Em 25 de março de 2026, a Embraer apresenta em Gavião Peixoto (SP) o F-39E Gripen de matrícula FAB 4109 — o primeiro caça multimissão de 4ª geração montado inteiramente no Brasil. Com esse rollout, o país se torna o único no mundo além da Suécia capaz de montar, integrar sistemas e testar um Gripen. Para quem ama aviação, é um daqueles marcos que ficam na história.
Neste artigo
- O que acontece em 25 de março?
- O que é o programa FX-2?
- O que o Brasil ganhou com isso?
- E as exportações?
- Por que isso importa para quem sonha com aviação?
- Perguntas frequentes
- Fontes
O que acontece em 25 de março?
A cerimônia de rollout na fábrica da Embraer em Gavião Peixoto marca o momento em que o FAB 4109 — montado por cerca de 200 funcionários da Embraer treinados pela Saab na Suécia — é apresentado publicamente pela primeira vez. Depois do rollout, a aeronave passa por testes estáticos, primeiro acionamento dos motores e uma série de voos de ensaio antes da entrega oficial à Força Aérea Brasileira (FAB) ainda em 2026.
O FAB 4109 é um F-39E, a versão monoposto do Gripen que será a espinha dorsal da defesa aérea brasileira nas próximas décadas.
O que é o programa FX-2?
O FX-2 é o programa de aquisição e transferência de tecnologia que o Brasil assinou com a sueca Saab em 2014. O contrato prevê 36 aeronaves — 28 monoposto (F-39E) e 8 biposto (F-39F) — com investimento total de aproximadamente R$ 20 bilhões.
| Detalhe | Número |
|---|---|
| Total de aeronaves | 36 (28 F-39E + 8 F-39F) |
| Montados na Suécia | 21 |
| Montados no Brasil (Embraer) | 15 |
| Já entregues à FAB | 11 (todos vindos da Suécia) |
| Unidade operacional | Esquadrão Jaguar (1º GDA), Anápolis/GO |
A diferença deste programa para compras anteriores é a palavra-chave: transferência de tecnologia. O Brasil não está apenas comprando aviões — está aprendendo a construí-los.
O que o Brasil ganhou com isso?
O programa Gripen criou um ecossistema industrial que vai muito além de uma linha de montagem.
Pessoas formadas. Mais de 350 profissionais — engenheiros, técnicos e pilotos — foram treinados pela Saab em Linköping (Suécia) e em Gavião Peixoto. Engenheiros brasileiros participaram diretamente do projeto do Gripen F (biposto), desenvolvendo assentos, displays, controles, sistemas elétricos, ambientais, de oxigênio e anti-G.
Infraestrutura criada. Gavião Peixoto abriga hoje uma linha de montagem final (FAL), um centro de ensaios em voo (GFTC) e a rede de projeto e desenvolvimento (GDDN) — toda essa infraestrutura permanece no Brasil e pode ser usada para projetos futuros.
Indústria fortalecida. Empresas brasileiras como AEL Sistemas, Akaer, Atech e a própria Embraer agora fazem parte da cadeia global de fornecedores do Gripen. A AEL Sistemas desenvolveu o display panorâmico (Wide Area Display) e o HUD do Gripen — componentes que hoje são oferecidos em todas as exportações do caça mundialmente.
Capacidades demonstradas. O Esquadrão Jaguar já realizou reabastecimento em voo com o KC-390 e disparos reais de mísseis Meteor BVR (Beyond Visual Range) no final de 2025. A capacidade operacional completa está prevista para 2026.
E as exportações?
Aqui a história fica ainda mais interessante. A linha de montagem em Gavião Peixoto não foi projetada apenas para as 15 aeronaves brasileiras — ela pode produzir para o mundo.
A primeira grande encomenda internacional já está confirmada: 17 Gripen E/F para a Colômbia, em um contrato de €3,1 bilhões com entregas previstas de 2026 a 2032. Essas aeronaves serão montadas no Brasil.
Isso transforma o país de comprador em exportador de caças. A Tailândia também encomendou 4 unidades, e há negociações com outros países. Com capacidade projetada para até 36 aeronaves por ano, Gavião Peixoto pode se tornar um polo global de produção do Gripen.
Por que isso importa para quem sonha com aviação?
Se você é entusiasta de aviação, estudante, ou pensa em seguir carreira na indústria aeronáutica, preste atenção nestes pontos:
Empregos reais. O programa gerou milhares de posições em engenharia, manutenção e operações. E com as exportações começando, essa demanda vai crescer.
Engenharia aeronáutica brasileira de ponta. Engenheiros formados no Brasil estão projetando componentes que voam em caças de combate ao redor do mundo. O ITA, a UNESP de São José dos Campos e outras instituições alimentam esse ecossistema.
Inspiração. Não existe nada mais "aviação" do que um caça supersônico montado por brasileiros decolando do interior de São Paulo. Para quem olha para o céu e sente aquele arrepio — este é um daqueles momentos.
Perguntas frequentes
Qualquer pessoa pode assistir ao rollout?
O evento em Gavião Peixoto é restrito a convidados — autoridades militares, civis e representantes da indústria. Mas a FAB e a Embraer costumam publicar fotos e vídeos oficiais logo após cerimônias como essa.
O Gripen brasileiro é idêntico ao sueco?
Sim, em termos de capacidade. A versão F-39E é a mesma Gripen E operada pela Suécia. A diferença é que componentes como displays e HUD são fabricados no Brasil pela AEL Sistemas.
Quanto custa um Gripen?
O custo unitário estimado do Gripen E fica entre US$ 85 e US$ 100 milhões, dependendo da configuração. O programa brasileiro completo (36 aeronaves + transferência de tecnologia + infraestrutura) custou cerca de R$ 20 bilhões.
A Embraer pode fabricar outros aviões militares?
A Embraer já fabrica o KC-390 (avião de transporte militar) e o Super Tucano (A-29). Com a infraestrutura do Gripen, a capacidade industrial se expande significativamente — o que abre portas para futuros programas de defesa, tanto nacionais quanto internacionais.
