A FAA publicou em 23 de março de 2026 proposta de AD (Docket FAA-2026-2720, documento 2026-05574) para helicópteros AS332 Super Puma exigindo modificação do mecanismo de ejeção de portas da cabine. A falha — interferência do cabo da alavanca com grampos — pode impedir evacuação de emergência.
Neste artigo
- O que a proposta de AD exige?
- Qual foi o incidente que motivou a diretiva?
- Como funciona o sistema de ejeção de portas do AS332?
- Qual o impacto para operadores offshore no Brasil?
- Como esta AD difere da AD de estabilizador existente?
- Perguntas Frequentes
- Fontes e Referências
- O que observar
O que a proposta de AD exige?
O NPRM (91 FR 13794) propõe superseder duas ADs anteriores — 2019-09-03 e 2021-05-15 — e exige modificação permanente do sistema de ejeção das portas laterais deslizantes plug da cabine em todos os helicópteros AS332C, AS332C1, AS332L e AS332L1.
| Parâmetro | Detalhe |
|---|---|
| Docket | FAA-2026-2720 |
| Documento | 2026-05574 |
| Federal Register | 91 FR 13794 |
| Publicação | 23 de março de 2026 |
| Base regulatória | EASA AD 2021-0139R1 |
| Modelos afetados | AS332C, AS332C1, AS332L, AS332L1 |
| Frota EUA | 12 helicópteros |
| Frota global | 1.000+ produzidos |
| Compliance | 1.325 horas de voo ou 40 meses |
| Comentários até | 7 de maio de 2026 |
Três opções de modificação são aceitas para compliance:
- MOD 0725366: Modificação do sistema de liberação da porta lateral deslizante
- MOD 0725367: Modificação alternativa do design do sistema de ejeção
- MOD 0729230 + MOD 0725366: Modificação pré-requisito seguida da modificação principal (para configurações específicas)
O custo estimado pela FAA é de até US$ 140.690 por helicóptero (214 horas de mão de obra a US$ 85/h + até US$ 122.500 em peças).
Qual foi o incidente que motivou a diretiva?
Definição: Ejeção de porta (door jettisoning) é o acionamento do mecanismo de emergência que permite a remoção rápida de portas da cabine para evacuação. Em helicópteros offshore, é procedimento crítico para egresso após amerissagem ou incêndio.
O incidente-chave ocorreu em 23 de agosto de 2013, quando o AS332 L2 registro G-WNSB sofreu acidente em Sumburgh, Reino Unido. Durante a evacuação de emergência, os pilotos foram incapazes de ejetar as portas do cockpit usando as alavancas de emergência. O mecanismo travou. Uma pessoa morreu.
A investigação do AAIB (Air Accidents Investigation Branch, Relatório 1/2016) determinou que o cabo da alavanca de ejeção interferia com os grampos de fixação do cabo, gerando atrito suficiente para impedir a ação mecânica positiva necessária para ejetar a porta.
A EASA emitiu ADs progressivas (2019, 2021) e agora a FAA propõe a modificação como ação terminante obrigatória.
Como funciona o sistema de ejeção de portas do AS332?
O sistema de ejeção de emergência do AS332 é composto por:
- Alavanca de ejeção: Localizada no cockpit, acessível ao piloto
- Sistema de cabo: Conecta a alavanca ao mecanismo de liberação da porta
- Grampos de fixação: Mantêm o cabo na rota correta ao longo da estrutura
- Portas laterais plug deslizantes: Portas da cabine de passageiros (esquerda e direita)
Em operação normal, a porta é aberta pelo mecanismo convencional (deslizamento). Em emergência — amerissagem, incêndio, capotamento — o piloto aciona a alavanca de ejeção, que puxa o cabo e libera as portas instantaneamente.
A falha ocorre quando o cabo toca os grampos durante o percurso, criando resistência mecânica. Em vez de movimento fluido, o cabo prende, e a força aplicada pelo piloto na alavanca não é suficiente para vencer a resistência. A porta não ejeta.
