A FAA publicou em 14 de abril a AD 2026-07-12, exigindo a substituição de todas as ferragens de fixação e parafusos das barras de suspensão da Caixa de Transmissão Principal (MGB) em todas as variantes do AS350 Esquilo/H125 entregues antes de 1º de janeiro de 2026. A diretiva entra em vigor em 29 de abril e, em certas circunstâncias, exige cumprimento em até 10 horas de voo. Com uma frota estimada de 486 Esquilos civis no Brasil — o maior mercado do modelo no mundo — o impacto operacional é massivo.
Neste artigo
- O problema: folga nos fittings do MGB
- Modelos e prazos
- O que a AD exige
- Por que é catastrófico
- Impacto no Brasil: 486+ aeronaves
- Quem opera Esquilo no Brasil
- Histórico de ADs no MGB do AS350
- Perguntas frequentes
- Fontes e referências
O problema
Uma folga (gap) entre montagens parafusadas foi detectada sob as ferragens de fixação das barras de suspensão do MGB. A investigação determinou que essa condição pode comprometer o limite de vida segura (safe life limit) das ferragens e parafusos, levando potencialmente a falha estrutural.
O código JASC é 6330 (Main Rotor Transmission Mount) — componente de criticidade máxima.
A EASA já havia publicado sua versão da diretiva (EASA AD 2026-0021) em 29 de janeiro de 2026. A FAA adota integralmente as ações e prazos da EASA.
Modelos e prazos
Modelos afetados: Todas as aeronaves dos seguintes modelos, certificadas em qualquer categoria, entregues antes de 01/01/2026:
| Modelo | Nome comercial |
|---|---|
| AS350B | Ecureuil / Esquilo |
| AS350BA | Ecureuil / Esquilo |
| AS350B1 | Ecureuil / Esquilo |
| AS350B2 | Ecureuil / Esquilo |
| AS350B3 | Ecureuil / H125 |
| AS350D | AStar |
Cronograma:
| Marco | Data |
|---|---|
| EASA AD 2026-0021 publicada | 29 de janeiro de 2026 |
| FAA AD 2026-07-12 publicada | 14 de abril de 2026 |
| FAA AD efetiva | 29 de abril de 2026 |
| Cumprimento inicial | 10 horas de voo (conforme EASA AD) |
| Prazo para comentários FAA | 29 de maio de 2026 |
O que a AD exige
Três ações obrigatórias:
- Substituir todas as ferragens de fixação dianteiras e traseiras das barras de suspensão do MGB
- Substituir todos os parafusos, porcas e arruelas das barras de suspensão
- Proibição de reinstalação de peças usadas — apenas peças novas (nunca previamente instaladas) são aceitas
É uma substituição única (one-time), não repetitiva. A ação deve ser cumprida dentro de 10 horas de voo após a data efetiva em certas circunstâncias especificadas pela EASA AD.
Por que é catastrófico
O MGB do AS350 é suspenso da estrutura da aeronave por 4 barras de suspensão que funcionam como um pêndulo, absorvendo vibrações do rotor principal. Uma barra diagonal ("dog bone") completa o sistema.
Se uma ferragem de fixação falhar:
- O MGB pode se separar da célula da aeronave
- Perda imediata e total de controle — não há recuperação possível
- Classificação de risco: catastrófico (Hazard Level 1)
Toda a potência do motor é convertida em rotação do rotor principal através do MGB. Sem ele, o helicóptero cai.
Impacto no Brasil
O Brasil é o maior mercado de helicópteros H125/Esquilo do mundo:
| Dado | Valor |
|---|---|
| Frota civil registrada (RAB) | ~486 aeronaves |
| Forças Armadas | ~70 unidades |
| Total estimado | ~556 aeronaves |
| Representatividade | 27% da frota turboeixo brasileira |
A Helibras (subsidiária Airbus em Itajubá, MG) já entregou mais de 850 helicópteros no Brasil, dos quais aproximadamente 700 estão em operação. A empresa detém participação superior a 50% na frota brasileira de helicópteros turboeixo.
