D-2/D-3) ou ampliado da FAA (todos os EC135/BK117)
- Comunicados da Helibras — posicionamento oficial sobre suporte ao compliance, disponibilidade de peças LRU do AFCS e cronograma de atendimento à frota brasileira
- Resultado dos functional check flights — se um percentual significativo da frota apresentar discrepâncias, é indicativo de problema sistêmico que pode resultar em AD adicional ou extensão de escopo
- Service Bulletin complementar da Airbus Helicopters Deutschland — possível emissão de SB definitivo com solução permanente (modificação de software ou hardware do AFCS)
- Impacto nos serviços HEMS — monitorar se a disponibilidade de aeronaves aeromédicas é afetada em estados com frota reduzida de EC135/H145
- Posição dos operadores policiais — Grupamentos Aéreos estaduais devem comunicar status de compliance e eventuais limitações operacionais durante o período de verificação
O AeroCopilot acompanha diretivas de aeronavegabilidade que afetam a frota brasileira e publica atualizações conforme novas informações forem divulgadas pela EASA, FAA, ANAC e Airbus Helicopters.
