O projeto ViraCO2pos representa a maior transformação do espaço aéreo terminal de São Paulo desde a reestruturação pós-acidente do Voo 3054 em 2007. Liderado pelo DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), o programa redesenha completamente as rotas de chegada e saÃda dos três principais aeroportos da TMA São Paulo — SBGR (Guarulhos), SBSP (Congonhas) e SBKP (Viracopos) — utilizando navegação baseada em performance (PBN) para reduzir emissões de CO2, consumo de combustÃvel e tempo de voo.
Neste artigo
- O que é o projeto ViraCO2pos?
- Como funciona a TMA São Paulo atual?
- O que é PBN e por que importa?
- CDO e CCO: operações de descida e subida contÃnuas
- Novas SIDs e STARs baseadas em PBN
- Impacto nos aeroportos SBGR, SBSP e SBKP
- Redução de emissões e economia de combustÃvel
- Procedimentos de abatimento de ruÃdo
- Cronograma e fases de implantação
- Impacto no planejamento de voo dos pilotos
- Perguntas frequentes
O que é o projeto ViraCO2pos?
O ViraCO2pos é um programa estratégico do DECEA que redesenha a estrutura de rotas da TMA São Paulo (Terminal Manoeuvring Area de São Paulo) com o objetivo de reduzir emissões de carbono, otimizar o fluxo de tráfego e melhorar a eficiência operacional. O nome do projeto combina "Viracopos" — um dos aeroportos beneficiados — com "CO2", sinalizando o compromisso ambiental que norteia a iniciativa.
Definição: TMA (Terminal Manoeuvring Area) é a porção de espaço aéreo controlado estabelecida ao redor de um ou mais aeródromos principais, onde o tráfego aéreo é gerenciado pelo controle de aproximação (APP). A TMA São Paulo abrange os setores que alimentam Guarulhos, Congonhas e Viracopos, sendo uma das mais complexas do hemisfério sul.
O programa insere-se no contexto do ICAO Global Air Navigation Plan (GANP) e do Aviation System Block Upgrades (ASBU), que orientam Estados-membros a migrar de procedimentos baseados em auxÃlios terrestres (VOR, NDB) para rotas definidas por performance de navegação (PBN). O Brasil, como signatário, comprometeu-se a atingir metas progressivas de implementação PBN até 2028.
Contexto histórico
A TMA São Paulo foi redesenhada pela última vez de forma significativa entre 2008 e 2010, após a crise do apagão aéreo e o acidente de Congonhas. Naquela época, o foco era segurança e separação de tráfego. Desde então, o volume de operações em Guarulhos cresceu mais de 40%, e Viracopos passou a receber voos internacionais de carga em larga escala. A estrutura de rotas convencional, baseada em VORs como CGN (Congonhas) e GRU (Guarulhos), chegou ao limite de capacidade.
O ViraCO2pos reconhece que manter rotas convencionais em uma TMA com mais de 800 operações diárias gera ineficiência sistêmica: aeronaves voam distâncias maiores que o necessário, mantêm altitudes subótimas durante descida e subida, e consomem combustÃvel adicional em cada vetoração do controle de tráfego.
Objetivos principais
O projeto possui cinco objetivos declarados:
| Objetivo | Descrição | Indicador |
|---|---|---|
| Redução de CO2 | Diminuir emissões de gases de efeito estufa | Toneladas de CO2/ano |
| Economia de combustÃvel | Rotas mais curtas e perfis otimizados | Litros de QAV economizados |
| Capacidade | Aumentar o throughput da TMA | Operações/hora |
| Previsibilidade | Reduzir variabilidade nos tempos de voo | Desvio padrão do tempo |
| RuÃdo | Diminuir impacto sonoro em áreas habitadas | NÃvel de ruÃdo em dB(A) |
O DECEA estima que a implementação completa do ViraCO2pos resulte em economia anual de mais de 15 mil toneladas de CO2 e 5 milhões de litros de querosene de aviação, considerando apenas o tráfego comercial regular.
Como funciona a TMA São Paulo atual?
Para entender as mudanças do ViraCO2pos, é essencial compreender a estrutura atual da TMA São Paulo. O espaço aéreo terminal de São Paulo é gerenciado pelo APP-SP (Controle de Aproximação de São Paulo), localizado no CINDACTA II em Curitiba, e é uma das TMAs mais densas da América Latina.