Para helicópteros que operam sobre água — cenário predominante do AS332 na Bacia de Campos e Santos — a incapacidade de ejetar portas durante evacuação pode ser fatal. A janela de evacuação após amerissagem é medida em segundos.
Qual o impacto para operadores offshore no Brasil?
O AS332 Super Puma tem histórico extenso nas operações offshore brasileiras, servindo plataformas da Petrobras na Bacia de Campos e Santos por décadas. Os principais contratados incluem CHC do Brasil, Omni Táxi Aéreo e Líder Aviação (Macaé, Cabo Frio, Maricá).
| Operador | Base principal | Frota atual |
|---|---|---|
| CHC do Brasil | Macaé, Cabo Frio | S-92A, AW139 (transição) |
| Omni Táxi Aéreo | Maricá | H175, H160 (transição) |
| Líder Aviação | Maricá | S-92 (predominante) |
A frota offshore brasileira tem migrado para modelos mais novos (S-92, H175, H160), mas AS332 ainda pode estar em serviço em operações de utilidade, SAR e apoio governamental. Operadores com AS332 remanescentes devem verificar o status de compliance com as modificações MOD 0725366/0725367.
A ANAC deve emitir diretiva equivalente após a regra final da FAA.
Como esta AD difere da AD de estabilizador existente?
O AeroCopilot já publicou análise sobre a AD emergencial do estabilizador horizontal do AS332 (ad-emergencial-super-puma-estabilizador-as332-ec225-2026). São sistemas completamente diferentes:
| Aspecto | AD Estabilizador (existente) | AD Portas (esta matéria) |
|---|---|---|
| Sistema | Fixação do estabilizador horizontal | Mecanismo de ejeção de portas |
| Falha | Destacamento estrutural em voo | Travamento impedindo evacuação |
| Risco | Perda de controle de voo | Impossibilidade de egresso |
| Tipo | AD emergencial (inspeção a cada 50h) | NPRM (modificação permanente) |
| Modelos | AS332 + EC225 | AS332 apenas |
Operadores de AS332 devem manter compliance com ambas as ADs simultaneamente.
Perguntas Frequentes
O AS332 ainda voa no Brasil?
A frota offshore principal migrou para S-92 e H175, mas AS332 pode permanecer em serviço em operações de utilidade, SAR governamental e transporte de carga para plataformas. Operadores devem verificar registro ativo junto à ANAC.
Quanto custa a modificação por helicóptero?
A FAA estima até US$ 140.690 por helicóptero (214 horas de mão de obra + até US$ 122.500 em peças). O prazo de compliance é de 1.325 horas de voo ou 40 meses — o que ocorrer primeiro.
A modificação resolve o problema permanentemente?
Sim. As modificações MOD 0725366 e MOD 0725367 são ações terminantes que eliminam a necessidade de inspeções repetitivas do sistema de ejeção. Após a modificação, o mecanismo opera sem interferência de cabo.
Fontes e Referências
- FAA NPRM 2026-05574 — Federal Register 91 FR 13794
- EASA AD 2021-0139R1
- AAIB Report 1/2016 — AS332 L2 G-WNSB, Sumburgh
- FAA — Airworthiness Directives, Airbus Helicopters
O que observar
Ação imediata: Operadores brasileiros de AS332 devem verificar junto ao departamento de engenharia se as modificações MOD 0725366 ou MOD 0725367 já foram implementadas em seus helicópteros. Se não, incluir no planejamento de manutenção.
Curto prazo: Prazo de comentários ao NPRM encerra em 7 de maio de 2026 via regulations.gov (Docket FAA-2026-2720). Operadores podem submeter dados de custo e cronograma de compliance.
Médio prazo: Acompanhar publicação da AD final da FAA (prevista para segundo semestre de 2026) e subsequente harmonização pela ANAC.
Para tripulações: Até que a modificação seja concluída, incluir verificação funcional do mecanismo de ejeção de portas no checklist de pré-voo. Testar alavanca de ejeção conforme procedimentos aprovados e reportar qualquer resistência anormal.
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