Sobre cumprimento pela ANAC: Conforme o RBAC 39.5-I, operadores brasileiros de aeronaves cujo Estado de Projeto é estrangeiro devem cumprir as ADs emitidas pela autoridade do Estado de Projeto. Como a França (EASA) é o Estado de Projeto do AS350, operadores brasileiros são obrigados a cumprir a EASA AD 2026-0021. A ANAC pode emitir uma DA brasileira correspondente que referencia e adota a EASA AD.
Quem opera Esquilo no Brasil
Segurança pública: Praticamente todas as unidades aéreas estaduais operam variantes do Esquilo. A PMESP (Comando de Aviação "João Negrão") possui a maior frota policial, com 24 aeronaves AS350. O GAM (PMERJ), a Polícia Civil de SP, o GTA de Pernambuco e dezenas de outros estados também operam o modelo.
Forças Armadas: O Exército Brasileiro utiliza a designação HA-1 Esquilo para reconhecimento, ataque e treinamento. A FAB opera 10 aeronaves no 1/11 GAV. A Marinha usa o modelo em apoio ao Programa Antártico Brasileiro desde 1984.
Resgate e HEMS: SAMU, Corpo de Bombeiros de diversos estados, incluindo RJ (AS350B3 com Arriel 2D) e SC, que registrou 1.000 atendimentos e 944 pessoas resgatadas em 18 meses.
Outros: Transporte executivo, jornalismo aéreo (TV Globo, Band, Record), turismo (Rio, Foz do Iguaçu), utilidade (linhas de transmissão, mineração) e suporte offshore.
Histórico de ADs
O MGB do AS350 tem um padrão de atenção regulatória crescente:
| AD | Data | Problema |
|---|---|---|
| AD 2025-06-04 | Abril 2025 | Partículas no MGB — inspeção da bevel wheel |
| NPRM (Docket FAA-2025-5032) | Nov 2025 | Correção de intervalos da AD anterior |
| AD 2025-23-01 | Dez 2025 | Barras de suspensão do MGB no AS332 Super Puma — mesmo tema |
| AD 2026-07-12 | Abr 2026 | Folga nos fittings das barras de suspensão — esta AD |
A AD de dezembro de 2025 para o Super Puma (JASC 6330 idêntico) já havia exigido substituição de ferragens traseiras e parafusos do MGB, com custo de ~US$ 120.269 por aeronave. O padrão sugere que o problema afeta mais de um modelo da família Airbus Helicopters.
Perguntas frequentes
Minha aeronave é afetada?
Se você opera qualquer variante do AS350 (B, BA, B1, B2, B3) ou AS350D, e a aeronave foi entregue antes de 1º de janeiro de 2026, sim. Não há restrição por número de série — todas estão afetadas.
Quanto tempo tenho para cumprir?
A AD da FAA entra em vigor em 29 de abril de 2026. Em certas circunstâncias especificadas pela EASA AD 2026-0021, o cumprimento é exigido em 10 horas de voo. Operadores brasileiros devem seguir o prazo da EASA AD (Estado de Projeto).
Posso reinstalar peças usadas?
Não. A AD proíbe a instalação de qualquer peça previamente utilizada. Apenas ferragens, parafusos, porcas e arruelas novos são aceitos.
A ANAC já emitiu uma DA brasileira?
A ANAC pode emitir uma DA correspondente, mas operadores brasileiros já são obrigados a cumprir a EASA AD 2026-0021 diretamente (RBAC 39.5-I). Consulte o sistema de DAs da ANAC para verificar.
Fontes e referências
- FAA — AD 2026-07-12, Amendment 39-23308 (Federal Register)
- EASA — AD 2026-0021 (UK CAA)
- Helibras — Página do H125 (helibras.com.br)
- ANAC — Sistema de Diretrizes de Aeronavegabilidade (ANAC)
- FAA — AD 2025-23-01 para AS332 MGB (GovInfo)
Se você opera um Esquilo e usa o AeroCopilot, configure alertas de manutenção para não perder o prazo de cumprimento desta AD.