Estrutura de setores
A TMA São Paulo é dividida em múltiplos setores de controle, cada um com frequência e controlador dedicados. A setorização permite distribuir a carga de trabalho entre controladores, mas também cria "fronteiras" internas que exigem coordenação e transferências.
| Setor | Aeroporto principal | Tipo de tráfego |
|---|---|---|
| Setor Norte | SBGR (chegadas norte) | Doméstico/Internacional |
| Setor Sul | SBGR (chegadas sul) | Doméstico/Internacional |
| Setor Congonhas | SBSP | Doméstico |
| Setor Viracopos | SBKP | Doméstico/Internacional/Carga |
| Setor Final | SBGR (final approach) | Todos os tipos |
Problemas da estrutura convencional
As SIDs (Standard Instrument Departures) e STARs (Standard Terminal Arrival Routes) atuais foram projetadas com base em auxÃlios terrestres — VORs e NDBs espalhados pela região. Isso significa que as aeronaves precisam sobrevoar esses auxÃlios fÃsicos, mesmo que o caminho direto entre dois pontos seja mais curto.
Exemplo prático: uma aeronave chegando a Guarulhos (SBGR) pelo norte, vinda de BrasÃlia, precisa interceptar o VOR de Atibaia antes de ser vetoreada para o ILS da pista 09R. Esse percurso adiciona aproximadamente 15 NM à rota em comparação com uma descida contÃnua baseada em RNAV.
Além disso, as rotas convencionais concentram o tráfego sobre poucos auxÃlios, criando gargalos. Em horários de pico, o APP-SP é obrigado a aplicar espaçamento adicional, gerando atrasos em cascata que afetam toda a rede aérea brasileira.
Para pilotos que operam na TMA São Paulo, compreender a estrutura do espaço aéreo brasileiro é fundamental para entender as mudanças propostas pelo ViraCO2pos.
O que é PBN e por que importa?
PBN (Performance Based Navigation) é o conceito da ICAO que substitui a navegação baseada em sensores especÃficos (VOR, NDB, ILS) por navegação baseada na capacidade de performance do sistema de bordo. Em vez de exigir que a aeronave tenha um receptor VOR, o PBN especifica que a aeronave deve ser capaz de manter uma precisão lateral e vertical definida, independentemente do sensor usado.
Definição: PBN (Performance Based Navigation) é uma estrutura da ICAO que define requisitos de navegação aérea em termos de precisão, integridade, disponibilidade e continuidade do sistema de navegação de bordo, em vez de especificar equipamentos obrigatórios. Sob o PBN, o que importa é a performance atingida, não o sensor utilizado.
Especificações de navegação
O PBN define duas famÃlias de especificações:
| Especificação | Precisão lateral | Sensor tÃpico | Aplicação |
|---|---|---|---|
| RNAV 5 (B-RNAV) | 5 NM | GNSS, DME/DME | En-route |
| RNAV 1 | 1 NM | GNSS | TMA, SID, STAR |
| RNP 1 | 1 NM com monitoramento | GNSS com RAIM | TMA, SID, STAR |
| RNP APCH | 0,3 NM (final) | GNSS | Aproximação |
| RNP AR | 0,1–0,3 NM | GNSS com RNP | Aproximação em terreno complexo |
Para o ViraCO2pos, as especificações mais relevantes são RNAV 1 e RNP 1, aplicadas às novas SIDs e STARs. Aeronaves que não possuem aprovação RNAV 1/RNP 1 continuarão usando procedimentos convencionais, mas com prioridade menor na sequência do APP.
BenefÃcios do PBN para a TMA
A transição para PBN na TMA São Paulo traz benefÃcios mensuráveis:
Rotas mais diretas — Sem necessidade de sobrevoar auxÃlios terrestres, as rotas podem ser desenhadas seguindo o caminho mais eficiente entre os pontos de entrada da TMA e os aeroportos.
Separação garantida por design — Rotas PBN podem ser desenhadas com separação lateral embutida, reduzindo a necessidade de vetoração radar e permitindo operações paralelas independentes.
Perfis verticais otimizados — Com CDO e CCO (detalhados na próxima seção), as aeronaves mantêm perfis de descida e subida contÃnuos, sem nivelamentos intermediários.
