A FAA publicou o NPRM Docket FAA-2026-2292 (91 FR 11191) em 9 de março de 2026, propondo diretriz de aeronavegabilidade para helicópteros AS 350B2, AS 350B3 (H125), EC 120B (Colibri) e EC 130 B4. A proposta aborda curto-circuito na LACU causado por poeira e FOD que pode desativar o sistema de flotação de emergência em operações sobre água. Nos EUA, 576 helicópteros estão no escopo.
Neste artigo
- O que é a LACU e como o curto-circuito ocorre?
- Como a falha foi descoberta?
- Quais ações corretivas a FAA propõe?
- Por que isso importa para operadores brasileiros?
- Perguntas frequentes
- Fontes e referências
- O que observar
O que é a LACU e como o curto-circuito ocorre?
A LACU (Lighting and Ancillaries Control Unit) é o módulo eletrônico que gerencia iluminação e sistemas auxiliares em helicópteros Airbus da família AS350, EC120 e EC130. Entre os sistemas controlados pela LACU está o circuito de ativação do EFS (Emergency Flotation System) — os flutuadores infláveis de emergência utilizados em operações sobre água.
Definição: LACU (Lighting and Ancillaries Control Unit) é a unidade de controle que distribui energia elétrica para sistemas de iluminação e equipamentos auxiliares em helicópteros Airbus. A LACU gerencia, entre outras funções, o circuito elétrico de ativação do sistema de flotação de emergência (EFS), tornando-a componente crítico para operações sobre água.
O problema é a contaminação interna por FOD (Foreign Object Debris) e partículas de poeira que se acumulam dentro da unidade ao longo do tempo. Essas partículas condutivas podem criar caminhos elétricos não previstos entre os terminais internos da LACU, provocando curto-circuito. A falha resultante desativa completamente a unidade — e com ela, o sistema de flotação de emergência.
Como a falha foi descoberta?
A EASA identificou a condição após um evento operacional em um EC 130 B4 que apresentou forte cheiro de queimado e fumaça no cockpit, acompanhados de alarmes visuais e sonoros. A investigação técnica rastreou a origem até um curto-circuito interno na LACU causado por acúmulo de partículas condutivas.
| Marco | Data | Detalhe |
|---|---|---|
| AD original EASA | 2021 | EASA AD 2021-0168 — primeira diretriz sobre LACU |
| AD revisada EASA | 11 jan. 2024 | EASA AD 2024-0018 — substitui AD anterior, amplia escopo |
| NPRM da FAA | 9 mar. 2026 | Docket FAA-2026-2292 — alinha requisitos americanos |
| Prazo comentários | 23 abr. 2026 | Encerramento do período de comentários públicos |
A EASA classificou a condição como MCAI (Mandatory Continuing Airworthiness Information) e publicou a AD 2024-0018 em 11 de janeiro de 2024, que substituiu a diretriz anterior de 2021. O NPRM da FAA agora busca harmonizar os requisitos americanos com a diretriz europeia vigente, afetando 576 helicópteros nos Estados Unidos.
Quais ações corretivas a FAA propõe?
O NPRM estabelece duas categorias de ação: repetitiva (paliativa) e terminadora (definitiva).
| Tipo | Descrição | Custo | Frequência |
|---|---|---|---|
| Repetitiva | Limpeza interna e inspeção visual da LACU | US$ 170/ciclo | A cada intervalo definido na AD |
| Terminadora (switches) | Modificação dos switches de ativação do EFS | US$ 1.360 | Uma vez — encerra a ação repetitiva |
| Terminadora (RFM) | Revisão do Rotorcraft Flight Manual | US$ 85 | Uma vez |
A ação repetitiva exige abertura, limpeza interna da LACU e inspeção visual por sinais de curto-circuito, arco elétrico ou contaminação. Cada ciclo deve ser repetido conforme o calendário de compliance — mitiga o risco, mas não o elimina.
A ação terminadora modifica o circuito de ativação do EFS, criando um caminho elétrico independente da LACU para inflar os flutuadores. Inclui revisão do RFM (Rotorcraft Flight Manual) para documentar o novo procedimento de ativação. Completada a modificação, a inspeção repetitiva não é mais necessária.
Por que isso importa para operadores brasileiros?
O AS350 — comercializado como H125 desde 2014 pela Airbus Helicopters — é o helicóptero mais operado no Brasil. A frota nacional atende segmentos onde a falha do EFS tem consequências diretas: HEMS (resgate aeromédico), operações offshore nas bacias de Campos, Santos e Espírito Santo, policiamento aéreo, transporte utility e serviço público. O EC130 B4 também mantém presença relevante em turismo aéreo e transporte executivo.
Operações offshore sobre a costa brasileira frequentemente exigem sistema de flotação de emergência operacional como requisito regulatório. Uma LACU defeituosa que desative silenciosamente o EFS cria um cenário crítico: a tripulação acredita ter proteção de pouso na água, mas o sistema não responderá ao ser acionado.
| Modelo | Designação atual | Uso predominante no Brasil |
|---|---|---|
| AS 350B2 | H125 | Polícia, utility, HEMS |
| AS 350B3 | H125 | Offshore, HEMS, utility |
| EC 120B | Colibri | Instrução, turismo |
| EC 130 B4 | H130 | Turismo, executivo, utility |
A ANAC tipicamente referencia ou valida ADs da FAA e EASA para helicópteros no registro brasileiro. Considerando que a EASA AD 2024-0018 já está em vigor desde janeiro de 2024, operadores com certificação EASA podem já estar em compliance com as ações repetitivas. Operadores sob regulação exclusiva ANAC/FAA devem monitorar a publicação da AD final americana.
Perguntas frequentes
A limpeza da LACU resolve o problema permanentemente?
Não. A limpeza é ação repetitiva — reduz o risco temporariamente. A solução definitiva é a ação terminadora: modificação dos switches do EFS, eliminando a dependência da LACU para a flotação de emergência.
Posso voar offshore sem o EFS operacional?
A regulamentação brasileira (RBAC 91 e RBAC 135) exige EFS operacional para operações sobre água conforme certificado tipo e missão. EFS inoperante pode violar o MEL, impedindo legalmente a decolagem.
A EASA AD já está em vigor?
Sim. A EASA AD 2024-0018 está em vigor desde janeiro de 2024. Operadores sob jurisdição EASA devem estar em compliance. O NPRM da FAA alinha os requisitos americanos à diretriz europeia.
Como verificar se meu helicóptero está afetado?
Consulte o serial number contra a lista de aplicabilidade no Federal Register. O NPRM abrange AS 350B2, AS 350B3, EC 120B e EC 130 B4. O departamento de manutenção deve confirmar status e programar ações corretivas.
Fontes e referências
- FAA NPRM Docket FAA-2026-2292 — Airworthiness Directives: Airbus Helicopters — Federal Register, 91 FR 11191, 9 de março de 2026
- EASA AD 2024-0018 — Airbus Helicopters AS 350 / EC 120 / EC 130 — LACU Failure, 11 de janeiro de 2024
O que observar
O 23 de abril de 2026 é o encerramento dos comentários públicos ao NPRM. Após essa data, a FAA publicará a AD final nos meses seguintes. Operadores já em compliance com a EASA AD 2024-0018 podem ter processo simplificado quando a AD final americana for publicada. O planejamento de manutenção offshore deve verificar o status de limpeza/inspeção da LACU e o cronograma para instalação dos switches modificados (ação terminadora). O AeroCopilot acompanhará a publicação da AD final e eventuais ações da ANAC para a frota brasileira.