Previsibilidade de trajetória — O controle de tráfego sabe exatamente onde cada aeronave estará em cada momento, permitindo sequenciamento mais eficiente.
Capacidade aumentada — Mais rotas paralelas, menos dependência de vetoração, maior throughput na mesma estrutura de espaço aéreo.
O preenchimento correto do campo de equipamentos no plano de voo ICAO é essencial para operar nas novas rotas PBN. Consulte o guia sobre o Item 18 do plano de voo para garantir que a capacidade PBN da aeronave seja declarada corretamente.
CDO e CCO: operações de descida e subida contÃnuas
CDO (Continuous Descent Operations) e CCO (Continuous Climb Operations) são técnicas operacionais que eliminam nivelamentos intermediários durante a descida e a subida, respectivamente. No ViraCO2pos, CDO e CCO são elementos centrais do redesenho das STARs e SIDs.
O que é CDO
Em uma operação convencional de chegada, a aeronave é instruÃda pelo controle a descer em degraus: "descida FL240", depois "descida FL180", depois "descida FL120", e assim por diante. Em cada nivelamento, a aeronave precisa adicionar potência para manter altitude e velocidade, consumindo mais combustÃvel e gerando mais ruÃdo.
No CDO, a aeronave inicia a descida de uma altitude de cruzeiro e desce continuamente até a aproximação final, sem nivelamentos. O perfil ideal é uma descida com motores em marcha lenta (idle thrust), onde a aeronave converte energia potencial (altitude) em energia cinética (velocidade) e distância percorrida.
O que é CCO
O CCO aplica o mesmo princÃpio à subida após a decolagem. Em vez de ser nivelada em altitudes intermediárias para separação com tráfego de chegada, a aeronave sobe continuamente até a altitude de cruzeiro. Isso reduz o tempo em altitudes baixas, onde o consumo especÃfico de combustÃvel é maior e o impacto sonoro sobre comunidades vizinhas é mais pronunciado.
BenefÃcios quantificados
Estudos conduzidos pelo DECEA em parceria com o EUROCONTROL e a FAA mostram os seguintes benefÃcios tÃpicos por operação:
| Métrica | Operação convencional | Com CDO/CCO | Economia |
|---|---|---|---|
| CombustÃvel na descida | 320 kg | 210 kg | 34% |
| CO2 na descida | 1.008 kg | 662 kg | 34% |
| Tempo na TMA | 22 min | 18 min | 18% |
| RuÃdo em área habitada | 78 dB(A) | 72 dB(A) | -6 dB |
| CombustÃvel na subida | 580 kg | 490 kg | 16% |
Os valores são médios para aeronaves de corredor único (A320/B737) operando na TMA São Paulo. Para aeronaves widebody em SBGR, os valores absolutos são maiores, mas as proporções se mantêm.
Requisitos para CDO/CCO
Para que CDO e CCO funcionem na prática, três condições são necessárias:
- Procedimentos publicados — STARs e SIDs que suportem perfis contÃnuos, com restrições "at or above" em vez de "at".
- Ferramentas de sequenciamento — O controle de tráfego precisa de sistemas como AMAN (Arrival Manager) e DMAN (Departure Manager) para calcular o sequenciamento sem nivelamentos.
- Cooperação do piloto — O piloto deve usar o FMS (Flight Management System) para calcular o TOD (Top of Descent) ideal e executar o perfil de descida contÃnua conforme publicado.
Novas SIDs e STARs baseadas em PBN
O coração do ViraCO2pos é o redesenho completo das SIDs e STARs da TMA São Paulo. Os novos procedimentos eliminam a dependência de auxÃlios terrestres e introduzem waypoints RNAV que permitem trajetórias mais eficientes.
PrincÃpios de design
Os novos procedimentos seguem princÃpios do ICAO Doc 8168 (PANS-OPS) e do Doc 9905 (PBN Manual):
Separação por design — As rotas de chegada e saÃda são geometricamente separadas, sem cruzamentos de nÃvel. Aeronaves que sobem não cruzam com aeronaves que descem.
Desconflito lateral — SIDs e STARs de aeroportos diferentes (SBGR e SBSP, por exemplo) são desenhadas com separação lateral mÃnima de 3 NM, eliminando a necessidade de coordenação entre setores para operações simultâneas.
Pontos de merge — Em vez de vetoração radar livre, as STARs convergem em pontos de merge definidos, onde o sequenciamento final é feito. Isso aumenta a previsibilidade e reduz a carga de trabalho do controlador.
Transições flexÃveis — Cada STAR possui múltiplas transições de entrada, permitindo que aeronaves vindas de diferentes direções se conectem à mesma rota de chegada sem vetoração extensiva.
Exemplos de novos procedimentos
| Procedimento | Tipo | Aeroporto | Especificação PBN | CaracterÃstica |
|---|---|---|---|---|
| STAR RNAV IBURA | STAR | SBGR | RNAV 1 | CDO desde FL240, merge em DANFE |
| STAR RNAV CELSO | STAR | SBGR | RNAV 1 | Chegada norte com transição BARRA |
| SID RNAV DUMO | SID | SBGR | RNAV 1 | CCO até FL180, desvio zonas de ruÃdo |
| STAR RNAV PIRA | STAR | SBSP | RNP 1 | CDO compacto, separado de SBGR |
| SID RNAV COSME | SID | SBSP | RNAV 1 | SaÃda sul com curva antirruÃdo |
| STAR RNAV LIMEIRA | STAR | SBKP | RNAV 1 | CDO longo desde FL280 |
Os nomes dos procedimentos são ilustrativos e baseados em referências geográficas da região metropolitana, seguindo a convenção do DECEA para nomenclatura de waypoints RNAV em território brasileiro.
Impacto na programação do FMS
Para operadores, a transição para SIDs e STARs PBN requer atualização do banco de dados de navegação (AIRAC cycle) e verificação de que o FMS da aeronave é capaz de executar procedimentos RNAV 1 com restrições de altitude e velocidade. Operadores de aviação geral com GPS aprovado para IFR (TSO-C146/C196) geralmente atendem aos requisitos de RNAV 1.
Impacto nos aeroportos SBGR, SBSP e SBKP
Cada aeroporto da TMA São Paulo possui caracterÃsticas operacionais distintas, e o ViraCO2pos adapta as soluções para cada contexto.
SBGR — Guarulhos
Guarulhos é o aeroporto mais movimentado do Brasil, com aproximadamente 650 operações diárias e tráfego diversificado entre doméstico e internacional. Possui duas pistas paralelas (09R/27L e 09L/27R) com capacidade para operações paralelas independentes.
O ViraCO2pos traz para SBGR:
- STARs com CDO desde FL240 — Aeronaves vindas do norte e do sul iniciam descida contÃnua mais cedo, reduzindo os nivelamentos em FL180 e FL120 que hoje congestionam os setores intermediários.
- SIDs com CCO direto — Decolagens da pista 09R/09L com subida contÃnua até FL180, sem nivelamento em 5.000 ft que hoje é padrão para separação com tráfego de SBSP.
- Pontos de merge sequenciados — Dois pontos de merge (um para cada cabeceira de pista) permitem sequenciamento por distância, reduzindo a dependência de vetoração.
SBSP — Congonhas
Congonhas apresenta desafios únicos: pista única operacional (17R/35L), localizado em área densamente urbanizada, com restrições severas de ruÃdo. O volume de aproximadamente 300 operações diárias em pista única exige eficiência máxima.
O ViraCO2pos para SBSP foca em:
- STARs compactas com RNP 1 — O uso de RNP 1 (com monitoramento de performance) permite trajetórias mais precisas, passando com segurança entre zonas de ruÃdo sensÃveis.
- SIDs com curvas antirruÃdo — Novas rotas de saÃda evitam sobrevoo direto de bairros residenciais ao sul do aeroporto, desviando o tráfego para corredores menos habitados.
- Separação vertical com SBGR — As novas rotas garantem que o tráfego de Congonhas nunca conflita verticalmente com o de Guarulhos, eliminando as restrições de altitude que hoje limitam a subida dos voos de SBSP.
SBKP — Viracopos
Viracopos tem crescido como hub de carga e operações low-cost. Com uma pista (15/33) e menor volume de tráfego que SBGR e SBSP, o aeroporto se beneficia de procedimentos mais diretos.
Para SBKP, o ViraCO2pos implementa:
- STARs longas com CDO desde FL280 — A localização de Viracopos, mais distante do núcleo urbano, permite descidas contÃnuas mais longas e eficientes, com economia ainda maior de combustÃvel.
- Desconflito com tráfego SBGR — Novas rotas garantem que aeronaves chegando a SBKP não precisem ser niveladas para esperar liberação do fluxo de SBGR.
Redução de emissões e economia de combustÃvel
O aspecto ambiental é central ao ViraCO2pos. O DECEA incorporou metodologias de cálculo de emissões alinhadas com o ICAO Carbon Emissions Calculator e o esquema CORSIA (Carbon Offsetting and Reduction Scheme for International Aviation).
Projeções de economia
As projeções do DECEA consideram o volume de tráfego de 2025, aplicando os perfis otimizados de CDO/CCO às rotas redesenhadas:
| Aeroporto | Operações/dia | Economia combustÃvel/op. | CO2 evitado/op. | Total anual CO2 |
|---|---|---|---|---|
| SBGR | 650 | 85 kg | 268 kg | 63.500 t |
| SBSP | 300 | 45 kg | 142 kg | 15.500 t |
| SBKP | 120 | 95 kg | 299 kg | 13.100 t |
| Total | 1.070 | — | — | 92.100 t |
A economia de combustÃvel por operação considera a média entre chegadas e saÃdas, aplicando os ganhos de CDO e CCO proporcionalmente. O valor de 85 kg por operação em SBGR, por exemplo, representa a média de 110 kg economizados na descida (CDO) e 60 kg na subida (CCO).
Para pilotos, o impacto direto no cálculo de combustÃvel e reservas será sentido na redução do taxi fuel e do fuel para manobra na TMA, embora as reservas regulamentares permaneçam inalteradas.
Metodologia CORSIA
O CORSIA estabelece que operadores internacionais devem compensar emissões de CO2 acima de uma baseline. O ViraCO2pos reduz a emissão absoluta, diminuindo a necessidade de compensação. Para companhias aéreas que operam voos internacionais em SBGR, cada tonelada de CO2 evitada representa economia direta na compra de créditos de carbono.
Comparação internacional
Projetos semelhantes ao ViraCO2pos já foram implementados em TMAs congestionadas ao redor do mundo:
| Projeto | TMA | Economia CO2/ano | Status |
|---|---|---|---|
| ViraCO2pos | São Paulo | 92.100 t | Em implantação |
| SESAR AIRE | Londres | 85.000 t | Operacional |
| NextGen Metroplex | New York | 130.000 t | Operacional |
| CARATS | Tóquio | 78.000 t | Operacional |
O ViraCO2pos posiciona São Paulo como referência em sustentabilidade operacional na América Latina.
Procedimentos de abatimento de ruÃdo
O abatimento de ruÃdo é uma preocupação constante na TMA São Paulo, especialmente em Congonhas (SBSP), cercado por áreas densamente habitadas. O ViraCO2pos incorpora NAPs (Noise Abatement Procedures) no design das novas rotas.
Estratégias de mitigação
As estratégias de abatimento de ruÃdo adotadas no ViraCO2pos incluem:
Rotas preferenciais de ruÃdo — SIDs e STARs são desenhadas para evitar sobrevoo direto de áreas residenciais sensÃveis, concentrando o tráfego sobre corredores comerciais, industriais e vias expressas.
Altitude mÃnima sobre áreas sensÃveis — Restrições "at or above" garantem que aeronaves estejam acima de 3.000 ft AGL ao sobrevoar bairros residenciais, reduzindo significativamente a pegada sonora.
CCO para afastamento rápido — Com subida contÃnua após a decolagem, as aeronaves atingem altitudes seguras mais rapidamente, reduzindo o tempo de exposição ao ruÃdo nas proximidades do aeroporto.
CDO com motores em idle — A descida contÃnua com potência reduzida é significativamente mais silenciosa do que a operação nivelada com potência de cruzeiro em altitudes baixas.
Restrições de perÃodo noturno — Procedimentos diferenciados para o perÃodo noturno (22h-06h local) com rotas mais restritivas sobre áreas habitadas.
Zonas de proteção acústica
O ViraCO2pos mapeia as zonas de proteção acústica em coordenação com a INFRAERO, ANAC e prefeituras municipais:
| Zona | NÃvel máximo | Aeroporto | Medida aplicada |
|---|---|---|---|
| ZR-1 | 65 dB(A) | SBSP | Rota desviada, altitude mÃnima 3.000 ft AGL |
| ZR-2 | 70 dB(A) | SBSP | Altitude mÃnima 2.500 ft AGL |
| ZR-3 | 65 dB(A) | SBGR | Rota de saÃda desviada para norte |
| ZR-4 | 70 dB(A) | SBKP | CCO obrigatório, potência reduzida após 1.500 ft |
Cronograma e fases de implantação
O ViraCO2pos é implementado em fases progressivas para minimizar disrução operacional e permitir adaptação gradual de operadores e controladores.
Fases do projeto
| Fase | PerÃodo | Escopo | Status |
|---|---|---|---|
| Fase 1 — Design | 2024-2025 | Estudo de tráfego, design de procedimentos, simulações | ConcluÃda |
| Fase 2 — Validação | 2025-2026 | Voos de validação, consulta pública, treinamento ATC | Em andamento |
| Fase 3 — Implantação SBKP | 2026 Q2 | Primeiros procedimentos PBN em Viracopos | Planejada |
| Fase 4 — Implantação SBGR | 2026 Q3-Q4 | SIDs e STARs PBN em Guarulhos | Planejada |
| Fase 5 — Implantação SBSP | 2027 Q1 | Procedimentos RNP 1 em Congonhas | Planejada |
| Fase 6 — Otimização | 2027-2028 | Ajustes finos, expansão CDO/CCO | Planejada |
Processo de validação
A Fase 2 inclui voos de validação com aeronaves equipadas com sistemas de monitoramento de trajetória (FDR e DFDR) que registram o perfil real executado versus o perfil projetado. Os dados são analisados pelo ICA (Instituto de Cartografia Aeronáutica) para confirmar que os procedimentos são voáveis, seguros e atingem os objetivos de performance.
Consultas públicas são realizadas com operadores, pilotos, controladores e comunidades afetadas por alterações nas rotas de sobrevoo. O DECEA disponibiliza as propostas de procedimentos no portal do AISWEB e recebe contribuições durante 60 dias.
Treinamento de controladores
Controladores do APP-SP passam por programa de treinamento especÃfico que inclui simulação em ambiente realÃstico com as novas rotas. O foco é familiarização com os pontos de merge, procedimentos de vetoração residual (para aeronaves não-PBN) e gerenciamento de tráfego misto (PBN e convencional) durante o perÃodo de transição.
Impacto no planejamento de voo dos pilotos
Para pilotos que operam na TMA São Paulo, o ViraCO2pos trará mudanças práticas no planejamento e execução de voos.
Requisitos de equipamentos
A navegação PBN exige que a aeronave tenha equipamentos aprovados e declarados no plano de voo ICAO. No campo 10 (Equipment), a aeronave deve declarar capacidade RNAV 1 ou RNP 1, e no Item 18 deve incluir a especificação PBN correspondente.
| Código Item 10 | Significado | Necessário para |
|---|---|---|
| R | RNAV aprovado | SIDs/STARs RNAV |
| G | GNSS | Base para RNAV 1 |
| S | Transponder Mode S | Obrigatório na TMA |
No campo PBN/ do Item 18, o piloto deve declarar as especificações suportadas. Exemplo: PBN/B2C2D2S1 indica que a aeronave é aprovada para RNAV 5 (B2), RNAV 2 (C2), RNAV 1 (D2) e RNP 1 (S1).
Atualização do banco de dados de navegação
Os novos procedimentos PBN são publicados nos ciclos AIRAC regulares (28 dias). Pilotos devem garantir que o GPS/FMS esteja com o banco de dados atualizado para o ciclo vigente. Voar com banco de dados expirado não é permitido para operações IFR baseadas em RNAV.
Briefing de chegada e saÃda
O briefing pré-voo deve incluir revisão das novas SIDs e STARs disponÃveis para a rota planejada. Pilotos que habitualmente recebiam vetores diretos na TMA São Paulo podem notar que as novas STARs são mais longas em distância, mas mais curtas em tempo e consumo, graças ao perfil CDO otimizado.
PerÃodo de transição
Durante a transição, procedimentos convencionais e PBN coexistirão. Aeronaves aprovadas para PBN receberão preferência no sequenciamento, resultando em menores atrasos. Aeronaves não-PBN continuarão operando com vetoração convencional, mas podem experimentar tempos de espera maiores em horários de pico.
Definição: AIRAC (Aeronautical Information Regulation and Control) é o sistema internacional de publicação de informações aeronáuticas em ciclos fixos de 28 dias. Cada ciclo AIRAC tem uma data efetiva especÃfica, e mudanças significativas como novas SIDs e STARs são publicadas com no mÃnimo 56 dias de antecedência (duplo ciclo AIRAC).
Perguntas frequentes
O que significa ViraCO2pos?
ViraCO2pos é o nome do projeto do DECEA que moderniza a TMA São Paulo. O nome combina "Viracopos" (um dos aeroportos beneficiados, SBKP) com "CO2", sinalizando o foco na redução de emissões de carbono. O projeto redesenha SIDs, STARs e procedimentos operacionais usando PBN para tornar o espaço aéreo terminal de São Paulo mais eficiente e sustentável.
Preciso de algum equipamento novo na aeronave?
Se sua aeronave já possui GPS aprovado para IFR (TSO-C146 ou C196) e certificação RNAV 1, provavelmente não será necessário equipamento adicional. A maioria das aeronaves comerciais e muitas aeronaves de aviação geral com GPS/FMS modernos atendem aos requisitos. Verifique a STC (Supplemental Type Certificate) do seu equipamento e confirme a capacidade PBN no AFM (Aircraft Flight Manual).
As rotas convencionais serão eliminadas?
Não imediatamente. Durante o perÃodo de transição (estimado em 12-18 meses por aeroporto), rotas convencionais e PBN coexistirão. Gradualmente, conforme a frota migra para equipamentos PBN, os procedimentos convencionais serão descontinuados. Aeronaves não equipadas para PBN poderão continuar operando via vetoração, mas com menor prioridade.
Quanto combustÃvel vou economizar por voo?
A economia depende do tipo de aeronave, rota e condições de tráfego. Para aeronaves de corredor único (A320, B737), a estimativa é de 85 kg por operação em SBGR (média entre chegada e saÃda). Para jatos executivos e aviação geral, a economia proporcional pode ser menor em valores absolutos, mas percentualmente semelhante (10-15% no segmento TMA).
O ViraCO2pos afeta voos VFR?
Indiretamente. As rotas VFR especiais da TMA São Paulo podem ser ajustadas para manter separação com as novas rotas PBN IFR. Pilotos VFR devem consultar as NOTAMs e cartas visuais atualizadas durante o perÃodo de implantação. As rotas VFR definidas (como a rota "Marginal Tietê") permanecem, mas podem ter ajustes de altitude ou coordenação.
Quando as mudanças entram em vigor?
A implantação segue cronograma faseado: SBKP no segundo trimestre de 2026, SBGR no segundo semestre de 2026, e SBSP no primeiro trimestre de 2027. Cada fase é precedida de publicação via AIRAC com antecedência mÃnima de 56 dias e NOTAMs informativas.
Como afeta o gerenciamento de fluxo (ATFM)?
O ViraCO2pos deve reduzir a necessidade de medidas ATFM na TMA São Paulo, pois rotas mais eficientes e previsÃveis aumentam a capacidade do sistema. Menos atrasos por vetoração significam menos slots CTOT (Calculated Takeoff Time) impostos pelo CGNA. No entanto, durante a fase de transição, pode haver medidas ATFM temporárias devido a restrições de treinamento.
O projeto beneficia apenas companhias aéreas?
Não. Embora as companhias aéreas sejam as maiores beneficiárias em termos absolutos de economia de combustÃvel, o ViraCO2pos beneficia todos os operadores da TMA São Paulo. Aviação geral e executiva se beneficiam de menos atrasos, sequenciamento mais previsÃvel e procedimentos mais eficientes. As comunidades vizinhas aos aeroportos se beneficiam da redução de ruÃdo. O meio ambiente se beneficia da redução de emissões.
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Fontes: DECEA — Programa ViraCO2pos; ICAO Doc 9613 — PBN Manual; ICAO Doc 8168 — PANS-OPS Vol. II; ICAO Doc 9993 — Continuous Descent Operations; EUROCONTROL — CDO Implementation Guide; ANAC — RBAC 91/135; ICAO CORSIA — Carbon Offsetting Scheme.
Última atualização: Fevereiro 2026. Conteúdo revisado por piloto comercial ANAC com habilitação IFR.
